Com a proximidade do início do ano letivo, muitas famílias avaliam se vale a pena aproveitar os descontos oferecidos por escolas particulares para pagamento antecipado das mensalidades. A prática é comum e pode incluir descontos para quem paga um semestre ou todo o ano de uma única vez.
As escolas adotam esse modelo para garantir previsibilidade de caixa e reduzir a inadimplência. Os descontos costumam variar entre 5% e 15%, dependendo da instituição e do prazo de antecipação, e geralmente são apresentados no período de matrícula ou rematrícula.
A oferta, no entanto, levanta uma dúvida frequente no planejamento financeiro: é melhor usar o dinheiro investido para pagar a escola com desconto ou manter os recursos aplicados e pagar as mensalidades mês a mês?
Segundo Renato Sarreta, sócio e líder regional da XP no Sul, a decisão deve ser baseada em uma comparação direta entre o desconto oferecido e o rendimento dos investimentos. “Quando falamos em sacar recursos aplicados, é essencial entender quanto esse dinheiro está rendendo hoje. Se o investimento oferecer um retorno líquido inferior ao desconto dado pela escola, antecipar o pagamento passa a ser uma alternativa financeiramente interessante”, afirma.
Por outro lado, se os investimentos tiverem rendimento superior ao desconto, manter o capital aplicado tende a trazer maior retorno ao longo do tempo, especialmente quando considerados os juros compostos.
Sarreta alerta ainda que nem todo tipo de investimento é indicado para resgate nesse tipo de situação. Recursos destinados ao longo prazo, como ações, fundos multimercados ou previdência, não devem ser interrompidos para cobrir despesas previsíveis, como a mensalidade escolar.
Para ele, a avaliação deve considerar o tipo de aplicação, a liquidez e os objetivos financeiros da família. “Manter o dinheiro bem investido, respeitando o perfil e os objetivos financeiros, costuma ser mais vantajoso do que tomar decisões pontuais que prejudiquem a estratégia de investimento”, explica.
O especialista também recomenda buscar orientação profissional antes de tomar a decisão. “Cada família tem uma realidade diferente, com investimentos, prazos e objetivos específicos. Um assessor de investimentos consegue analisar o portfólio como um todo e indicar se faz sentido resgatar algum ativo ou manter a estratégia atual”, conclui.
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