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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (19), estar “profundamente preocupado com a velocidade e a dimensão” do surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. O número de mortes no Congo já ultrapassou 130.
Segundo Tedros, exames laboratoriais confirmaram a ligação de 30 casos ao vírus na província de Ituri, no nordeste congolês, onde o surto foi identificado pela primeira vez. O diretor da OMS fez o alerta durante discurso na Assembleia Mundial da Saúde.
Ele destacou que a morte de profissionais de saúde, a grande circulação de pessoas na região e a falta de vacinas ou tratamentos específicos para a variante Bundibugyo do vírus ebola, responsável pelo atual surto, aumentam o risco de disseminação e de novos óbitos.
As declarações ocorreram pouco depois de o ministro da Saúde congolês, Samuel-Roger Kamba, informar em coletiva de imprensa que o país já registra 131 mortes suspeitas e 513 casos suspeitos relacionados à doença.
Os números representam uma alta significativa em relação aos dados divulgados na segunda-feira, 18, pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que apontavam 88 mortes suspeitas, 336 casos e 11 confirmações laboratoriais no Congo. Em Uganda, dois casos também já foram confirmados, segundo o órgão.
No domingo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou no que o surto de doença pelo vírus ebola no Congo e em Uganda é uma emergência de saúde pública de importância internacional.
A declaração de emergência tem como objetivo estimular agências doadoras e países a agir. No entanto, a resposta global a declarações anteriores foi mista.
Em 2024, quando a OMS declarou os surtos de mpox no Congo e em outras partes da África uma emergência global, especialistas disseram na época que isso pouco ajudou a levar rapidamente suprimentos como testes diagnósticos, medicamentos e vacinas aos países afetados.
Início em comunidade remota
Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças afirmaram que os primeiros casos foram relatados na zona de saúde de Mongwalu, uma área de mineração com grande circulação no leste da província de Ituri, no Congo. Posteriormente, os casos migraram para as zonas de saúde de Rwampara e Bunia à medida que pacientes buscavam atendimento médico, “permitindo a disseminação por três zonas de saúde”.
Como o ebola é transmitido
O vírus ebola é altamente contagioso e pode ser transmitido a humanos a partir de animais selvagens. Em seguida, espalha-se entre pessoas por meio do contato com fluidos corporais como vômito, sangue ou sêmen, e com superfícies e materiais, como roupas de cama e vestimentas, contaminados com esses fluidos.
A doença que ele causa é rara, mas grave e frequentemente fatal. Os sintomas incluem febre, vômitos, diarreia, dores musculares e, às vezes, sangramentos internos e externos.
O vírus foi descoberto pela primeira vez em 1976, perto do rio Ebola, no que hoje é o Congo. Os primeiros surtos ocorreram em vilarejos remotos da África Central, próximos a florestas tropicais.



