O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (União) chegou ao Senado, em 2022, quase como um corpo estranho no meio político. Não teve apoio do governador, não mobilizou prefeitos, não dialogou com lideranças partidárias. Venceu na força da imagem, e apenas dela.
Dois anos depois, tenta aplicar a mesma fórmula para disputar o Palácio Iguaçu. Mas há um detalhe que parece ter escapado ao senador: eleição majoritária não se ganha somente com imagem. Ganha-se com política. Com pontes. Com pessoas e com a capacidade de mantê-las por perto.
E é exatamente aí que sua candidatura emperra. Em oito meses, Moro não conseguiu entregar o mínimo: construir laços, conquistar o apoio dos deputados federais e convencer as lideranças do Progressistas, partido que, junto com o União Brasil, forma a Federação União Progressista. Mal aconselhado pelo grupo que o cerca, imaginou que sua candidatura sairia no grito.
A verdade é que sem o Progressistas não há candidatura. E o senador parece ignorar a lógica da própria coalizão que pretende representar. A postura de “não fazer política”, que um dia foi marca, bandeira e narrativa, agora se coloca como obstáculo real e imediato.
Enquanto os demais nomes, Alexandre Curi, Guto Silva e Rafael Greca, dialogam, colecionam alianças e montam palanques, Moro segue isolado, como se ainda estivesse em 2022, num contexto em que a estratégia simplesmente não entrega resultado.
No jogo pesado de uma eleição para governador, ausência de articulação não é independência, é inviabilidade.
O impasse na Federação, com a decisão do diretório do Progressistas, respaldada pelo presidente nacional Ciro Nogueira, de não homologar o nome de Moro, diz menos sobre intransigência interna e muito mais sobre a postura que o senador decidiu adotar. A política que ele recusou lá atrás é, agora, a política que lhe cobra a conta.



