Quem nunca teve problemas com vizinhos em um condomínio, que atire a primeira pedra. Mas cuidado para não acertar o carro de ninguém. Esse tipo de dano, além de barulho, respeito à privacidade, disputa por vagas de garagem são alguns dos principais desafios e pontos de discussão para quem mora em uma das quase 5,5 mil pequenas cidades, que são os condomínios dentro de Curitiba.
“Os condomínios concentram aproximadamente 650 mil pessoas na capital paranaense, divididos entre os empreendimentos maiores e menores. Não é difícil imaginar que a convivência entre elas, invariavelmente diferentes entre si, seja complicada”, avalia Eduardo Domingues, sócio-diretor da Apolar Condomínios, especializada em administração de condomínios.
E, quando os problemas vêm à tona, a quem cabe a solução? Para Eduardo, a responsabilidade pode ser compartilhada entre a administração e o síndico, com um forte apelo para o bom senso dos moradores. “É impossível que uma medida agrade a todos ou que algum comportamento específico não desperte alguma insatisfação. Afinal, somos humanos”, constata.
Planejamento e regras definidas é fundamental
O mais importante, lembra o especialista, é que haja regras bem definidas para alguns dos problemas mais conhecidos. Além da visão técnica das administradoras, a experiência prática dos síndicos ajuda a mostrar como a convivência pode ser mais harmoniosa. Liége Salazar, síndica de um edifício de 22 andares no bairro Batel, em Curitiba, conta que a comunicação é a principal aliada na gestão.
“Nosso condomínio é bastante tranquilo, praticamente não temos discussões. Sempre que surge alguma questão, levamos para votação em assembleia, visando o interesse de todos. O ajuste de comunicação, com regras claras e informativos bem explicados, é o que evitaconflitos”, relata.
Ela destaca ainda como a tecnologia tem contribuído para facilitar a vida dos moradores. “Aplicativos dão autonomia para reservar áreas comuns, acessar boletos e receber comunicados, o que ajuda a organizar o dia a dia e reduzir ruídos na convivência”, completa. Para Liége, o segredo de um convívio mais saudável está em algo simples, mas muitas vezes negligenciado: a comunicação. “Essa é a melhor prevenção e solução para qualquer conflito em condomínio”, constata.
Desafios em grande escala
Um grande exemplo de como o planejamento e a convenção de regras pode beneficiar empreendimentos de todos os portes é a experiência do Acquaville, um bairro planejado, da construtora MRV em Londrina. Alexandre da Costa Filho, gerente de obras da empresa, conta que o projeto já foi pensado para atender toda a demanda dos moradores.
“Cada condomínio foi avaliado para que tivéssemos os produtos adequados para o conforto dos moradores, com infraestrutura para atender as necessidades de todo complexo”, conta. “Os empreendimentos possuem área de lazer completa, o que já contribui para que o convívio de todos seja organizado e adequado, além de possuir espaços públicos utilizados para eventos, que são geridos pela associação de bairro, constituída pela própria MRV, o que garante o bom uso, manutenção e convívio correto para todos moradores do complexo”, completa.
Além disso, Costa Filho destaca a figura do síndico como fundamental para manter o equilíbrio de uso, manutenção e benfeitorias. E a associação de moradores do Acquaville que assume o cuidado com toda a área. “Hoje, o comando desse cuidado é feito pelos moradores, na figura da associação, presidida pelos síndicos do empreendimentos”, finaliza.
Ranking das “tretas” condominiais
1) Barulho ou excesso de ruído
O campeão das reclamações é o barulho ou excesso de ruído. Os toc-toc dos saltos altos vindos do andar de cima, festas com música alta ou muita conversa até tarde da noite e até mesmo latidos de cães estão entre os problemas relatados pelos moradores.
2) Vagas de garagem
A invasão da vaga de garagem alheia, o uso indevido ou a falta de cuidado nas manobras e no trânsito dentro da garagem ficam em segundo lugar nesse ranking.
3) Inadimplência
Logo em seguida vem o atraso ou falta de pagamento da taxa condominial, que acaba prejudicando o condomínio como um todo.
4) Animais de estimação
Além dos latidos dos cães, que já aparecem em primeiro lugar nos problemas com os ruídos, a circulação dos animais em áreas comuns e a sujeira não recolhida devidamente pelo tutor também pode gerar confusão entre os vizinhos.
5) Reformas e obras nas unidades
Obra pode ser um incômodo até para quem não está contratando. Quando o barulho acontece fora do horário permitido (das 8h às 17h, ou conforme regulamento interno) ou quando as equipes deixam entulhos em áreas comuns, a dor de cabeça é geral e pode acabar em conflito.
6) Uso das áreas comuns
A reserva dos espaços e as normas de uso devem ser bem claras para todos, para que não haja disputa pelo salão de festas, piscina, churrasqueiras, academia, ou ainda, o mau uso ou falta de manutenção desses locais.
7) Segurança
Profissionais qualificados e bem treinados podem evitar problemas com falhas de controle de acesso de visitantes e prestadores de serviço, além da ocorrência de invasões e assaltos aos apartamentos.
8) Convivência e respeito à privacidade
Comentários sobre a vida alheia (fofocas) acabam gerando discussões e brigas mais sérias entre os vizinhos.
9) Gestão condominial
Insatisfação com síndico, transparência de contas, decisões de assembleia.
10) Conservação e manutenção
Problemas com a iluminação, limpeza, obras emergenciais e custo do rateio.



