A corrida eleitoral de 2026 no Paraná ganhou contornos dramáticos nos últimos dias. A semana ainda não terminou, mas já está marcada por movimentos inesperados, rearranjos partidários e rupturas silenciosas. O xadrez político estadual foi sacudido por decisões que devem influenciar diretamente a disputa pelo Palácio Iguaçu e pelas vagas ao Senado.
O principal fato político envolve o senador Sergio Moro, que acertou sua filiação ao PL, partido do grupo bolsonarista. A cerimônia oficial deve ocorrer no próximo dia 24. O acordo foi consolidado após uma série de reuniões realizadas na quarta-feira (18), quando também teria ficado definida a composição da chapa majoritária. Moro disputará o governo do Estado, enquanto o deputado federal Filipe Barros e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo) seriam candidatos ao Senado.
A formação dessa chapa representa um movimento relevante no tabuleiro. Caso essa chapa se confirme, o Novo, partido que integra a base política do governador Ratinho Junior, estaria abandonando o grupo para alinhar-se ao projeto de Moro.
Apesar de ainda não estar confirmada, essa mudança está sendo interpretada como uma ruptura dupla. De um lado, o Novo rompe com a aliança construída em torno do governador e do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, grupo do qual também faz parte o vice-prefeito da capital, Paulo Martins, filiado ao próprio Novo. Segundo fontes do HojePR, a decisão da cúpula do Novo, a qual Paulo Martins faz parte, teria sido tomada sem comunicação prévia às lideranças do bloco governista.
De outro lado, a nova configuração também atingiria a jornalista Cristina Graeml. Ela havia se filiado ao União Brasil a pedido de Moro, sob a promessa de que teria o apoio do senador para disputar uma vaga ao Senado. Com a migração para o PL e a definição dos nomes de Dallagnol e Barros, Cristina ficaria fora da composição. Como alternativa, a ex-candidata à Prefeitura de Curitiba teria recebido a oferta de concorrer a deputada federal pelo PL, proposta que teria recusado.
Apesar do revés, o cenário da jornalista não seria necessariamente desfavorável. Caso permaneça no União Brasil, poderá manter a pré-candidatura ao Senado e enfrentar diretamente os nomes do PL. Além disso, a situação jurídica de Deltan Dallagnol ainda é incerta e depende de decisões da Justiça Eleitoral.
No próprio PL já circula um plano B: se Dallagnol for impedido de disputar, o advogado Jefrey Chiquini deverá assumir a candidatura ao Senado, cenário que ampliaria as chances de Cristina.

Outra movimentação relevante foi anunciada nesta quinta-feira (19). O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca confirmou seu retorno ao MDB. A decisão chamou atenção por ocorrer em um partido que integra a base do governo Ratinho Junior e não demonstra disposição de romper com a administração estadual. Diante disso, a possibilidade de Greca disputar o governo parece cada vez mais remota.
Vale lembrar que o governador tem reiterado que o candidato de seu grupo será do PSD, o que reduz significativamente o espaço político para o ex-prefeito. Na prática, resta a Greca, com alguma boa vontade dos aliados, a alternativa de compor como vice na chapa apoiada pelo Palácio Iguaçu.
Nos bastidores do poder, porém, a semana pode terminar com mais um capítulo surpreendente. Fontes ouvidas pelo HojePR afirmam que o núcleo político do governador já previa as recentes movimentações e prepara uma resposta estratégica. A expectativa é de que cinco parlamentares do PSD migrem para o União Brasil, fortalecendo a bancada do partido e garantindo que ele tenha mais representantes que o PP dentro da federação partidária.
Com isso, Ratinho Junior manteria o União em sua base de apoio, enquanto o PP, que alimentava a expectativa de filiar Greca para lançá-lo ao governo, tenderia a recuar e acomodar-se na coalizão liderada pelo PSD.
O resultado é um cenário de intensa volatilidade política, no qual alianças são revistas, promessas são abandonadas e novos arranjos surgem em ritmo acelerado. A semana confirma que a sucessão paranaense entrou definitivamente em fase de ebulição e que novas surpresas podem surgir a qualquer momento.



