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‘Eu não tinha ideia de quais crimes Epstein estava cometendo’, diz Bill Clinton em depoimento

27/02/2026
clinton e epstein

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, afirmou nesta sexta-feira (27), que desconhecia os crimes de Jeffrey Epstein e que havia deixado de se associar ao criminoso sexual condenado antes que os crimes viessem à tona.

“Eu não tinha ideia de quais crimes Epstein estava cometendo”, disse Clinton em sua declaração inicial perante uma comissão do Congresso que investiga o falecido financista. “Mesmo com a perspectiva do tempo, nunca vi nada que me fizesse duvidar”, acrescentou.

Na quinta (26), a mesma comissão interrogou a ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, sobre suas ligações com Epstein. No depoimento, ela pediu que Donald Trump testemunhasse sobre as próprias conexões do presidente com o criminoso sexual condenado.

Ela disse ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes que não tem informações sobre os crimes de Epstein, não lembra de tê-lo encontrado e nunca visitou sua ilha ou voou em seu avião, acusando a comissão de tentar “proteger um funcionário público”: Trump.

Clinton desafiou o comitê, dizendo: “Se este comitê está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico de Epstein… deveria perguntar a (Trump) diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de milhares de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein.”

O principal democrata do comitê, Robert Garcia, também pediu que Trump testemunhasse “para responder às perguntas que estão sendo feitas por sobreviventes em todo o país.”

O Comitê de Supervisão, liderado pelos republicanos, está investigando aqueles que tinham ligações com Epstein. O financista morreu em uma cela de prisão em Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento.

O casal Clinton inicialmente rejeitou as intimações para depor na investigação do comitê, mas os dois concordaram em testemunhar depois que os republicanos da Câmara ameaçaram considerá-los em desacato ao Congresso.

Os democratas afirmam que a investigação está sendo usada como arma para atacar oponentes políticos de Trump, em vez de realizar uma fiscalização legítima.

Trump e Bill Clinton, ambos com 79 anos, figuram com destaque no conjunto de documentos governamentais recentemente divulgados relacionados a Epstein, mas afirmaram ter rompido qualquer vínculo com o financista antes de sua condenação por crime sexual na Flórida, em 2008. A mera menção nos arquivos não comprova a prática de um crime.

Portas fechadas

Os Clinton pediram que seus depoimentos fossem públicos, mas o comitê insistiu em interrogá-los a portas fechadas, uma medida que Bill Clinton denunciou como semelhante a um “tribunal de fachada”.

Bill Clinton admitiu ter voado no avião de Epstein diversas vezes no início dos anos 2000 para trabalhos humanitários relacionados à Fundação Clinton, mas afirmou nunca ter visitado a ilha particular de Epstein no Caribe.

Os depoimentos estão sendo realizados em Chappaqua, Nova York, onde os Clinton residem. Dezenas de jornalistas convergiram para a rica cidadezinha. O Serviço Secreto ergueu barricadas de metal ao redor do centro cultural onde o depoimento está acontecendo.

Tráfico sexual

Ghislaine Maxwell, de 64 anos, ex-namorada de Epstein, cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico sexual. Ela compareceu por videoconferência perante o Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes no início deste mês, mas se recusou a responder às perguntas, invocando seu direito à Quinta Emenda de não se incriminar.

Seu advogado, David Markus, disse que Maxwell estaria preparada para falar publicamente caso recebesse clemência de Trump.

Epstein cultivou uma rede de poderosos executivos, políticos, celebridades e acadêmicos. A divulgação dos arquivos do caso Epstein teve repercussões em todo o mundo, incluindo as prisões, no Reino Unido, do ex-príncipe Andrew e de Peter Mandelson, ex-embaixador nos Estados Unidos.

Diversos americanos proeminentes tiveram suas reputações prejudicadas por suas amizades com Epstein e renunciaram a seus cargos, mas até agora Maxwell é a única pessoa condenada por um crime relacionado ao falecido financista.

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