O final do ano está chegando e com ele as avaliações em relação ao sucesso, ou não, dos objetivos traçados em janeiro. Na política não é diferente. É época de analisar o que foi feito e decidir o que fazer no próximo ano que já está logo ali.
Nesse fim de ano, o tabuleiro eleitoral para a disputa presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais nítidos. Embora ainda falte tempo até a definição formal das candidaturas, os movimentos feitos ao longo de 2025 no xadrez político permitem algumas conclusões. Entre os nomes que se colocaram no debate nacional, o governador Ratinho Junior (PSD) desponta hoje como o candidato com maiores condições reais de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As pesquisas mais recentes confirmam um dado central e indiscutível. Até o momento, Lula lidera todos os cenários testados. O presidente mantém uma base eleitoral sólida, sobretudo nas camadas populares e no Nordeste, e segue competitivo mesmo diante do desgaste natural de um terceiro mandato.
É bem verdade que Lula deve boa parte desse desempenho às trapalhadas da família Bolsonaro que, ao patrocinar um tarifaço cruel ao Brasil, entregaram de bandeja ao presidente um balão de oxigênio quando o ar já lhe faltava. Logo, a liderança nas pesquisas é frágil e pode não resistir a uma candidatura de oposição eficiente e bem trabalhada.
O desafio da oposição, portanto, não é apenas lançar um nome conhecido, mas apresentar um candidato capaz de reduzir rejeição, atrair indecisos e dialogar fora do campo estritamente bolsonarista.
É justamente nesse ponto que Ratinho Junior se diferencia.
A última pesquisa Quaest, amplamente repercutida pela imprensa nacional, reforçou um problema estrutural da direita mais radical: a rejeição. Eduardo Bolsonaro, que tem flertado com a possibilidade de uma candidatura presidencial, aparece com índices de rejeição elevados, próximos ou até superiores aos do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro. Trata-se de um obstáculo praticamente intransponível em uma eleição majoritária nacional. A “aventura” eleitoral do senador não resiste aos números. Estamos falando de 60%. É uma rejeição alta, de uma candidatura com pouca capacidade de expansão e associação direta a um bolsonarismo que segue mobilizado, mas isolado.
O mesmo dilema começa a rondar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Apesar de seu perfil técnico e da gestão considerada organizada, seus posicionamentos recentes em defesa explícita de Jair Bolsonaro tendem a transferir para ele parte da rejeição acumulada pelo ex-presidente. Hoje ela já está em 47%, segundo a Quaest. No Brasil atual, essa herança pesa. A fidelidade ao bolsonarismo garante apoio de um núcleo duro, mas fecha portas no centrão e afasta eleitores moderados e indecisos, exatamente onde se decide uma eleição presidencial.
Ratinho Junior trilhou um caminho totalmente diferente. Não se afastou da direita e conseguiu manter apoio desse campo político sem se aprisionar às convicções mais ruidosas e controversas do bolsonarismo.
O governador do Paraná demonstrou habilidade ao apoiar Bolsonaro quando conveniente, mas sem incorporar sua retórica, seus conflitos institucionais ou suas pautas mais extremadas. O resultado é um ativo raro: trânsito político mais amplo e rejeição significativamente menor do que a de outros nomes da direita, como indicam as pesquisas.
Esse diferencial é reconhecido, inclusive, por analistas e pela própria imprensa nacional, que já tratam Ratinho Junior como um nome mais competitivo do que Tarcísio em um eventual confronto com Lula.
O governador do Paraná consegue dialogar com parcelas do eleitorado que hoje orbitam entre a esquerda moderada e o centro, especialmente eleitores desiludidos, pragmáticos e sensíveis a resultados administrativos.
Há ainda um fator simbólico e eleitoral relevante: Ratinho Junior é filho de Carlos Massa, o Ratinho, um dos maiores comunicadores da televisão brasileira. Com enorme penetração nas classes populares, especialmente nas regiões urbanas periféricas, Ratinho pai construiu, ao longo de décadas, uma relação direta com um público que coincide, em grande medida, com a base eleitoral de Lula. Em uma campanha presidencial, essa capacidade de comunicação popular não é detalhe, é ativo estratégico. E é evidente que Ratinho estará presente, de forma ativa, na campanha do filho.
Do ponto de vista administrativo, Ratinho Junior também tem o que mostrar. Sua gestão à frente do Paraná é bem avaliada, com índices elevados de aprovação. O estado se consolidou como uma das economias mais organizadas do país, com equilíbrio fiscal, capacidade de investimento, atração de empresas, avanços em infraestrutura e resultados consistentes em áreas sociais. Educação, inovação, logística e políticas de desenvolvimento regional são frequentemente citadas como marcas do governo paranaense.
Em um país marcado por crises fiscais crônicas e administrações estaduais fragilizadas, o Paraná aparece quase como um oásis de prosperidade e boa governança, um contraste que ganha ainda mais força quando comparado às dificuldades enfrentadas pelo governo federal. Ratinho Junior pode apresentar resultados concretos, números, obras e políticas públicas que funcionaram. Não é discurso, é portfólio de gestão.
O cenário, portanto, é claro: Lula lidera, mas não é imbatível. Para enfrentá-lo, a oposição precisa de um candidato que some mais do que divida, que reduza rejeição em vez de ampliá-la e que dialogue com o Brasil real, para além das bolhas ideológicas. Entre os nomes colocados até agora, Ratinho Junior reúne essas condições como nenhum outro.
A disputa ainda está em aberto. Mas, se a eleição fosse hoje, o governador do Paraná seria, de longe, o adversário mais competitivo que a oposição poderia apresentar ao presidente da República.



