O dia 13 de agosto de 1986 marcou a história do Paraná. Naquele ano, durante o governo de José Richa, a Serra do Mar foi oficialmente tombada como patrimônio natural, paisagístico e cultural do Estado. A decisão, inédita em sua abrangência, assegurou a preservação de mais de 380 mil hectares de Mata Atlântica e consolidou uma política pública que até hoje é considerada um marco na gestão ambiental brasileira.
O ato não foi apenas administrativo. Ele nasceu de um movimento coordenado pela Secretaria de Cultura da época, sob o comando de Fernando Ghignone, que conduziu os estudos técnicos, pareceres e encaminhamentos necessários para o tombamento. A pasta articulou especialistas e instituições, garantindo que a medida fosse juridicamente sólida e socialmente reconhecida como de interesse público.
Patrimônio ambiental e cultural
A Serra do Mar paranaense concentra o maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do país, abrigando espécies raras da fauna e da flora, além de formações geográficas emblemáticas, como o Pico do Paraná, o Marumbi e o Caratuva.
Mas a importância da região não se restringe à biodiversidade. O tombamento também reconheceu o valor histórico e cultural da Serra, palco de antigas trilhas indígenas que se transformaram em caminhos coloniais, como o Itupava e a Estrada da Graciosa. Em 1885, a ferrovia Paranaguá–Curitiba reforçou ainda mais o papel estratégico da região para o desenvolvimento econômico e social do Estado.
Visão política e técnica
O tombamento foi fruto de uma combinação rara de visão política e embasamento científico. O geólogo João José Bigarella havia alertado para os impactos do desmatamento, como o assoreamento da Baía de Paranaguá, que ameaçava a navegação e o Porto. Com base nessas análises, a Secretaria de Cultura conduziu o processo que resultou no registro da Serra do Mar como patrimônio protegido.
Ao sancionar a decisão, José Richa consolidou a pauta ambiental em seu governo, que ficou marcado por medidas de modernização política e institucional. Já Fernando Ghignone, à frente da Cultura, garantiu que a proteção tivesse alcance não apenas ecológico, mas também histórico e simbólico.
Legado permanente
Quase quatro décadas depois, o tombamento da Serra do Mar permanece como um dos atos mais emblemáticos da administração Richa. A decisão assegurou a integridade de ecossistemas essenciais, protegeu mananciais de abastecimento e reforçou a identidade cultural do Paraná, vinculando a Serra à memória e à história do povo paranaense.
O gesto de 1986 mostrou que preservação ambiental e valorização cultural podem caminhar juntas. A Serra do Mar, tombada por decisão política e técnica do Estado, é hoje símbolo de resistência, memória e futuro.



