A 34ª edição do Festival de Curitiba em 2026 está ocorrendo até 12 de abril, num momento em que se consolidada como o maior evento de teatro e artes cênicas do país. A abertura é uma das festas mais concorridas pela nossa classe artística e neste ano foi no dia 30 de março, com um show inédito de Milton Cunha e Mestre Ciça na Pedreira Paulo Leminski, trazendo o universo das escolas de samba para nossa cidade.
Como quem tem padrinho não morre pagão, consegui dois ingressos através dos meus amigos Adriane Perin e Sandro Moser, que comandam a assessoria de imprensa do Festival. E mais uma vez vimos um evento para milhares de pessoas, no palco da Pedreira Paulo Leminski, transcorrer com perfeito profissionalismo e sempre com uns toques de emoção.
O ponto alto foi uma ‘aula-show’ criada especialmente pelo carnavalesco Milton Cunha sobre uma forma de narrativa centenária inventada pelo povo brasileiro: o desfile das Escolas de Samba. Sob a proteção de Exu, ele recebeu convidados especiais para cantar, sambar e exibir toda a harmonia e a evolução dignas de uma noite no Sambódromo carioca. Cerca de 45 componentes de diversas agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro se apresentaram e demonstraram o que cada segmento significa em um desfile, como o casal de Mestre Sala e Porta Bandeira, que tem a função de apresentar, proteger e desfraldar o pavilhão da Escola, as baianas – guardiãs das memórias, dos saberes e sabores de cada comunidade – e as passistas, aquelas morenas belas e gigantes, com sua arte ancestral do samba no pé. Uma bateria foi formada especialmente para a ocasião, regida por ninguém menos que Mestre Ciça, o veterano baluarte que foi homenageado no desfile campeão da Unidos do Viradouro em 2026 em um momento de intensa catarse na Marquês de Sapucaí. Ao lado de Ciça, dezenas de ritmistas apresentaram e tocaram seus instrumentos (surdo, caixa, tamborim, chocalho, repique, tarol), enquanto os destaques de luxo exibiram as suas fantasias junto com os demais componentes.
‘Samba: as Escolas e suas Narrativas’ é o resultado de uma longa pesquisa de mestrado e doutorado que consumiu boa parte da vida de Milton Cunha, hoje uma das maiores referências no assunto e certamente a figura mais popular na atualidade dentro do universo carnavalesco. Após a maratona de desfiles de 2026, ele conseguiu transformar a Pedreira Paulo Leminski em uma verdadeira Praça da Apoteose.
Nascido em Belém e criado na Ilha de Marajó, Milton Cunha foi mal compreendido por sua família devido à sua homossexualidade. Então, com 19 anos, se mudou do Pará para o Rio de Janeiro, em 1982, e nunca mais veria seus pais pessoalmente. Uma vez na Cidade Maravilhosa, o talento artístico de Milton começa a ser reconhecido; seu primeiro mecenas foi o empresário da noite Chico Recarey, dono de famosas boates da cidade à época. Dez anos depois, incentivado pelo presidente de honra da escola de samba Beija-Flor Anísio Abraão David, Milton Cunha se tornaria carnavalesco, herdando o escritório do inesquecível Joãosinho Trinta. Sua estreia o colocou de imediato entre os cinco melhores do carnaval do Rio. Na Beija-Flor, Milton ficou de 1994 a 1997. Depois passou pela União da Ilha, Leandro de Itaquera de São Paulo, Unidos da Tijuca e em seguida foi para a São Clemente, onde ficou por dois anos tendo inclusive estreado no Grupo A. Em 2006, foi carnavalesco da Viradouro e no ano seguinte, continuou no outro lado da “ponte”, só que como da Porto da Pedra. No carnaval de 2008 se afastou, mas foi convidado a participar da comissão de carnaval da São Clemente, mas só elaborando o enredo. Em 2009, voltou a ser carnavalesco da Viradouro e no ano seguinte continuou em Niterói, só que como carnavalesco da Cubango. A partir de 2007 iniciou sua carreira internacional trabalhando no Brazilian Ball do Canadá, em Toronto, onde esteve até a última edição do baile, em setembro de 2012. A partir de 2010 tornou-se o carnavalesco da primeira escola de samba de San Luis, na Argentina: a Sierras del Carnaval realizando os desfiles de 2010 a 2013. Nos últimos quatro anos realizou trabalhos relacionados ao carnaval em Estocolmo, Londres e Joanesburgo. Trabalhou como cenógrafo de shows em Angola e Brasil, para artistas como Luan Santana e Ney Matogrosso.
É o Diretor Artístico dos espetáculos da Cidade do Samba, onde está desde 2007. Graduou-se em Psicologia e fez Mestrado e Doutorado na UFRJ em Letras (Ciência da Literatura), sobre a Rapsódia Brasileira de Joãozinho Trinta. Atualmente faz estágio pós-doutoral na Eba-UFRJ, estudando os “Signos de Brasilidade em Rosa Magalhães”.
Em 2013 foi para a TV Globo, onde comentou os desfiles da Série A e Grupo Especial. Ainda durante o carnaval, acertou sua ida a Record, onde foi um dos jurados do Got Talent Brasil e chegou a fazer uma participação especial na novela Balacobaco. Retornou a Globo para comentar os desfile do Grupo Especial, e em 2014 fez um especial para a Copa do Mundo no RJTV, chamado Me Dá Um Help Aí. No mesmo telejornal, o carnavalesco passou a apresentar a coluna “Enredo e Samba”.
Em fevereiro de 2015, lançou pela Editora Senac/São Paulo o livro “Carnaval é Cultura, poética e técnica no fazer Escola de Samba”. Permaneceu como comentarista do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro na TV Globo e exerceu a mesma função no desfile das campeãs pelo portal G1. Em maio de 2015, Milton foi escolhido pela nova liga de carnaval “Associação Samba é Nosso” para ser o diretor cultural da entidade. Em 2024, Milton também comentou o Desfile das escolas de samba de São Paulo na TV Globo.
Ano passado, foi o apresentador do Festival de Curitiba, quando se comprometeu a trazer na edição de 2026 o Carnaval carioca para a terra dos pinheirais.
Foi uma noite de estreia digna do Festival de Curitiba. Reconhecido como um dos maiores e mais importantes eventos culturais do país, o festival atrai artistas, produtores, críticos e público de todas as regiões, movimentando a capital paranaense com espetáculos, oficinas, debates e atividades paralelas.
Criado em 1992, com o nome de Festival de Teatro de Curitiba consolidou-se ao longo das décadas como uma vitrine para novas produções e um espaço de valorização do teatro nacional. Com uma programação diversificada, o evento contempla desde grandes nomes da dramaturgia até grupos independentes, promovendo o intercâmbio entre diferentes estilos, linguagens e gerações.
A edição de 2026 conta com mais de com mais de 400 atrações, incluindo Risorama (comédia), Mostra Surda de Teatro, Mostra Guritiba (infantojuvenil) e Gastronomix. A mostra principal Lúcia Camargo reúne mais de vinte espetáculos premiados e inéditos, enquanto o Fringe, segmento dedicado à experimentação e à cena alternativa, oferece oportunidades para novos talentos e propostas inovadoras. Além disso, o festival aposta na inclusão de atrações internacionais, ampliando o diálogo entre culturas e aproximando o público de tendências globais.
Conhecida por sua forte tradição cultural e por investir em infraestrutura para eventos, Curitiba oferece ao festival uma rede de teatros, centros culturais e espaços alternativos, que contribuem para a qualidade e o alcance da programação. Restaurantes, bares e hotéis também se mobilizam para receber visitantes, criando um ambiente acolhedor e vibrante durante toda a temporada.
O Festival de Curitiba segue inovando e expandindo suas fronteiras. Com o apoio de uma plêiade de patrocinadores, instituições públicas e privadas, e a participação ativa do público, o evento reafirma seu compromisso com a valorização da cultura e a renovação da arte teatral. A expectativa é que o festival continue inspirando novas gerações e promovendo o diálogo entre artistas e sociedade, sendo cada vez mais uma referência no calendário cultural brasileiro.
Para quem deseja conhecer mais sobre o Festival de Curitiba, vale a pena conferir aqui a programação completa: https://festivaldecuritiba.com.br. Seja na plateia ou nos bastidores, seja nas peças de teatro ou na festa de abertura, a experiência promete emoção, aprendizado e celebração da arte.



