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Chegou ao fim a primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 e o torneio, até então, entregou bons jogos, goleadas e, como não poderia deixar de ser, destaques e decepções. Desde o histórico empate de Cabo Verde contra a Espanha até outro 7 a 1 da Alemanha, algumas equipes surpreenderam o mundo do futebol, e outras nem tanto.
A seleção brasileira, por exemplo, não saiu do empate de 1 a 1 com Marrocos e poderia ter feito mais, não necessariamente pelo empate com a que foi a sensação de 2022, mas por não ter apresentado o futebol prometido por Carlo Ancelotti. E o que falar do duelo entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo? Uma verdadeira ‘lavada’.
Foram mais de 60 gols nos primeiros 24 jogos da Copa do Mundo de 2026, confirmando sua posição como a edição com mais gols no século 21 e quebrando recorde que pertencia a 2014, quando o Brasil viu várias goleadas em seus estádios como o país-sede.
Essa marca foi muito ajudada pelas várias goleadas na primeira rodada. A Alemanha, por exemplo, meteu 7 a 1 em Curaçao e trouxe más lembranças para o torcedor brasileiro; os Estados Unidos ganharam de 4 a 1 do Paraguai diante de seu público, a Suécia aplicou cinco na Tunísia, a Noruega, de Erling Haaland, goleou o Iraque, e por aí vai.
O Estadão resume quais foram os destaques e as decepções da primeira rodada da Copa do Mundo de 2026.
FAVORITAS QUE SE DESTACARAM
Alemanha, Argentina, França e Inglaterra.
A Inglaterra, que ‘vingou-se’ da Croácia pela derrota nas semifinais de 2018 e bateu a rival europeia por 4 a 2 com um ‘show’ do versátil Harry Kane, que atacou, defendeu e até salvou em cima da linha. E até a derrotada pode ser considerada um destaque, por ter marcado dois golaços e visto Livakovic, mais uma vez, fechar a meta.
A Alemanha começou com tudo, com outro 7 a 1 e a maior goleada da Copa do Mundo até momento sobre Curaçao. Kai Havertz, destaque do Arsenal na temporada de 2025-26 com o vice-campeonato da Champions League, marcou duas vezes e já mostrou o faro artilheiro para a Copa. Livano Comenencia foi o autor do histórico primeiro gol dos representantes da América Central na competição.
As finalistas da edição do Catar, Argentina e França, mostraram que vêm fortes para, quem sabe, fazer outra decisão. Messi comandou a primeira vitória sul-americana no torneio com hat-trick no triunfo de 3 a 0 sobre a Argélia, que também lhe garantiu o posto de maior artilheiro das Copas, empatado com Miroslav Klose. E Kylian Mbappé, que vai atrás do recorde, fez dois em um movimentado 3 a 1 sobre o Senegal.
SELEÇÕES QUE SURPREENDERAM
O que falar de duas estreantes que seguram empates contra gigantes do futebol europeu? Não há muitos adjetivos que resumam esse feito que não ‘heróico’. Em 15 de junho, o mundo ficou em choque quando Cabo Verde empatou em 0 a 0 com a Espanha, uma das grandes favoritas ao título, graças à atuação de gala do goleiro Vozinha.
Não foi diferente para a República Democrática do Congo, que teve a responsabilidade de segurar um ataque formado por Bernardo Silva, Cristiano Ronaldo e Rafael Leão, servidos pelo meio-campo de João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes. Eles saíram perdendo, mas buscaram o empate, ofuscaram CR7 e levaram um ponto para casa.
A performance do arqueiro foi tão marcante que ele saltou para mais de 12 milhões de seguidores no Instagram e até rendeu um visto para que sua mãe o assistisse no próximo compromisso, contra o Uruguai, no dia 21. Em suma, foi um momento de grande emoção para ele e toda a equipe africana.
O mundo parou para ver a estreia do ‘talento geracional’ da Turquia, liderado pelo meio-campista do Real Madrid, Arda Güler, mas se surpreendeu com uma Austrália organizada, bem defensivamente e que bateu os europeus por 2 a 0. O país da Oceania, que classifica-se ao Mundial como parte da Ásia, quebrou um tabu de 20 anos sem vencer na estreia.
Sua companheira de federação, Coreia do Sul, também não se acovardou diante de um representante do velho mundo. Liderada pelo atacante Son Heung-min, a equipe de Hong Myung-bo atacou mais vezes do que a República Tcheca, buscou um triunfo de virada por 2 a 1 e também encerrou um tabu: fazia 16 anos que o país não garantia três pontos já no primeiro jogo.
Para não deixar os europeus ‘franco atiradores’ por baixo, a Suécia teve atuação convincente contra a Tunísia e protagonizou mais uma goleada da Copa do Mundo de 2026. O placar de 5 a 1, com direito a gol do artilheiro do Arsenal, Viktor Gyökeres, não deixou dúvidas que darão trabalho no Grupo F.
E mesmo que o futebol não seja tradição no país, os Estados Unidos tiveram a melhor atuação entre os três anfitriões de 2026. Antes do início da competição, muito se falava sobre o ciclo irregular e se Maurício Pochettino fazia um bom trabalho. A resposta veio em campo com dois gols de Balogun no ‘amasso’ de 4 a 1 sobre o Paraguai; e teve até ‘artilheiro brasileiro’, com Maurício, do Palmeiras, marcando o gol de honra.
AS DECEPÇÕES DA RODADA
Não temos mais a ‘ótima geração’ belga em campo, mas não deixa de ser um dos times que chamam atenção na primeira fase. Os comandados de Rudi García, que mesmo com craques envelhecidos, ainda se renova com Jérémy Doku, por exemplo, não conseguiu sair do empate de 1 a 1 com o Egito, de Mohammed Salah e Omar Marmoush, com Ramon Abatti Abel no apito.
Foi por esse mesmo placar que o Brasil ficou na igualdade com Marrocos. O que não seria uma tragédia, visto que os africanos alcançaram as semifinais em 2022 e foram os primeiros de seus continentes a fazerem isso, mas a falta de intensidade e erros na saída de bola do escrete de Ancelotti assustaram. Não fosse a individualidade de Vinícius Júnior, a chance de ter perdido era grande.
E se Cabo Verde e República Democrática do Congo devem ser elogiados, seus adversários, Espanha e Portugal, respectivamente, merecem as críticas. O time de Luis de La Fuente faturou a Eurocopa de 2024 com Lamine Yamal ‘imparável’, mas não conseguiu furar a defesa de um estreante. E a ‘última dança’ de Cristiano Ronaldo começou com futebol fraco dos comandados de Roberto Martínez.
E o que tirar de uma seleção que permite que a adversária conquiste seu primeiro ponto na história das Copas do Mundo? Foi isso que a Suíça fez ao empatar em 1 a 1 com o Catar, o mesmo que foi o último anfitrião e que saiu zerado daquele torneio. Mesmo não sendo favorita ao título, o prognóstico era de ser melhor na partida.
Por fim, Turquia, que nem com uma geração diferenciada conseguiu bater a Austrália, e Uruguai, que sentiu os desfalques de Arrascaeta e Ronald Araújo, fecham as decepções. Os sul-americanos até ‘empilharam’ ataques contra a Arábia Saudita, mas faltou efetividade em outro 1 a 1 e eles tiveram que se contentar com o ponto na estreia.



