O ex-prefeito de Curitiba e pré-candidato ao governo do Paraná pelo MDB, Rafael Greca, foi o primeiro entrevistado da série especial produzida pelo HOJEPR com os principais nomes que disputam o Palácio Iguaçu nas eleições deste ano. Todos os principais candidatos foram convidados e a ordem das entrevistas foi definida por sorteio. A iniciativa busca apresentar ao eleitorado propostas e visões de forma equilibrada e informativa .
Na conversa, Greca afirmou que sua candidatura é motivada por uma trajetória pessoal e política construída ao longo de décadas, marcada, segundo ele, pelo conhecimento da história e das necessidades do Estado. O pré-candidato destacou a influência familiar, especialmente do pai, o engenheiro rodoviário Eurico Dacheux de Macedo, como elemento formador de sua visão sobre infraestrutura e integração regional.
Ao justificar por que deseja governar o Paraná, Greca ressaltou que pretende “cumprir sua história”, posicionando-se como um nome de equilíbrio em meio à polarização política.
Cenário político e articulações
Sobre o cenário eleitoral, Greca evitou ataques diretos a adversários e afirmou que sua campanha não será “contra ninguém”, mas sim baseada em propostas.
“Eu quero ser o candidato do equilíbrio. Eu quero ser o candidato que é o ponto do equilíbrio. Desse corpo humano que tem braço direito, e a gente escreve com a mão direita, e braço esquerdo, que só quem é canhoto escreve. Mas a gente tem também o coração, tem a cabeça e o eixo está no centro”.
Greca disse que, se eleito, governará olhando o futuro do Paraná. “Eu quero governar para frente e para o alto. Com os dois olhos, com os dois braços, com as duas pernas, pensando sempre que o coração não sente aonde os pés não pisam”.
Ele comentou as pesquisas com cautela, classificando-as como “retratos do momento”. “Depende de quem as paga. Às vezes há gente sincera que faz pesquisas boas e corretas. Eu não me assusto com nenhuma pesquisa porque se fosse assim, eu nunca teria saído de casa”, disse ele.
As negociações com o governador Ratinho Junior para ser o candidato do grupo governista também foram abordadas por Greca. Bem humorado, ele disse que torce para que, até as convenções, o governador mude a estratégia e apoie a sua candidatura. “Estou fazendo uma novena de Santo Antônio para ver se ele acha que o melhor negócio é fazer uma chapa comigo e o Alexandre Curi, por exemplo”.
Sobre uma chapa Greca-Curi, Rafael contou que essa possibilidade começou a ser discutida bem antes do início do processo eleitoral. “Essa a chapa foi discutida desde quando a Margarita vivia e foi proposta pelo próprio Alexandre Curi, logo que ele virou presidente da Assembleia, em sucessivos os diálogos. Não houve semana em que o Alexandre Curi não me visitasse e dissesse que ia ser meu vice”, disse Greca.
Em relação a alianças, Greca indicou que ainda avalia composições, incluindo a vaga de vice, com diferentes partidos e defendeu a construção de uma chapa ampla, semelhante à estratégia adotada em sua eleição para a prefeitura de Curitiba. “Pode ser o Alexandre Cury, eu não o excluo, mas claro que eu vou olhar outras possibilidades”, disse o ex-prefeito.
Greca evitou falar sobre adversários. Disse que sua campanha não é contra o senador Sergio Moro. “A minha campanha é a favor do equilíbrio, é a favor de os paranaenses olharem para frente e para o alto”.
Por fim, Geca confirmou que não desistirá da candidatura ao governo do Paraná. “A candidatura não vai ser retirada e Deus me poupou do sentimento do medo. Deus me poupou de vergar. Eu sou uma araucária. Araucária não é caniço. Araucária não se dobra”, disse. “Nenhuma treva vai me vencer”, completou.
Experiência administrativa e pandemia
Greca também utilizou sua experiência como prefeito de Curitiba, cargo que ocupou por três mandatos, como credencial para a disputa estadual. Ele destacou a condução da capital durante a pandemia de Covid-19, citando a ampliação de leitos e a adaptação de estruturas de saúde como exemplos de gestão em momentos críticos.
“Eu sou o prefeito que venceu a pandemia e que acordava ainda antes da Aurora para transformar upas do meio-dia para tarde em UTI’s e para não deixar ninguém morrer asfixiado”, disse ele.
O ex-prefeito afirmou que sua atuação foi pautada pela responsabilidade e pela tomada de decisões rápidas diante da crise, ressaltando que evitou negociações irregulares na aquisição de vacinas, em referência a episódios ocorridos em outras cidades.
“A Margarita me fez sair de uma reunião com os vendedores de vacina. ‘Se a gente comprar dessa gente alguma coisa, nós vamos acabar presos’, me disse ela. Então, na verdade, eu tenho muita força desse bem que eu realizei. E que realizei com a Margarita e também com a minha então secretária de Saúde e com outras pessoas”, lembrou Greca.
Agronegócio, sustentabilidade e desenvolvimento
Um dos principais eixos da entrevista foi a defesa de um modelo de desenvolvimento que concilie agronegócio e sustentabilidade. Greca afirmou que o Paraná tem papel estratégico como produtor de alimentos e deve garantir segurança jurídica ao setor, ao mesmo tempo em que preserva o meio ambiente.
“Eu não quero ver as pessoas que têm agronegócio terem medo da insegurança jurídica, que venha de um eugenismo ecológico que, por exemplo, manda abater cacaueiros porque estão sob a floresta ou manda derrubar árvores, que poderiam também gerar oxigênio, porque não são do ecossistema nativo ou original. Como um imbecil que houve uma vez, que era ambientalista, que mandou cortar os plátanos do passeio público porque não eram árvores nativas”, disparou Greca. “O governo tem que governar para todos”, completou.
Ele destacou iniciativas realizadas em Curitiba, como hortas comunitárias e fazendas urbanas, e disse que pretende ampliar políticas sustentáveis em nível estadual. Também defendeu a criação e expansão de áreas de preservação e parques, além de investimentos em infraestrutura logística, como portos e rodovias, para fortalecer a economia.
Educação, inovação e políticas públicas
Na área social, Greca enfatizou a importância da educação e da inovação tecnológica. Citou a expansão dos Faróis do Saber durante sua gestão e afirmou que pretende levar iniciativas semelhantes a todo o Estado, incluindo modelos móveis para atender escolas em diferentes regiões.
O pré-candidato também defendeu políticas voltadas à juventude, com foco em educação, qualificação e inserção no mercado de trabalho, além de mencionar propostas como clínicas veterinárias públicas e programas de controle populacional de animais.
Confira a entrevista completa:



