A proposta de instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os escândalos envolvendo o Banco Master reacende uma preocupação recorrente: a instrumentalização dessas comissões por políticos mais interessados em autopromoção do que em justiça. A experiência recente da CPI do INSS serve como um alerta contundente sobre os riscos de transformar investigações sérias em palcos de vaidade.
Criada para apurar fraudes bilionárias que lesaram aposentados e pensionistas, a CPI do Inss já se arrasta há um ano sem mostrar a que veio. Apesar da gravidade dos fatos, da Polícia Federal ter escancarado um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, envolvendo entidades de fachada e servidores públicos que levaram a uma roubalheira de cerca de R$ 6,8 bilhões, os resultados concretos da comissão foram limitados. Prisões ocorreram, mas muitos dos principais envolvidos continuam sem prestar esclarecimentos, amparados por habeas corpus ou protegidos por manobras políticas que impedem suas convocações.
Esse cenário evidencia um modus operandi preocupante: parlamentares que utilizam as CPIs como trampolins para ganhar visibilidade nas redes sociais, promovendo discursos inflamados e encenações teatrais, mas que pouco contribuem para a efetiva responsabilização dos culpados. Enquanto isso, a sociedade assiste, frustrada, a mais um espetáculo de impunidade.
Diante disso, é legítimo questionar a eficácia de uma nova CPI. Se a comissão destinada a investigar o INSS, com todas as evidências e clamor público, não conseguiu – ou não quis – alcançar resultados significativos, o que esperar de uma investigação sobre o Banco Master? Há o risco de repetir os mesmos erros: processos prolongados, disputas políticas e, ao final, a frustração da sociedade.
É fundamental que o Congresso reflita sobre a real capacidade de uma CPI produzir mudanças efetivas. Caso contrário, uma vez mais os políticos estarão apenas alimentando a descrença nas instituições e desperdiçando recursos que poderiam ser direcionados a ações mais concretas de combate à corrupção.
Se é para repetir o fracasso da CPI do INSS, é melhor não começar outra. A sociedade brasileira merece mais do que investigações que terminam em pizza e holofotes para políticos gulosos por holofotes.



