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23/06/2026

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MAIS UMA DA BANCADA DA LACRAÇÃO

Vereador quer obrigar parlamentares de Curitiba a usarem SUS e escola pública

10/12/2025
da costa

O projeto apresentado pelo vereador Da Costa (União), que pretende obrigar parlamentares de Curitiba e seus familiares a utilizarem exclusivamente o SUS, além de matricularem seus filhos em escolas públicas, diz mais sobre a era da política performática do que sobre compromisso real com políticas públicas. A iniciativa, vendida como uma cruzada moralizadora, soa menos como debate sério e mais como conteúdo pronto para gerar curtidas, polêmicas e engajamento digital.

Da Costa, que ganhou notoriedade não por projetos estruturantes, mas pela linguagem agressiva e hiperbolizada em suas redes sociais, parece agora ampliar sua atuação para a “legislação lacradora”. O projeto, com ares de solução radical, se encaixa no modelo perfeito do espetáculo político contemporâneo: curto, chamativo, viralizável e, principalmente, incapaz de promover melhorias reais.

O argumento oficial afirma que obrigar vereadores e seus dependentes a vivenciar o mesmo sistema que a maioria da população usa faria dos parlamentares defensores mais atentos da qualidade do serviço público. Porém, a lógica ignora o óbvio. Política pública se constrói com planejamento, recursos, indicadores, metas e resultados, não com imposições simbólicas que servem a manchetes e perfis de Instagram.

A proposta custaria caro, inclusive politicamente. Ao transformar escolhas pessoais, como educação dos filhos ou atendimento médico, em pauta coercitiva, o projeto abre precedente perigoso: o de legislar sobre a vida privada para satisfazer a demanda por espetáculo e indignação. É a política que, ao invés de gerir, performa. Ao invés de debater, acusa. Ao invés de convencer, viraliza.

Nos bastidores, assessores e especialistas reconhecem que, ainda que o discurso seja de igualdade e moralidade, medidas assim não melhoram escolas, não aceleram exames, não reduzem filas. O que elas fazem, e muito bem, é garantir espaço nas redes, exposição nas notinhas de política e um profundo sentimento de ridículo que dura até o próximo vídeo.

No final, o projeto de Da Costa pode até não se tornar lei, mas já cumpre outro objetivo: o de manter acesa a fogueira das polêmicas que sustentam hoje parte da bancada da lacração, a versão contemporânea da política que transformou a Câmara e as plataformas digitais em palcos do mesmo, e lamentável, espetáculo.

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