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30/01/2023



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Titãs: a voracidade do octeto brasileiro

 Titãs: a voracidade do octeto brasileiro

Com o anúncio da volta dos membros remanescentes para uma série de shows, a banda Titãs é o assunto da coluna desta semana. Resumida a um trio nos dias de hoje, quatro ex-membros se juntarão para uma turnê nacional. Na efervescência do rock brasileiro dos anos 1980, a banda lançou seu terceiro álbum, intitulado Cabeça Dinossauro.

Produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, foi lançado em junho de 1986 com o propósito de criticar ferozmente todo o sistema e as instituições do país. Foi incluído na lista dos 100 melhores discos da música brasileira ficando com a 19ª posição. Tornou-se um divisor de águas na carreira dos Titãs.

 

titãs

 

O álbum inicia com uma bateria tribal e acachapante na faixa homônima, Cabeça Dinossauro. Um hard punk visceral cuja sonoridade não deixa ninguém parado. A guitarra de Bellotto é pesada.

AA UU é um rock nervoso, com gritos de Sérgio Britto. Mais guitarras de Bellotto e Fromer. Solos bem definidos. Uma letra esquisita, mas com muita sonoridade. Você não vai ficar parado ao escutá-la. O baixo de Nando Reis no final é sensacional.

Igreja é estonteante. Sua guitarra é muito heavy. A letra é fortíssima e contestadora. Não discuto religião. “Não! Eu não gosto! Eu não gosto!”.

A mais punk de todas é Polícia, com sua guitarra devastadora, sua bateria destruidora e seus vocais gritados. Mais uma letra de protesto. A mudança do andamento da canção pela bateria é maravilhosa. Sérgio Britto manda bem novamente. O Sepultura chegou a gravá-la no álbum Chaos A. D.

Estado Violência é um funk-core entoado pela voz segura de Paulo Miklos. A melhor letra do álbum. A guitarra é pesada e o baixo é funkeado. Uma das minhas preferidas do disco.

A Face Do Destruidor tem 39 segundos e é um hardcore vociferado por Miklos. A letra é sensacional.

Porrada tem a melhor vocalização do álbum. A voz de Arnaldo Antunes se encaixa muito bem na melodia. Critica tudo. E todos. Mais uma com o peso das guitarras. A bateria é bem sonora. Uma pérola do rock brasileiro.

Tô Cansado é divertida. Tem um teclado inicial bem característico dos anos 1980. A entrada da guitarra distorcida é fantástica. Branco Mello se supera no vocal. “Tô cansado de moralismo. Tô cansado de bacanal”. A sacada da letra é muito boa.

Bichos Escrotos é, sem dúvida, a melhor faixa do álbum. Influências do punk, do ska e do hardcore. Paulo Miklos dá um show no vocal. Guitarras pesadas solando e um baixo bem ritmado. A letra é um marco no rock nacional. “Porque aqui na face da Terra, só bicho escroto é que vai ter!” Sensacional.

Família é um reggae que espezinha a família de qualquer um. E nós gostamos. A levada é bem roots e se encaixa muito bem na voz de Nando Reis. O coro é muito bom.

Homem Primata é um hard rock típico oitentista. Sérgio Britto canta mais baixo e sobressai a guitarra de Bellotto. A bateria volta a ser tribal e arrasadora. “I am a jungle man, a monkey man. Concrete jungle! Concrete jungle!”.

Dívidas é mais lenta e cadenciada. Tem uma letra interessante sobre cobranças. Branco Mello se humilha cantando. O teclado é bem evidente.

O Que é pura eletrônica, com teclados, drumulator e efeitos. A letra concretista e a voz de Arnaldo Antunes são espetaculares. Anos 1980 mesmo.

Muitos copiaram e imitaram os Titãs nos anos 80 e 90, após esse álbum. Um álbum perfeito, com sua capa e contracapa contendo desenhos de Leonardo Da Vinci. Um álbum do rock brasileiro. Do bom e velho rock’n’roll.

 

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