Saindo de Toronto no Canadá, o Rush conquistou o mundo com seu power progressivo. Com a entrada do baterista e principal compositor Neil Peart, a banda realmente alçou voos mais altos. Seu segundo álbum, Fly By Night, é um marco na sua carreira. Com a produção de Terry Brown, Geddy Lee (Baixo e vocais), Alex Lifeson (guitarra) e o já citado Peart, formaram um dos trios mais aclamados da história do rock’n’roll. Lançado em 15 de fevereiro de 1975, completando cinquenta anos, vendeu mais de 1,5 milhões de cópias. Sem dúvida um sucesso estupendo.
Abrindo o álbum com intensidade, Anthem apresenta um riff poderoso de Alex Lifeson e um dos vocais mais energéticos de Geddy Lee. A bateria de Peart já demonstra seu estilo intricado, cheio de viradas e acentos incomuns. A letra é inspirada no romance Anthem, de Ayn Rand, e trata da importância da individualidade e do esforço pessoal, temas recorrentes na obra do Rush. Um começo explosivo para o álbum, mostrando a nova identidade da banda.
Uma das canções que remete mais diretamente ao primeiro álbum da banda, Best I Can tem uma estrutura simples e direta, com um riff acelerado e um solo vibrante de Lifeson. A letra, escrita por Geddy Lee, expressa um desejo de alcançar o máximo na vida, refletindo um espírito otimista e juvenil. Apesar de não ser tão sofisticada quanto as outras faixas, a energia crua e a pegada hard rock fazem dela um destaque.
Beneath, Between & Behind é a primeira colaboração entre Neil Peart e Alex Lifeson na composição. Essa faixa curta e dinâmica combina riffs rápidos e mudanças de tempo que prenunciam o lado progressivo da banda. A letra, cheia de metáforas históricas, reflete sobre o declínio de impérios e a luta pelo progresso. A execução instrumental é afiada, e o solo de Lifeson é um dos mais marcantes do álbum.
Aqui está a primeira incursão do Rush no rock progressivo. Com mais de oito minutos de duração, By-Tor And The Snow Dog é uma peça épica que conta uma história fantástica sobre uma batalha entre duas criaturas míticas. A estrutura da música é complexa, dividida em quatro seções (I. At The Tobes Of Hades, II. Across The Styx, III. Of The Battle e IV. Epilogue), que alternam entre passagens atmosféricas, explosões de guitarra e solos frenéticos. A performance de Neil Peart é um destaque, demonstrando sua criatividade e precisão na bateria.
Fly By Night, a faixa-título, é um dos maiores sucessos do Rush. Uma canção vibrante e melódica com um refrão espetacular. A letra, escrita por Peart, fala sobre deixar o passado para trás e seguir em busca de novas experiências, refletindo sua própria chegada à banda e a sensação de uma nova fase na vida. Musicalmente, é uma das faixas mais acessíveis do álbum, combinando um riff energético com uma melodia vocal memorável. “Why try? I know why, This feeling inside me says it’s time I was gone, Clear head, new life ahead, It’s time I was king, now not just one more pawn, Fly by night, away from here, Change my life again, Fly by night, goodbye my dear, My ship isn’t coming and I just can’t pretend.”
Making Memories tem um groove mais descontraído e um toque folk. A guitarra acústica de Lifeson adiciona uma leveza à composição, e a letra traz uma mensagem otimista sobre aproveitar o caminho da vida. Apesar de ser uma música relativamente simples, ela mostra a versatilidade da banda e adiciona variedade ao álbum.
Uma das músicas mais atípicas do catálogo da banda, Rivendell é uma balada inteiramente acústica, suave e atmosférica. A letra, inspirada em O Senhor dos Anéis, descreve a pacífica terra dos elfos, trazendo uma sensação contemplativa e melancólica. A faixa destaca o lado mais introspectivo da banda.
Encerrando o álbum, In The End começa com uma introdução acústica serena, mas logo se transforma em um hard rock poderoso, com um riff pesado e vocais intensos. A estrutura lembra algumas canções do Led Zeppelin, mas a identidade do Rush já é clara. A progressão da música reflete o amadurecimento da banda, alternando entre a introspecção e a explosão instrumental.
Fly By Night é um marco na carreira do Rush, estabelecendo as bases para sua evolução musical. Com a chegada de Neil Peart, a banda ampliou seu leque de influências, incorporando letras mais elaboradas e arranjos mais sofisticados. O álbum equilibra o hard rock direto com as primeiras incursões no rock progressivo. Do rock’n’roll. Do bom e velho rock’n’roll.
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