ANO IV

05/06/2026

HojePR

fernanda

O chá como ritual de presença

05/06/2026
chá

Existem hábitos que atravessam séculos porque oferecem algo que continua fazendo sentido, mesmo quando o mundo muda. O chá é um deles. Presente há milhares de anos em diferentes culturas, ele é tradicionalmente consumido por suas propriedades relacionadas à saúde e também como um momento de pausa ao longo do dia. Em uma época marcada pela pressa e pelo excesso de estímulos, talvez seu maior benefício seja justamente nos ajudar a recuperar algo cada vez mais raro: a capacidade de estar presente por um momento.

Quando falamos de chá, estamos nos referindo à planta Camellia sinensis. É dela que surgem todos os chás tradicionais consumidos no mundo, como o chá branco, verde, oolong, preto e pu-erh. Eles apresentam aromas, sabores e características distintas, o que muda é o processo de produção. Já as bebidas preparadas com outras plantas, flores, frutos, raízes, sementes ou especiarias são tecnicamente chamadas de tisanas, embora popularmente também recebam o nome de chá.

Além das diferenças sensoriais dos chás, todos tem compostos bioativos estudados pela ciência. A Camellia sinensis contém polifenóis, catequinas, flavonoides e L-teanina, substâncias associadas à proteção cardiovascular, à modulação inflamatória, à saúde cerebral e ao envelhecimento saudável. Não é por acaso que está entre as bebidas mais pesquisadas do mundo.

Diversos estudos realizados demonstram que o consumo regular de chá está associado a menor risco de doenças, melhor função cognitiva ao longo do envelhecimento e maior expectativa de vida. Embora a longevidade dependa de múltiplos fatores, o hábito de consumir chá aparece repetidamente em regiões conhecidas por suas populações longevas e por estilos de vida mais equilibrados.

Por conterem cafeína e L-teanina, favorecem foco, concentração e disposição, porém são mais indicados pela manhã e no início da tarde, devendo ser evitados à noite, especialmente por pessoas mais sensíveis. No preparo, chás brancos e verdes devem ser preparados com a temperaturas da água entre 70°C e 85°C por 2 a 4 minutos, os chás oolong entre 75°C e 85°C por 3 a 5 minutos, e os chás pretos entre 80°C e 95°C por 3 a 5 minutos. Respeitar a temperatura e o tempo de infusão é importante para preservar os compostos bioativos e o sabor característico de cada chá, para que não fique muito adstringente e amargo ao paladar.

Mas talvez o maior ensinamento do chá não esteja apenas nos compostos presentes na xícara e sim no ritual.

Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade constante. Comemos olhando para telas, respondemos mensagens enquanto caminhamos e realizamos várias tarefas ao mesmo tempo. Aos poucos, perdemos a habilidade de fazer uma coisa de cada vez. O ritual do chá nos convida a seguir um caminho diferente. Aquecer a água, observar as folhas, sentir o aroma, respeitar o tempo da infusão e saborear cada gole é um exercício de atenção plena.

Em um mundo que nos incentiva a acelerar o tempo todo, o chá nos lembra que algumas experiências não podem ser apressadas. Mais do que uma bebida, ele representa um convite para desacelerar, observar e reconectar-se consigo mesmo.

É sobre essa relação entre saúde, longevidade, presença e o poder terapêutico dos chás que conversaremos neste sábado, na Olaria do Parque. Antes do encontro, teremos uma aula especial de yoga ao ar livre, criando o cenário perfeito para iniciarmos o dia com mais consciência e bem-estar.

Participe deste encontro especial

06 de junho, às 10 horas, no Olaria do Parque, localizado na Rua Prof. Rubens Requião, Parque Barigui, Curitiba.
Ingressos disponíveis no link da bio do Instagram @olariadoparque.

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