Os resultados da pesquisa divulgada pelo HojePR, que apontam que a maioria dos brasileiros acredita que o Congresso Nacional atua em benefício próprio, revelam mais do que uma crise de imagem: são o retrato de um país exausto.
Em meio a um regime democrático que insiste em se dizer maduro, o sentimento predominante entre os cidadãos é o de descrença. O Legislativo, que deveria ser a casa dos interesses do povo, tornou-se sinônimo de privilégios, autoproteção e distanciamento.
Quando quase oito em cada dez brasileiros veem os deputados e senadores como defensores de seus próprios interesses, o diagnóstico é inequívoco: o sistema político fracassou em representar a sociedade que o sustenta.
Como confiar num Congresso que, ano após ano, aprova emendas bilionárias de interesse particular, distorce o orçamento público para alimentar redutos eleitorais e negocia cargos e verbas como mercadoria?
Um Congresso que legisla com pressa quando o assunto é ampliar privilégios, mas adia indefinidamente projetos que poderiam beneficiar o cidadão comum.
São inúmeras as atrocidades cometidas contra o país: do orçamento secreto às emendas parlamentares, da criação de fundos partidários bilionários ao aumento das verbas destinadas a campanhas políticas — tudo em benefício próprio.
Enquanto o brasileiro trabalha para pagar uma das maiores cargas tributárias do mundo, congressistas desfrutam de auxílios, verbas e imunidades. A cada escândalo, surge uma CPI que termina em pizza. A cada denúncia, um discurso pronto sobre “instituições fortes” e “respeito ao devido processo legal”. A corrupção, transformada em rotina, virou parte da paisagem política. E a indignação popular, que antes incendiava ruas, hoje se dissolve nas redes sociais, sem consequência prática.
Pesquisas como essa de nada adiantam. Servem apenas para confirmar o que o povo já sabe e o poder insiste em ignorar. Os políticos brasileiros se acostumaram a não ter medo nem dos resultados dessas pesquisas nem da opinião pública. Tornaram-se imunes ao constrangimento, indiferentes às vaias e aos gritos das ruas. Vivem num mundo à parte, blindados por privilégios e pela certeza da impunidade. Sabem que, por mais que escandalizem o país, a cada quatro anos parte da população esquecerá e os reelegerá com o mesmo entusiasmo de sempre.
O problema não é apenas a falta de confiança no Congresso. É a ausência de consequências. A política brasileira tornou-se um círculo vicioso onde a falta de vergonha é premiada com mais poder. O resultado é um sistema que se alimenta da própria corrupção, protegido pela memória curta do eleitor e pela conivência das instituições.
Enquanto isso, o Brasil segue em marcha lenta, prisioneiro de um Congresso que não o representa e de uma elite política que acredita estar acima do bem e do mal. E assim o país vai se acostumando à mediocridade, transformando a indignação em resignação e a descrença em rotina. Até o dia em que o povo perceber que não basta se indignar, é preciso, finalmente, se libertar.



