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23/06/2026

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Procrastinação além da preguiça

29/05/2026
procrastinação

Você já adiou uma tarefa importante mesmo sabendo que ela precisava ser feita? A maioria das pessoas associa a procrastinação à preguiça ou falta de disciplina, mas a realidade costuma ser mais complexa. Procrastinar não significa simplesmente evitar responsabilidades. Muitas vezes, é uma resposta do cérebro diante do cansaço, do excesso de estímulos e da busca constante por recompensas mais rápidas e prazerosas.

Nesse cenário, a dopamina exerce um papel importante. Diferente do que muitos pensam, ela não é apenas a substância do prazer. A dopamina está relacionada à motivação, ao interesse e à sensação de recompensa. É ela que ajuda o cérebro a entender que determinada ação vale o esforço. Quando esse sistema funciona de forma equilibrada, existe mais disposição para começar tarefas, manter a atenção e concluir objetivos. Quando ocorre uma desregulação, atividades que exigem mais tempo e concentração podem parecer mais difíceis, enquanto recompensas imediatas se tornam mais atrativas.

Hoje vivemos cercados por estímulos rápidos e excesso de informação. O problema não é o celular ou as redes sociais em si, pois a procrastinação sempre existiu. O que mudou foi a intensidade daquilo que compete pela nossa atenção. O cérebro passou a receber pequenas doses frequentes de recompensa ao longo do dia desregulando os níveis de dopamina.

Alguns hábitos podem ajudar a recuperar esse equilíbrio. O primeiro passo é diminuir o excesso de estímulos. Não significa abandonar tecnologia ou transformar a rotina radicalmente, mas praticar pequenas pausas. Fazer uma caminhada curta sem celular, tomar um café longe das telas ou criar momentos do dia sem interrupções ajuda o cérebro a voltar a perceber recompensas naturais e equilibrar os níveis de dopamina.

O segundo passo é parar de esperar motivação para agir e criar hábitos consistentes. Começar pequeno costuma funcionar melhor do que criar metas gigantes. Dez minutos de leitura parecem mais possíveis do que terminar um livro, ou seja, pequenas conquistas geram sensação de progresso e ajudam a estimular a continuidade. Sono e atividade física também são fundamentais nesse contexto.

O terceiro passo envolve algo que vai muito além da produtividade: a alimentação. Produzir neurotransmissores exige matéria-prima, e o cérebro depende dos nutrientes que recebemos diariamente. A dopamina é produzida a partir de um aminoácido chamado tirosina, encontrado em alimentos como ovos, peixes, frango, carnes magras, iogurte natural, feijões, lentilha, sementes e castanhas.

Além da alimentação, a suplementação pode auxiliar quando existem deficiências e grandes desequilíbrios nutricionais. Três nutrientes fundamentais são o magnésio, que pode ser interessante em situações de fadiga; as vitaminas do complexo B, por participarem do metabolismo cerebral; e o ômega-3, que tem sido associado ao suporte cognitivo.

Na fitoterapia, alguns ativos podem atuar de forma complementar dependendo da necessidade individual. A Rhodiola rosea ajuda a modular a atividade dopaminérgica, sendo utilizada quando predominam fadiga mental e queda de desempenho por estresse. Já a Mucuna pruriens, por conter L-dopa, precursora da dopamina, pode ser considerada em situações relacionadas à redução de motivação, foco e energia mental, sempre com prescrição de um profissional da saúde.

Assim como os fitoterápicos, a suplementação e outras estratégias nutricionais não funcionam como soluções isoladas ou atalhos para a motivação. Elas fazem mais sentido quando associadas a uma rotina com atividade física, sono de qualidade, manejo do estresse e redução do excesso de estímulos. Afinal, muitas vezes, recuperar o foco começa equilibrando aquilo que sustenta a motivação diariamente.

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