Ao menos oito milhões de refugiados venezuelanos comemoraram a queda do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. É quase um quarto da população do país. Se haviam empreendido a diáspora na última década e tentado a sorte em países da América do Sul e nos EUA, é razoável concluir que o fizeram porque contrários ao regime.
A mando do presidente Donald Trump, Maduro foi preso por forças americanas na madrugada de sábado (3), em Caracas, e levado para ser julgado em Nova York. Sua esposa Cilia Flores também foi detida.
É o tipo de operação militar que confronta princípios elementares do direito internacional. A intervenção só poderia ocorrer com o aval do Conselho de Segurança da ONU ou em legítima defesa. Trump não quis saber.
Nunca antes na história, a América do Sul havia sofrido uma ação militar direta dos EUA, mas há sempre a primeira vez. Em países da América Central não se pode dizer o mesmo. Em 1989, os Estados Unidos invadiram o Panamá para prender o ditador Manuel Antônio Noriega, sob a acusação de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.
Antes, ele havia anulado a eleição presidencial que deu a vitória ao opositor Guillermo Endara. Repare, é o mesmo novelão protagonizado por Maduro.
Dá-lhe rock and roll
Noriega manteve-se em fuga por vários dias e acabou encontrando guarida na missão diplomática do Vaticano na Cidade do Panamá, capital do país. Foi o rock and roll tocado dia e noite em um volume estrondoso nas cercanias do prédio que fez com que Noriega, enfim, se rendesse.
Agora é a vez do ditador venezuelano. Em um trocadilho infame, ele caiu de maduro. Foi apeado do cargo porque usou e lambuzou da paciência norte-americana. Trump bombardeou barcos de bandeira venezuelana que, supostamente, transportavam drogas e dessa vez cumpriu o que prometeu. Destituiu o caudilho odiado pelos venezuelanos, porém tolerado e até amado por governantes dos países vizinhos. Entre eles, o Brasil.
Sim, é o mesmo Trump que prometeu, mas não cumpriu, a construção de um muro na fronteira com o México, a invasão da Groelândia e a taxação das importações de produtos brasileiros em 40%. Tudo não passou de um truque ou, no caso do nosso país, de um traque.
Sombra e água fresca
Vale recordar que Lula, saído da prisão e eleito presidente pela terceira vez, recebeu Maduro no Palácio do Planalto com honras de chefe de Estado. Pasme, ele até chamou a Venezuela de ‘democracia’ e cravou que Maduro não parecia um ‘homem mau’.
Fontes diplomáticas revelam que o mais recente telefonema entre Trump e Lula não transcorreu da maneira que foi divulgada oficialmente. Na conversa de 40 minutos, o presidente americano disse a Lula que só haveria acordo entre EUA e Venezuela se o ditador deixasse o país. Simples assim.
O presidente brasileiro sugeriu que Maduro ganhasse passagem segura para o Brasil com a família e o entorno político mais próximo. Trump achou pouco. Dar sombra e água fresca a quem arrasou a Venezuela desde que tomou posse, em 2012, seria bom demais.
‘Chávez brasileiro’
Os analistas internacionais dizem que a prisão de Maduro em território venezuelano abre as portas para que Putin venha a sequestrar Zelensky na Ucrânia e a China acerte as contas com Taiwan. Veremos.
No Brasil, manifestantes pró-Maduro se concentraram na Avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra a queda do ditador venezuelano que levou o país a uma inflação de 10.000.000% e à pobreza extrema de 95% da população. O PT reconheceu a vitória de Maduro um dia após a eleição fraudulenta, em julho de 2024. No ano seguinte, representantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) e o Foro de São Paulo compareceram à posse do presidente venezuelano reeleito, rechaçando qualquer ilicitude ocorrida.
Os governos de esquerda ou de meia-esquerda costumam mesmo dar “uhus” ao bolivarismo que grassa no país vizinho. É assim com Lula e também com políticos paranaenses que não escondem a simpatia com o regime bolivariano desde que Hugo Chávez se assentou no poder.
Caso da ex-presidente do PT, hoje ministra, Gleisi Hoffmann, e do ex-governador do Paraná, Roberto Requião, autodenominado “Chávez brasileiro” e “nepotista militante”.
Durante seus dois mandatos, entre 2003 e 2010, ele exigiu que a Educativa, a TV pública do estado, incluísse na grade, do começo da noite até o fim da madrugada, a programação da Telesur, emissora venezuelana, que até hoje é dominada por shows do tipo “Conversa Com o Presidente”. A duração é de oito horas. Acredite.
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