ANO IV

10/06/2026

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Missão na Ásia superou expectativas e deve abrir mercado aos produtos paranaenses

20/03/2023
missão

A missão internacional paranaense ao Japão e à Coreia do Sul, liderada pelo governador Ratinho Junior, encerrou na última semana após uma série de encontros bilaterais para negociar a abertura do mercado da carne paranaense e também com a busca de parcerias para fortalecer a educação, projetos de sustentabilidade e a atração de novos negócios ao Estado.

 

A comitiva, formada também por secretários de Estado, empresários e representantes de entidades paranaenses, iniciou a viagem no dia 4 de março. No período que permaneceram na Ásia, eles cumpriram uma extensa agenda, que incluiu encontros com o vice-ministro da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, Atsushi Nonaka; com a diretoria da Kotra, agência de promoção de negócios e atração de investimentos da Coreia do Sul; com a agência que trata das questões sanitárias de alimentos na Coreia do Sul, além de promover rodadas de negócios com diversas empresas e startups dos dois países.

 

Além disso, o Governo do Estado também atuou na atração de novos investimentos para o Paraná, o que já foi consolidado com o anúncio da empresa japonesa Sumitomo Rubber, que vai investir R$ 1,06 bilhão para ampliar sua fábrica de pneus em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. A previsão é gerar cerca de mil empregos diretos e indiretos.

 

“Foi uma missão bastante profícua, que colocou o Paraná no radar dos mercados japonês e coreano para ampliação da venda dos nossos produtos, principalmente da carne suína e bovina”, afirmou Ratinho Junior. “Somos o maior produtor de proteína animal do Brasil, e com o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica, temos a oportunidade de acessar esse mercado que remunera melhor e é exigente com relação à qualidade sanitária dos produtos, que é que o temos no Estado”.

 

O governador também destacou a oportunidade de conhecer experiências bem sucedidas nos dois países em áreas como sustentabilidade e educação, que deverão ser replicadas no Paraná. “No Japão, visitamos as Michi-no-Ekis, que são estações nas rodovias para comercializar produtos locais. O projeto deverá ser implantado no Paraná graças a uma parceria entre a Invest Paraná e o governo de Hyogo, que é estado-irmão do Paraná”, explicou. “Também fomos conhecer tecnologias utilizadas na educação da Coreia do Sul, que é considerada uma das melhores do mundo, para que também possamos trazer ao Estado”.

 

Para o secretário da Indústria e Comércio, Ricardo Barros, a missão paranaense trouxe excelentes resultados para o Estado. “O governador Ratinho Junior foi muito efetivo em bater o martelo para diversas demandas dos empresários paranaenses. E ainda vamos colher muitos frutos dessa missão à Ásia, de negociações que iniciamos lá e que estamos dando continuidade agora daqui”, ressaltou.

 

O secretário de Planejamento, Guto Silva, salientou que o objetivo central da missão era a abertura de mercado para a carne suína do Paraná, “em função do avanço que tivemos com a área livre de febre aftosa sem vacinação. E esse é o nosso papel. Articular e pressionar para que o produto paranaense possa ter ingresso nesses mercados extremamente competitivos, dando mais oportunidades para os nossos produtores”.

 

A missão manteve conversas em outras áreas, além da carne suína. “Tivemos importantes reuniões com as agências de fomento do Japão e da Coréia do Sul. Pudemos apresentar a eles nossos projetos estratégicos para o Paraná, como a Nova Ferroeste, e conhecemos algumas iniciativas tecnológicas que eles adotaram com sucesso em outras áreas, como a Educação”, citou Guto Silva.

 

Na avaliação do secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, a missão governamental e empresarial ao Japão e Coréia do Sul atingiu seus objetivos. “Primeiro porque nós fizemos dois contatos muito importantes com os órgãos governamentais tanto do Japão quanto da Coréia para viabilizar o ingresso de carne suína e bovina naqueles dois importantes mercados. Todos sabem que esses países votaram a favor do paraná em 27 de maio de 2021, quando a Organização Mundial de Saúde Animal concedeu o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação e o nosso isolamento para fins de peça suína clássica, enfermidade que já somos livres desde 1994”.

 

Ortigara lembrou que o processo de negociação é lento e a Ásia é um mercado muito importante. “Além de pagar melhor, eles primam pela alta qualidade e só negociam quando tem a plena certeza de que a produção, seja a paranaense ou de qualquer outra origem, não comprometem os sistemas de produção internos. Os relatórios e formulários que são trocados entre o governo brasileiro e o governo daqueles países está em evolução, buscando mais  informações, e encontramos muita sensibilidade para a abertura dessa nova frente da produção de proteínas animais do Paraná”, disse o secretário.

 

“Existem dezenas de empresas de lá interessadas em originar compras aqui no Paraná, especialmente carne bovina e suína. Eles já são grandes compradores de carne de frango do Paraná e tem um respeito muito grande pela nossa capacidade de produzir alta qualidade e preços bons”, completou Ortigara.

 

O presidente da Invest Paraná, Eduardo Bekin, também citou a abertura do mercado paranaense de suínos. “Sensibilizamos as autoridades japonesas e coreanas para nossa produção de suínos. Voltamos com o compromisso de que, nos próximos dias, uma delegação de técnicos e inspetores coreanos virá ao Paraná analisar as plantas e a qualidade dos nossos produtos para”.

 

Bekin salientou a importância do investimento da Sumitomo no Paraná. “É importante dizer que não temos uma promessa. Nós voltamos da Ásia com um protocolo assinado com a Sumitomo que garante o investimento de R$ 1 bilhão na planta da Dunlop”, disse ele.

 

O presidente da Invest Paraná não esconde a satisfação com os resultados da missão. “Foi extremamente importante. Com a liderança do governador Ratinho Junior, conseguimos aresentar aos asiáticos o potencial de negócios do Paraná. Mostramos as vantagens do nosso hub de inovação e do nosso hub de turismo, por exemplo. E posso adiantar que brevemente, em alguns meses, teremos mais novidades. Alinhavamos a vinda de duas novas empresas para o Estado. Não vamos demorar para anunciar quais são”, garantiu Bekin.

 

O deputado Marcel Micheletto também participou da missão e destacou a importância da relação institucional que o governador Ratinho Junior criou com os dois países asiáticos. “A viagem foi importante para o Paraná abrir mais mercados. Estivemos, por exemplo, na Foodex, uma feira grandiosa de alimentos e bebidas. A Frimesa, empresa genuinamente paranaense e maior frigorífico de suínos da América Latina, teve oportunidade de mostrar os seus produtos. Agora que somos livres de febre aftosa sem vacinação, o mercado do Japão e da Coréia do Sul, e tantos outros, que não compravam proteína animal do paraná agora estão liberados a comprar. Essa foi a intenção do governador ao liderar essa missão. Mostrar o potencial que o Paraná tem na produção de carne suína”, disse ele. “Essa relação institucional liderada pelo governador foi muito importante. Estreitamos os laços com o Japão e a Coréia do Sul e agora eles vão montar a missão deles para vir até o Paraná conhecer a planta que a Frimesa tem em Assis Chateaubriand e, assim, começar a comprar os nossos produtos”, completou.

 

Micheletto chamou atenção, ainda, para o investimento bilionário que a gigante Sumitomo vai fazer no Paraná. “Com a missão pudemos construir oportunidades com as empresas de lá, como a Sumitomo, proprietária da Dunlop, que está fazendo um investimento de R$ 1 bilhão no Paraná e aumentando sua planta de pneus no Estado”.

 

 

Abertura de mercado

Na busca de novos mercados para a carne paranaense, a primeira agenda da comitiva foi com o vice-ministro da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, Atsushi Nonaka, no dia 7 de março. No encontro, Ratinho Junior formalizou um convite aos representantes do governo japonês para que visitem o Paraná e conheçam fábricas e frigoríficos instalados no Estado. O objetivo é dar mais agilidade ao processo de habilitação dos frigoríficos paranaenses junto ao país asiático.

 

O Japão já é um dos maiores mercados importadores da produção estadual de frango, e tem potencial em comprar outras proteínas animais produzidas no Paraná. Em 2022, as exportações do Estado para o país totalizaram US$ 545,3 milhões, sendo que mais metade dessa fatia vem da venda da carne de frango, que respondeu por US$ 274,5 milhões no ano passado.

 

A comitiva também visitou no mesmo dia a Foodex, a maior feira de alimentos e bebidas da Ásia, uma oportunidade de expandir os negócios da indústria alimentícia. Quatro empresas paranaenses estavam expondo no espaço destinado ao Brasil, que contava com a participação de 16 empresas brasileiras.

 

A missão também incluiu encontros com empresas japonesas, como a Sumitomo, Mitsui e Marubeni, grandes fornecedoras de alimentos no mercado asiático. Ratinho Junior apresentou o trabalho das cooperativas paranaenses e destacou as potencialidades do Estado na produção de carnes suína e bovina e na industrialização de alimentos.

 

Na Coreia do Sul, a pauta foi apresentada à Animal and Plant Quarantine Agency (APQA), a agência sanitária que analisa produtos de origem animal e vegetal. A convite do governador, inspetores da agência devem vir ao Paraná nos próximos meses para visitar frigoríficos e abatedouros de suínos como parte do processo de chancela do Estado para exportação ao país asiático. O Brasil já possui tratativas em nível nacional para habilitar a venda de carne suína ao mercado sul-coreano, mas o objetivo da missão paranaense é acelerar esse processo.

 

Promoção de negócios

Através da Invest Paraná, agência de promoção e atração de investimentos à Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Serviços (Seic), o Governo do Estado se reuniu com investidores e promoveu rodadas de negócios com empresas e startups dos dois países em diferentes áreas, o que culminou no investimento da Sumitomo.

 

Destaque principalmente para a Coreia do Sul, onde a Invest formalizou a instalação de um escritório para a captação de novos investimentos. O país será o sexto a ter uma representação comercial paranaense no Exterior. O escritório, localizado na capital Seul, será comandado pelo executivo Eduardo Komatsu, paranaense de Foz do Iguaçu que mora há dez anos em Seul e tem larga experiência no mercado asiático.

 

A comitiva também esteve na sede da Kotra, a agência de comércio internacional e investimentos da Coreia do Sul, vinculada ao Ministério do Comércio, Indústria e Energia do país asiático. No órgão, sediado em Seul, os representantes do Governo do Estado e empresários participaram de uma série de reuniões, nas quais trataram de possíveis acordos de exportação e novos investimentos de empresas e startups no Paraná.

 

Eles também se reuniram com a diretoria do grupo Green Cross, uma das principais corporações farmacêuticas coreanas, que pretende instalar no Brasil uma planta de fabricação de testes diagnósticos e medicamentos genéricos, para atender o mercado da América do Sul. Com importantes polos farmacêuticos, o Paraná demonstrou interesse em ser o hub da Green Cross no País.

 

Educação e sustentabilidade

A missão internacional também buscou novas parcerias para o Paraná. Em agenda com o governador da província japonesa de Hyogo, Motohito Saitô, Ratinho Junior apresentou o programa Ganhando o Mundo, que promove o intercâmbio de estudantes da rede estadual a países estrangeiros, e as Agências Regionais para o Desenvolvimento Sustentável e Inovação (Ageuni), iniciativa das universidades estaduais paranaenses para promover o desenvolvimento regional.

 

Paraná e Hyogo têm há mais de 50 anos um acordo de irmandade, que se estende também a algumas cidades – Curitiba e Himeji, Londrina e Nishinomiya, Maringá e Kakogawa e Paranaguá e Awaji. Os laços de amizade permitiram diversas parcerias entre os dois estados, que podem ser fortalecidas com novas cooperações.

 

Na cidade de Awaji, a comitiva visitou as Michi-no-Eki (em português, estações de estrada), sistema de parada para descanso nas rodovias onde são vendidos produtos locais e fornecidas informações turísticas, fortalecendo o desenvolvimento regional com sustentabilidade.

 

Um projeto semelhante está para ser implantado no Paraná por meio de uma cooperação entre a Invest Paraná e o governo de Hyogo, com a participação de outras pastas estaduais. No Estado, vai receber o nome Ponto Paraná para fomentar o comércio de produtos locais sustentáveis, com a implantação prevista nas regiões turísticas do Estado.

 

Seguindo o modelo japonês, as estações paranaenses vão operar 24 horas, oferecendo estacionamento gratuito, pontos de descanso, sanitários, alimentação e informações turísticas da região. O foco principal, entretanto, será a comercialização de produtos locais cadastrados no programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS).

 

Outra agenda no país foi com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), que já tem um histórico de parcerias com o Paraná. Agora, o Estado busca fortalecer a cooperação nas áreas de sustentabilidade e energias renováveis, envolvendo projetos sobre hidrogênio verde, biogás, recursos hídricos, agricultura sustentável e ações para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

 

Já na Coreia do Sul, a comitiva pode conhecer melhor as tecnologias aplicadas em sala de aula. O País é referência na área, com o setor educacional sendo reconhecido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um dos mais desenvolvidos do mundo.

 

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