O futuro político da jornalista Cristina Graeml dentro da aliança governista de 2026 começa a ficar cada vez mais nebuloso. Falta espaço político para acomodá-la sem implodir a própria aliança antes mesmo da largada oficial da campanha.
Segundo uma fonte da coluna, o Republicanos já avisou o núcleo político do governador Ratinho Junior que não aceita uma eventual candidatura de Cristina ao Senado.
O recado foi transmitido sem excesso de poesia. Caso Cristina seja colocada na chapa ao Senado, o Republicanos considera deixar a aliança e seguir outro rumo em 2026.
Dentro da base governista ainda há quem tente a lógica da filiação de Cristina ao PSD. Afinal, até outro dia ela fazia oposição dura ao partido, ao prefeito Eduardo Pimentel e ao próprio grupo político do governador.
E não se tratava exatamente de divergências acadêmicas ou debates elegantes de biblioteca inglesa. Na campanha para a Prefeitura de Curitiba, Cristina bateu abaixo da linha de cintura e adotou uma linha preparada para desconstruir o grupo político que agora tenta acomodá-la no mesmo palanque.
Naturalmente, isso produziu um fenômeno raro na política paranaense. Aliados sorrindo em público enquanto se perguntam, em privado, como foram parar naquela fotografia.
Além disso, a campanha municipal de Cristina terminou cercada de desgastes e controvérsias envolvendo integrantes próximos dela, circunstância que aumentou a resistência de setores importantes da base governista à hipótese de transformá-la em candidata majoritária estadual.
No Republicanos, a leitura é bem menos emocional e muito mais pragmática. O partido considera que a construção da vaga ao Senado dentro da aliança já foi encaminhada há bastante tempo. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, abriu mão de um projeto ao Governo do Estado após apelos do próprio governador e aceitou integrar a chapa governista como candidato ao Senado.
Nesse cenário, dirigentes partidários consideram natural que Alexandre receba a deferência de ser tratado como o nome prioritário da aliança para a disputa ao Senado. Principalmente porque reúne apoio expressivo de prefeitos, lideranças municipais e partidos aliados, um ativo que costuma valer muito mais do que curtidas indignadas nas redes sociais.
Municipalista histórico, com vários mandatos e sucessivas votações expressivas, Alexandre consolidou-se nos bastidores como uma figura de estabilidade dentro de uma aliança que tenta justamente evitar aventuras, improvisos e turbulências desnecessárias em 2026.
Enquanto isso, cresce dentro do Palácio Iguaçu a percepção de que o caminho mais provável para Cristina é a disputa à Câmara dos Deputados. A vaga de vice na chapa governista, avaliam aliados do governador, poderá ser utilizada para acomodar outro partido estratégico na sucessão estadual.
E, convenhamos, em alianças grandes ninguém costuma guardar a cadeira principal para quem passou a campanha anterior tentando incendiar o auditório.
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