Gleisi Hoffmann cedeu ao apelo de Lula e vai disputar o Senado pelo Paraná. É um suicídio político, mas foi o jeito que o líder petista encontrou para jogar Gleisi aos leões ou os leões a Gleisi (tudo é uma questão de torcida). Lula diria ‘vade retro’, não fosse a sua total ignorância sobre o termo.
Oficialmente, Gleisi recebeu a missão de puxar votos para o PT. É um eufemismo. Ela vai é puxar carroça.
O projeto original da petista era deixar o ministério das Relações Institucionais para tentar a reeleição na Câmara dos Deputados, um caminho mais viável e, ainda assim, sem garantia estendida.
O PT nunca chegou perto de governar o estado. Foi vice na prefeitura de Curitiba, mas na administração de Gustavo Fruet (PDT), que tem um nome a zerar.
Há muito o Paraná pendeu à direita e esse quadro não será revertido tão cedo. Gleisi já foi senadora pelo Paraná. Em 2010, foi eleita com 3 milhões de votos. Requião (aquele) ficou em segundo lugar com 2,6 milhões. Mas eram tempos de vacas loucas.
Três Curitibas
De lá para cá, Gleisi esteve envolvida em escândalos, polêmicas e fuxicos – não necessariamente nessa ordem – de causar vergonha até ao petista mais renhido. Gleisi tem um histórico de defesas públicas de Nicolás Maduro, o mais novo hóspede dos presídios nos EUA.
Nós podemos condenar a ação de Trump na Venezuela, mas não relativizar a ditadura sanguinária implantada no país, responsável pelo êxodo de 7 milhões de pessoas. É a população de três Curitibas.
Gleisi fez isso. Em 2019, a petista visitou a Venezuela para representar o partido na posse de Maduro. Naquela ocasião, houve denúncias de fraude nas eleições e de perseguição a opositores.
Cinco anos depois, as suspeitas cresceram e, mesmo com provas irrefutáveis, a Executiva Nacional do PT, encabeçada por Gleisi, reconheceu Maduro como presidente eleito ‘democraticamente’. Pela terceira vez.
Claudicante
Lula estendeu o tapete vermelho para Maduro, em Brasília, com honras de chefe de Estado. Convenhamos, o petista fará 81 anos em outubro. Claudica assim como Joe Biden claudicou na última eleição americana e, assim mesmo, não quer largar o osso.
Se Gleisi passou a incomodar, que tome seu caminho. Rumo a uma aventura política que tem tudo para dar errado.
A classe operária foi ao paraíso. Gleisi está sendo expulsa dele. É uma mancha na imagem que Lula quer fazer publicar em ano eleitoral. Claro, nada disso impede que a petista siga sua carreira partidária.
Gleisi já foi chefe de gabinete na Câmara de Vereadores, secretária na Assembleia Legislativa do Paraná, diretora de estatal, ministra, senadora e deputada federal.
Com toda a sua fama e sua bossa ela ainda vai acabar substituindo a notória Dilma Rousseff na presidência do banco do Brics. Isso significa que terá ao seu lado representantes do Irã dos aiatolás, da Rússia de Vladimir Putin, da Belarus de Lukashenko (presidente desde 1994), da Arábia Saudita, do Cazaquistão, do Uzbequistão e, claro, da China, cuja tradição democrática dispensa comentários.
Sim, ela também não quer largar o osso.
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