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O liquidante do Banco Master nos EUA, a EFB Regimes Especiais de Empresas, afirmou que Daniel Vorcaro e sua rede transferiram mais de US$ 1 bilhão de recursos da empresa por meio de fundos e outras estruturas financeiras, inclusive para o exterior. Os fundos ficam em paraísos fiscais, como as ilhas Cayman, Bahamas e em Dellaware, nos EUA, onde não há obrigação de identificar o dono dos recursos. Os dados foram apresentados pelo liquidante à Corte de Falências do Sul da Flórida, onde corre o processo de rastreio e retomada dos ativos.
A defesa de Vorcaro entrou simultaneamente na mesma corte com uma ordem de proteção para impedir as investigações do liquidante, descritas pelos advogados como tentativa de assédio e invasão da privacidade financeira do ex-banqueiro, sem ligação comprovada com os assuntos da massa falida.
Em contraponto, o liquidante apresentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo a qual Vorcaro possui um “extenso patrimônio no exterior”, inclusive em paraísos fiscais, e que existe um risco real de dissipação desses ativos ou evasão utilizando jatos privados.
O liquidante busca, por meio de intimações judiciais nos EUA, rastrear e recuperar esses ativos desviados para a massa falida do banco.
Parte considerável dos recursos desviados foi convertida em propriedades de alto valor nos Estados Unidos. Entre os imóveis, estão uma mansão em Windermere, na Flórida, comprada por US$ 32 milhões pela Sozo Real Estate Inc. Também duas propriedades em Bay Point, em Miami, adquiridas pela Goldbeach Properties LLC por mais de US$ 92 milhões no total. Há ainda condomínios de luxo em Sunny Isles Beach comprados por US$ 27 milhões.
Os fundos desviados também foram usados para a aquisição de obras de arte valiosas, como um Picasso de US$ 6,4 milhões e dois Basquiat, um de US$ 5 milhões e outro de US$ 4,5 milhões.
As negociações do quadro de Picasso
O quadro de Pablo Picasso mencionado nos documentos é um de 1967 da série Mousquetaire. É um óleo sobre tela, medindo aproximadamente 116 x 89 cm, assinado pelo artista no canto inferior direito e datado no verso. O quadro foi adquirido por Vorcaro em 2019 por intermédio da designer de interiores Luciana Junqueira.
A obra foi comprada por US$ 6,4 milhões da galeria Van de Weghe, Ltd. O pagamento foi realizado de forma conjunta pela Kodiak Trust Company (um provedor de serviços do Alasca) e pela Old Fort Financial Ltd. (uma empresa das Bahamas), atuando como coproprietários.
Em setembro de 2025, a galeria Van de Weghe forneceu uma avaliação de mercado estimada para a obra de US$ 7,8 milhões. Em outubro de 2025, pouco antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, Vorcaro teria buscado vender a obra por meio de um negociante no Brasil por cerca de US$ 8 milhões.


