ANO IV

13/07/2026

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O mesmo lado da mesma moeda

15/12/2025
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Cessem os tambores à direita e à esquerda. A civilização não é mesmo para o Brasil (copyrigth Clóvis Rossi). Em menos de um mês comprovou-se (empiricamente) que o país que se queria novo é o velho país dos últimos 20 anos. Acima do debate necessário, restou não o FlaxFlu, mas o pior de um jogo de várzea em campo enlameado.

Não há bem-aventurados nesse cenário. Os que torceram o nariz para os escândalos de corrupção do lulopetismo agora apontam o dedo para a corrupção alheia, esquecidos que, ao fim e ao cabo, quem triunfou foi ela (a corrupção), sacudida e risonha. Os que odiosamente carimbam de fascista ou comunista aqueles que guardam opinião diametralmente oposta, repetem à exaustão o “nós contra eles” dito irresponsavelmente em terra que só faz produzir miseráveis no atacado e varejo.

Profetas ungidos ou arautos do apocalipse, resta-nos lamentar: perdoai-os, senhor, eles sabem o que fazem. Thomas Piketty, tão citado e pouco lido, não deixou dúvida ao analisar a desigualdade no Brasil. No período de 2001 a 2024, o bolo da riqueza foi obscenamente distribuído no país: 55% para os mais ricos e 12% para os mais pobres. Antes os ricos detinham 54% da fatia. Antes os pobres contentavam-se com 11%. Para efeito de comparação: nos EUA, os mais ricos detêm 47% da renda bruta e isso com toda a desigualdade que paira por lá. Esqueça, portanto, a balela do pai dos pobres. Os ricos continuam muito bem, obrigado, e engrossam por certo o exército de eleitores disposto a votar em Lula para um quarto mandato

Do velho governo, e dos apoiadores que o cercam, resta rir às escâncaras quando decide chamar os opositores de “comunistas”. Está faltando escola para essa gente ou, ao menos, algumas lições de história. A tolice é de tal monta que dá oportunidade para que o outro lado recorra a Lênin e pregue na oposição o totalitarismo que é de todos.

Quem precisa de ditador ou intervenção militar quando tem presidencialismo de coalizão? Fernando Henrique Cardoso, que disse #elenão – referindo-se a Bolsonaro –, aliou-se, em seus oito anos de mandato, a José Sarney, Antônio Carlos Magalhães e ao baixo clero (Bolsonaro incluso) para que pudesse governar. Lula e Dilma erigiram obra idêntica. Senão como explicar Severino Cavalcanti, José Sarney (de novo), Delfim Netto e… Paulo Maluf (!?!)

Não se trata de relativismo de botequim que justifica quando deveria condicionar, que compensa quando deveria contextualizar. É fato.

Que a claque aplauda o ministro Alexandre de Moraes, cuja família deita e rola nos milhões amealhados pelos serviços prestados ao ‘suspeitíssimo’ Banco Master, é só um detalhe. À mulher de César não basta ser honesta. Tem que parecer honesta. Se não estivesse se engalfinhando em disputas internas, a direita moderada poderia aproveitar-se muito bem dos acontecimentos recentes. Mas é tola, obtusa, empacada.

Por tachar de imperialista ou comunista nações não afinadas com a ideologia dominante é que o governo brasileiro foi dar em tratados de livre-comércio com países absolutamente risíveis (Palestina? Uganda? Cazaquistão?)

Assim parece, salvo engano, que o brasileiro morre de amores pelo Palhares, o canalha perfeito de Nelson Rodrigues. Assim parece, salvo engano, que os brasileiros são irmanados e afeitos ao pior do que o nepotismo, o compadrio e a corrupção produziram na história recente. Assim parece, salvo engano, que a moeda da República tem duas faces, ambas idênticas, ambas estampando o “Fradim” do chargista Henfil, a ecoar o gesto famoso do “top top”.

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