Por Bárbara Martinski
Durante a reta final da maratona realizada na inauguração da Ponte de Guaratuba, no litoral do Paraná, o personal trainer e triatleta Stanley Matias interrompeu a própria performance para auxiliar um corredor em estado de exaustão extrema. O episódio ocorreu nos últimos 500 metros da corrida, sob chuva e alta umidade, quando ele passou a acompanhar o outro participante até a linha de chegada.
Stanley participava da prova como parte de sua preparação para o Ironman Brasil, quando percebeu o quadro do outro corredor e ofereceu apoio a ele e outra participante que prestava ajuda.
“Você não pensa, você só faz. Eu ajudaria qualquer pessoa. Percebi que ele estava muito mal e precisava de ajuda”, afirmou Stanley em entrevista para o HOJEPR. Confira:
A assistência entre atletas é permitida pelas regras da prova, ao contrário do apoio externo, que pode gerar desclassificação. Segundo Stanley, o corredor apresentava sintomas posteriormente associados à hipertermia severa, condição provocada pela falha do organismo em regular a temperatura corporal sob esforço intenso e alta umidade.
Hipertermia e risco em provas de resistência
Stanley explica que, em casos mais graves, o atleta pode perder a noção de tempo, espaço e coordenação motora. “Alguns dos nossos sistemas acabam desligando. O corpo não consegue fazer essa troca de calor e a gente acaba ficando com tontura, não conseguimos caminhar”.
Formado em Educação Física, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e acompanhando atletas há pelo menos 10 anos, o personal reforça que condições climáticas como calor e umidade exigem mais do que hidratação básica, envolvendo reposição de eletrólitos e estratégias de resfriamento durante o percurso.
Influenciadores, suplementos e o “básico bem feito”

Ao comentar o cenário atual do esporte nas redes sociais, Stanley faz uma crítica à forma como o conteúdo esportivo vem sendo divulgado por influenciadores digitais. Para ele, há uma tendência de supervalorização de suplementos e soluções rápidas em detrimento de fundamentos básicos de saúde e alimentação.
“Há 20 ou 30 anos, atletas de alta performance consumiam produtos básicos do nosso dia a dia, como uma banana, por exemplo. Às vezes a gente tem muita informação de influencers que não sabem diferenciar o ‘para quem’ e o ‘porquê’ para cada pessoa. O ideal, na parte inicial, é fazer o simples, o mais básico possível. Ter uma alimentação regrada ou uma alimentação básica de uma pessoa com saúde, que queira uma qualidade de vida”, afirmou Stanley.
Segundo ele, o início da prática esportiva deveria priorizar orientação profissional e consistência, não a busca imediata por recursos avançados.
Esporte e saúde mental na rotina dos alunos
Além da performance, Stanley destaca que a corrida e o triatlo têm assumido um papel importante na saúde mental dos praticantes. Em sua assessoria esportiva, a Team Stan, ele atende perfis diversos, de iniciantes a atletas experientes, e idosos que buscam qualidade de vida.
“Tenho alunos e alunas de várias idades. Muitas fazem atividade como forma de ficar mais tranquilas, de ser o momento delas. Para que consigam sair dessa bagunça que é a nossa vida de redes sociais, de mídias, do trânsito, da cidade. Às vezes escolhe um parque calmo, tranquilo, para que consiga se acalmar e voltar para o trabalho mais atenta, tranquila e relaxada. Então, a saúde mental é muito importante. Tem gente que inicia no esporte justamente para que consiga simplesmente ser feliz”, salienta Stanley.
A importância do ponto de partida

Ao ser questionado sobre o principal conselho para quem deseja iniciar na atividade física, Stanley é direto: o ponto de partida é mais importante do que a intensidade.
“O maior conselho é começar. Se a pessoa não começa, não chega a lugar nenhum”, afirmou.
Ele reforça ainda a importância de avaliação médica e acompanhamento profissional antes de qualquer prática esportiva regular, especialmente em atividades de maior intensidade.
Foto: Reprodução redes sociais @stanleymatiastri



