O Dia dos Namorados chegou. Mas, olhando para a política paranaense, talvez a melhor metáfora não seja a dos casais que já se encontraram, e sim a daqueles que ainda circulam pelo salão tentando descobrir com quem vale a pena dançar.
A nova Paraná Pesquisas, divulgada nesta semana após ouvir 1.500 eleitores em 56 municípios entre os dias 7 e 9 de junho, mostra exatamente isso: há favoritos, há candidaturas em crescimento, há alianças sendo negociadas e há, sobretudo, um eleitorado que continua longe de tomar sua decisão final.
O governador Ratinho Junior passou meses adiando sua escolha. Primeiro observou Guto Silva, depois avaliou outros caminhos e, por fim, decidiu apostar em Sandro Alex. A decisão encerrou uma fase de especulações, mas abriu outra bem mais difícil: transformar um nome conhecido dentro do governo em um candidato conhecido pelo eleitor.
Sandro Alex foi o único candidato que cresceu entre maio e junho. Ultrapassou a barreira dos dois dígitos e alcançou 10,7% das intenções de voto. Em política, especialmente no início de uma disputa majoritária, os dois dígitos carregam um simbolismo próprio. Não representam vitória nem garantem competitividade automática, mas costumam marcar a passagem entre uma candidatura que apenas existe e uma candidatura que começa a construir trajetória. Pela primeira vez, o grupo de Ratinho pode dizer que seu candidato apresenta uma curva ascendente.
Do outro lado está Sergio Moro. Com 42,3%, ele continua ocupando a posição de favorito, numa liderança clara que seria imprudente subestimar. Mas os números revelam uma curiosidade: a percepção de que Moro vencerá a eleição é maior do que sua própria intenção de voto. Há eleitores que não pretendem votar nele, mas acreditam que ele será o próximo governador. Isso é sinal de favoritismo consolidado, não necessariamente de uma eleição encerrada.
Talvez o personagem mais importante da pesquisa, porém, não seja nenhum dos candidatos. Na espontânea, 66% dos entrevistados não souberam dizer em quem pretendem votar. O dado sugere que a eleição ainda não entrou na vida da maioria dos paranaenses. Enquanto partidos, lideranças e analistas discutem cenários diariamente, dois terços do eleitorado continuam observando a pista antes de escolher um par.
Requião Filho aparece em segundo lugar e demonstra um eleitorado consolidado. Mas lidera também os índices de rejeição, o que é sinal de alerta para qualquer projeto majoritário. Consolidar apoio dentro do próprio campo é importante. Construir passagem para além dele costuma ser decisivo.
Rafael Greca ocupa uma posição diferente. Seus números talvez digam menos sobre suas chances individuais e mais sobre seu valor político. Com capital eleitoral próprio e boa interlocução em diferentes segmentos, ele é um ativo relevante para qualquer composição que venha a surgir até as convenções. Em política, há candidatos que valem pelos votos que têm. Outros valem pelos votos que podem ajudar a reunir.
No Senado, Álvaro Dias continua demonstrando uma característica que o acompanha há décadas: a capacidade de dialogar com públicos muito diferentes. Sua liderança permanece sólida. Atrás dele, porém, a disputa segue completamente aberta. Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann disputam espaço num segundo bloco que ainda busca consolidar posição.
As convenções acontecem até agosto. Até lá, alianças podem mudar, candidaturas podem crescer e pesquisas podem contar histórias diferentes. O que a fotografia desta semana mostra é que o Paraná ainda está longe de um casamento marcado. Há favoritos, há pretendentes competitivos e há milhões de eleitores que sequer decidiram com quem querem dançar.
A vida raramente segue o roteiro que a política tenta ensinar. Arranjos calculados têm prazo de validade. O que dura é outra coisa: aquela certeza tranquila que não depende de pesquisa, não precisa de convenção e não exige negociação permanente.
Tenho a sorte real, não a dos discursos, de compartilhar a vida com alguém que me lembra isso todos os dias. Com Juliana, aprendi que amor verdadeiro não flerta. Ele chega, fica e não negocia saída.
Este texto é dela.
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