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As negociações entre Irã e Estados Unidos começaram em Islamabad, no Paquistão, neste sábado (11), de acordo com informações da agência estatal iraniana.
O governo Trump despachou o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff, e o genro do presidente americano Donald Trump, Jared Kushner, para Islamabad.
Já o Irã desembarcou na capital do Paquistão com uma delegação de 70 pessoas, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Além do político, os iranianos também despacharam diplomatas e negociadores experientes, militares e consultores jurídicos, além de especialistas em finanças e sanções.
Paquistão
Antes do início formal das conversas, oficiais do Paquistão realizaram reuniões com os dois lados de forma separada.
Após o encontro com os americanos, o gabinete do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informou apenas que “o primeiro-ministro reiterou que o Paquistão espera continuar a facilitar o progresso de ambas as partes rumo a uma paz sustentável na região”.
Mais cedo, a televisão estatal iraniana informou que a equipe de negociação do Irã, liderada por Qalibaf, também se reuniu neste sábado com o primeiro-ministro paquistanês.
A delegação iraniana e o gabinete do primeiro-ministro não comentaram a reunião.
Condições
A televisão estatal iraniana afirmou que, no encontro, a delegação iraniana apresentou seus termos para o fim do conflito. As exigências incluem indenização pelos danos causados pelos ataques conjuntos de EUA e Israel e a liberação dos ativos congelados do país.
Englobam também um mecanismo para a abertura do Estreito de Ormuz e um “cessar-fogo tangível e duradouro” no Irã e em outras áreas — uma aparente referência aos aliados iranianos na região.
Antes das reuniões, o primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, disse nas redes sociais que, se os interesses israelenses forem priorizados nas negociações, “não haverá acordo”.
Já os Estados Unidos desejam garantir a reabertura do Estreito de Ormuz e querem que o Irã desista de seu programa nuclear e de mísseis balísticos.
Líbano
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou à televisão estatal iraniana que um cessar-fogo no Líbano é uma “exigência fundamental”, durante o encontro da delegação iraniana com autoridades paquistanesas, incluindo o chefe do exército e o primeiro-ministro.
Israel continuou atacando o Líbano após o anúncio do cessar-fogo na semana passada entre os EUA e o Irã. O Paquistão havia apontado que o país estava incluso no acordo de trégua, mas oficiais israelenses negaram a informação.
Baghaei descreveu as negociações como um “momento particular” para o Irã e enquadrou a diplomacia como uma “continuação da defesa e uma continuação da guerra”.
“Uma intensa luta está em curso na frente diplomática”, disse ele.
Impactos da guerra
A guerra teve início em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, e se espalhou para países vizinhos.
Foi a segunda vez em menos de um ano que o presidente Trump envolveu diretamente os EUA em um conflito militar com Teerã.
Apresentado por Trump, em parte, como um esforço para incitar os iranianos a derrubar sua liderança teocrática, o conflito logo se transformou em uma guerra regional que resultou em milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. Centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas, e a economia global foi gravemente abalada.
O conflito praticamente paralisou o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, e danificou instalações de produção de petróleo e gás em todo o Oriente Médio.
Em resposta, os preços do petróleo dispararam em todo o mundo. O petróleo bruto Brent, referência internacional, passou de cerca de US$ 70 por barril antes da guerra para mais de US$ 119 em alguns momentos.
(Imagem: reprodução YouTube)



