Meus amigos sabem que tenho um razoável histórico de participação em campanhas eleitorais. Uma vez, em entrevista a Ilana Lerner disse “conheço muita gente que gosta de campanha, mas louco por campanha só o Gerson Guelmann”. Aceitei o elogio com bom humor. Na realidade sempre entrei nas campanhas como se estivesse participando de uma gincana, onde a sinergia e a camaradagem com os companheiros de equipe costumam dar bons resultados.
A única campanha em que trabalhei para mim mesmo resultou em desastre descomunal: 1.943 votos para vereador em 2020; fiquei numa suplência em que só poderia assumir se surgisse uma epidemia de tifo na Câmara de Vereadores. Poderia tentar enganar os eleitores com explicações e até colocar a culpa na pandemia, mas, na verdade, comprovei que era um ‘campanheiro’ razoável para os outros, não para mim (rsrsrs).
Deixando o humor de lado e considerando o que aconteceu ontem aqui em Curitiba, o dia é propício para escrever sobre minha experiência em eleições que foram decididas em segundo turno. Há um entendimento, uma espécie de chavão usado na política, que diz “segundo turno é uma eleição nova”. Quer ver?
Acompanho eleições desde 1982 e em 14 tive participação na Coordenação; em 9 já havia segundo turno e atuei em 5. Antes que esqueça: em alguns anos fiz o 1º turno em uma cidade e o 2º em outra. Vamos lá, então:
• 1994: vencemos a eleição para o Governo do Paraná no 1º com o Jaime Lerner e fui fazer o 2º em Santa Catarina, virando o jogo com o Paulo Afonso (anote aí, 1ª virada);
• 1996: após vitória do Cassio Taniguchi no 1º turno em Curitiba, fiz o 2º com o Antonio Belinatti em Londrina (2ª virada, ele havia perdido o 1º);
• 2000: Cassio Taniguchi venceu o 1º em Curitiba mas foi ao 2º turno e ganhou novamente; (1ª confirmação);
• 2004: o candidato para o qual trabalhei em Curitiba não foi ao 2º turno e fui para Florianópolis, onde o candidato Dario Berger havia ganhado o 1º turno e venceu novamente (2ª confirmação);
• 2012: em Curitiba, campanha com Gustavo Fruet, no 1º turno ficamos no 2º lugar mas vencemos no 2º (3ª virada).
Resultado final:
• Em cinco disputas de segundo turno, em duas eu estava com o candidato que venceu no primeiro e confirmou a vitória no segundo, mas nas outras três a campanha onde trabalhei virou o jogo. O resultado de 3 X 2 permite dizer que o segundo turno pode sim ser uma nova eleição.
Evidentemente é uma amostra pequena, baseada apenas na minha experiência; no caso de Curitiba a partir de hoje começaremos a perceber a movimentação das pedras no tabuleiro, especialmente os acertos políticos envolvendo os apoios dos derrotados. O segundo turno aqui merecerá a atenção dos grandes analistas, porque a candidata que passou em segundo lugar não dispunha de tempo de rádio e TV, que agora será dividido igualmente entre os dois; como ela teve um desempenho excelente somente com redes sociais, resta esperar para ver se saberá aproveitar com igual competência as mídias tradicionais. Seu contendor, apoiado pelo atual prefeito e pelo governador, que é muito bem avaliado pela população, será um adversário difícil.
Dia 27, em menos de três semanas, saberemos.
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