![]()
O Irã suspendeu as negociações com os Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio, afirmou a agência de notícias iraniana Tasnim nesta segunda-feira (1). A decisão, segundo a agência, foi tomada devido aos “crimes” que Israel “continua cometendo” no Líbano e às violações “em todas as frentes” do cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos alcançado em 8 de abril.
“A equipe negociadora iraniana suspende, portanto, o diálogo e a troca de textos através dos mediadores”, indicou o meio de comunicação.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma reunião de emergência para discutir a ampliação da ofensiva israelense.
A decisão do Irã ocorreu poucas horas depois de uma nova troca de ataques com forças dos Estados Unidos, apesar de um cessar-fogo que já durava várias semanas. Apesar de semanas de negociações indiretas, marcadas por ameaças mútuas e diversas ondas de ataques aéreos, não houve um acordo para encerrar a guerra nem para reabrir o Estreito de Ormuz, principal rota marítima para o transporte de petróleo e gás do Golfo Pérsico.
A mais recente troca de ataques coincidiu com a expansão da ofensiva israelense no Líbano. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, prometeu avançar ainda mais no território libanês e ordenou que as Forças Armadas atacassem “alvos terroristas” em um distrito ao sul de Beirute.
O porta-voz de língua árabe do Exército israelense publicou no X que os moradores de Dahiyeh deveriam deixar a região “para preservar sua segurança”.
Os Estados Unidos apoiaram as operações de seu aliado contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, ao mesmo tempo em que tentam chegar a um acordo com Teerã para encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro com ataques à capital iraniana e para reabrir o Estreito de Ormuz, além de impor restrições ao programa nuclear iraniano.
O Irã, porém, reiterou nesta segunda-feira que ainda não retomou negociações nucleares e insistiu que Israel precisa interromper sua ofensiva no Líbano antes que qualquer acordo mais amplo para encerrar o conflito possa ser alcançado.
“O bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e a escalada no Líbano são provas claras do descumprimento do cessar-fogo pelos Estados Unidos”, escreveu no X o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A agência Tasnim informou que “a equipe negociadora iraniana está suspendendo os diálogos e a troca de textos por meio de mediadores”, responsabilizando as ações israelenses no Líbano.
Segundo a agência, qualquer retomada das conversas dependerá do fim das operações militares israelenses em Gaza e no Líbano, bem como da “retirada completa das áreas ocupadas pelos sionistas no Líbano”.
A reportagem acrescenta que o Irã continuará bloqueando o Estreito de Ormuz e “ativará outras frentes, incluindo o Estreito de Bab al-Mandab”, na entrada do Mar Vermelho.
‘Condições essenciais’
“Sabemos quando é necessário agir em questões nucleares”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva semanal.
“Não houve negociações sobre os detalhes do dossiê nuclear. Neste momento, nossa prioridade é encerrar a guerra”, disse. “Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a pôr fim à guerra”, afirmou Baqaei, acrescentando que “os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã”.
Os militares norte-americanos afirmaram ter realizado ataques “em legítima defesa” contra radares e centros de controle de drones iranianos durante o fim de semana — a terceira operação desse tipo em pouco mais de uma semana — após a derrubada de um drone MQ-1 dos EUA.
Pouco depois, a Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica informou à imprensa estatal que atacou uma base aérea utilizada pelos militares norte-americanos, de onde teria partido a ofensiva.
Embora os Guardas não tenham identificado o país que abriga a instalação, as Forças Armadas do Kuwait afirmaram que suas defesas aéreas interceptaram “ataques hostis com mísseis e drones”.
Pontos de impasse
O Irã já negociava com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear em fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques aéreos e com mísseis que eliminaram grande parte da liderança da república islâmica e mergulharam o Oriente Médio em guerra.
Embora Teerã sustente há anos que seu programa nuclear tem fins exclusivamente civis, os Estados Unidos e seus aliados ocidentais suspeitam que o objetivo seja desenvolver uma arma atômica.
Na noite de domingo, 31, o presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu nas redes sociais que o acordo em discussão “afirma de forma muito clara que o Irã não terá uma arma nuclear”.
O Irã afirma precisar da liberação de US$ 12 bilhões em ativos congelados antes de iniciar negociações substanciais sobre seu programa nuclear e rejeitou comentários anteriores de Trump segundo os quais seu estoque de urânio enriquecido seria destruído.
Frente libanesa
Uma trégua entre Israel e o Hezbollah entrou oficialmente em vigor em 17 de abril, mas nunca foi plenamente respeitada, com ambos os lados acusando o outro de violá-la.
Israel mantém uma ofensiva terrestre no sul do Líbano e chegou a hastear sua bandeira sobre a fortaleza de Castelo de Beaufort, usada como base durante a ocupação israelense do país nas décadas de 1980 e 1990.
Netanyahu classificou a retomada da fortaleza de Beaufort como “uma mudança dramática” e prometeu continuar o combate ao Hezbollah, ampliando ataques e incursões cada vez mais profundas em território libanês.



