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A grande mentira dos influencers

05/12/2025
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Na próxima semana, a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, publica o COTSI, o índice econômico que mede quanto custa comprar seguidores e contas falsas em todo o mundo.

“É como se fosse um IPCA do inferno”, diz o advogado Ronaldo Lemos, em coluna assinada na Folha de S. Paulo.

A publicação do estudo deve pôr a nu o engodo dos chamados influencers digitais, que tomam como régua as visualizações e o número de seguidores para atrair patrocínios gordos para seus canais.

Claro que é um tombo para essa gente bronzeada que quer mostrar seu valor. Resta agora retomar velhas aspirações. Modelo, ator, jogador de futebol e pagodeiro são as atividades que me ocorrem. E não necessariamente nessa ordem.

Há um índice na economia que toma como base o preço do Big Mac em várias nações do mundo. Serve para mapear a inflação. Há outro que mede a fabricação de caixas de papelão e é indicador do crescimento industrial. O número de seguidores, de curtidas e de visualizações nas redes sociais deveria, portanto, aferir números confiáveis de audiência. Mas não é isso o que ocorre.

10 dólares

O estudo do COTSI mostra que tudo está à venda no ambiente virtual. Acredite: com 10 dólares (R$ 54 reais) é possível comprar seguidores e visualizações à mancheia no Tik Tok, no Twitter, no Instagram e no YouTube. As agências que vendem pacotes de impulsionamento estão prontas para deixar um rastro de poeira em perfis confirmados de cantores sertanejos com cliques vindos de todas as partes do mundo – Índia, Paquistão, Moçambique e um sem-número de países encravados no leste europeu. É mesmo para causar inveja.

Em uma escala de investimento, em que o influencer já conta com uma carteira de patrocínio significativa, a tendência é criar um “círculo malicioso”, no qual o que menos importa é o público espontâneo ou orgânico. Se o influencer paga pela audiência e gera indicadores que atraem a publicidade, não há mais o que acrescentar, exceto o lucro que vai para o bolso do suposto “produtor de conteúdo”.

Manter níveis de audiência inflados é o que faz com que influenciadores endureçam nas negociações com grandes marcas. Só assim é possível comprar engajamento falso e justificar o valor investido.

Na aparência e no conteúdo, o golpe é idêntico àquele do nigeriano que se passa por Brad Pitt e pede à velhinha sua namorada, já devidamente seduzida, que lhe faça um depósito de R$ 40 mil para cobrir despesas urgentes.

Mão leve

O estudo de Cambridge é uma lição e tanto para o Judiciário nacional, preocupado em banir contas e censurar conteúdo. A polícia federal vem descobrindo sistematicamente salas inteiras de prédios localizadas nas grandes capitais com milhares de aparelhos celulares. Ligados a contas falsas, eles monetizam o “mundo maravilhoso” dos influencers digitais.

O COTSI mapeia toda a indústria de números de celular “alugados” para essa finalidade. Por óbvio, essa prática tem ligações com o crime organizado. No mundo real, o punguista precisa de muita prática para bater a carteira de sua vítima. No mundo virtual, essa experiência é dispensável.

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