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23/06/2026

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A unidade de comando e a transparência nas empresas familiares

23/10/2025
transparência

Existem dois princípios fundamentais e altamente relevantes na administração, especialmente quando se trata de empresas familiares: o princípio da unidade de comando e o princípio da transparência.

Ao falar em unidade de comando, não se está tratando necessariamente de um comando unipessoal, exercido por uma única pessoa. O comando pode — e muitas vezes deve — ser exercido de forma colegiada, por meio de órgãos coletivos como assembleias de sócios, conselhos de administração, comitês gestores ou diretorias executivas. Esses órgãos, por envolverem duas ou mais pessoas em suas decisões, são denominados colegiados. Nas empresas familiares, o princípio da unidade de comando é particularmente importante, pois costuma variar conforme o ciclo de desenvolvimento da empresa. No ciclo do fundador, o comando tende a ser centralizado, ou seja, unipessoal, já que o fundador normalmente concentra em si as decisões principais.

No entanto, nas fases seguintes — o ciclo da sociedade de irmãos (segunda geração) e o ciclo do consórcio de primos (terceira geração) — o comando precisa se tornar colegiado, em razão do aumento natural do número de herdeiros e gestores envolvidos. Nessas fases, recomenda-se que a unidade de comando seja exercida por meio dos órgãos colegiados, cujas decisões são tomadas de forma regimental e consensual. As diretrizes estratégicas emanam desses órgãos e são então divulgadas e implementadas em toda a estrutura da empresa. Dessa forma, a unidade de comando é mantida mesmo quando há várias pessoas envolvidas, pois há consenso e coerência nas decisões. Esse modelo, baseado em órgãos colegiados, visa evitar a pulverização das decisões, garantindo solidez institucional, continuidade e governança estruturada. Além disso, da unidade de comando deriva o segundo princípio essencial: o da transparência. A comunidade empresarial espera da alta administração coesão, clareza e transparência nas decisões. Quando a liderança atua de forma unida e transparente, toda a organização se compromete com uma única diretriz, fortalecendo o senso de propósito e alinhamento.

Por fim, ressalta-se um terceiro entendimento, decorrente dos dois anteriores:
a empresa não deve ser refém das pessoas, mas sim as pessoas devem servir aos interesses e diretrizes da empresa. As decisões não podem refletir vontades individuais, mas sim o consenso institucional alcançado nos órgãos colegiados, conforme seus respectivos regimentos e responsabilidades.

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