Sei pouco a respeito do deputado paranaense a quem apelidaram de black power tardio, em referência ao movimento dos anos 60 – sim, também existem os hippies tardios. Da mesma forma, sei pouco sobre a vereadora antissemita da câmara de Curitiba. Me informam que ambos são membros de partidos de esquerda. É o suficiente.
O tal invadiu igreja católica em ato despropositado, no calor de uma manifestação contra o assassinato de um líder africano. Era vereador à época. Sofreu processo de cassação, foi perdoado e abençoado pelo padre que conduzia a missa e, muito por causa de uma coisa e outra, elegeu-se deputado estadual.
Sua colega quer seguir o mesmo caminho. Um processo de investigação por quebra de decoro parlamentar foi aberto pela Casa depois que a vereadora fez distribuir, durante audiência pública, uma cartilha que, supostamente, faz apologia às drogas.
Em sua defesa, Angela – esse é o seu nome – lançou um manifesto intitulado “Fica, Professora Angela”, em que faz referência a si mesma como se fosse uma entidade extra corpórea. É engraçado.
Uga uga
A esquerda tem abusado dessa linguagem, digamos, rupestre. Fica. Fora. Uga. (Eu prefiro Kabong, o brado do Pepe Legal quando se veste de justiceiro. Pepel Legal é um cavalo de desenho animado).
O processo de cassação da vereadora deveria ser votado no mês passado, mas foi suspenso pela justiça. Isso parece ter deixado Angela à vontade para desferir outro golpe. Ora, as eleições gerais se avizinham, ela quer galgar os degraus da política e candidatar-se à Assembleia.
Esse foi o motivo que, provavelmente, a levou a comparecer a uma votação de cidadania honorária na Câmara para dirigir ofensas contra o líder comunitário judeu Isaac Baril.
Em qualquer outra situação, os argumentos da parlamentar seriam considerados intolerantes e antissemitas. Mas o Brasil se tornou o berço da intolerância e do antissemitismo. Não foi Lula quem comparou as ações militares de Israel na Faixa de Gaza ao holocausto?
Pedra e vidraça
É o tipo de ideia que, se plantada, autoriza qualquer um a quebrar vidraças de lojas e queimar sinagogas. E ainda obrigar judeus a indenizar os prejuízos. Acredite: foi isso o que aconteceu na Alemanha hitlerista.
A Professora Angela se sentiu autorizada. A ponto de não temer que seu discurso seja registrado em ata. Por falta de outro projeto qualquer ou de atividade parlamentar significativa, ela espera que seu discurso execrável repercuta o suficiente na mídia e nas redes sociais a fim de garantir-lhe votos nas eleições do ano que vem.
O deputado também sonha com voos mais altos. Recentemente ele trocou socos e chutes com um guardador de carros – fascista e racista, certamente, porque todos os “inimigos” são – que podem lhe valer a passagem de ida para o Congresso Nacional, em Brasília. Sua notoriedade está vinculada à capacidade de se destacar em seu curral eleitoral – e nunca antes na história a expressão foi tão adequada. É o tipo de ação que gera visualizações, likes e comentários. Em especial daquela gente que baba no canto da boca.
Assim, de intolerância em intolerância, de preconceito em preconceito, de racismo em racismo os políticos enchem o papo. O inferno são os outros.
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