Em 1962 a seleção brasileira viajou para disputar a Copa do Mundo no Chile como uma das favoritas. Entre os titulares estavam 11 remanescentes da campanha vitoriosa de quatro anos antes na Suécia, além do capitão Bellini, do goleiro Castilho e do atacante Pepe, reservas. Era um time maduro, pronto para repetir o título, embora tenha perdido Pelé no segundo jogo, com distensão na coxa (0x0 contra a Tchecoslováquia). Foi substituído por Amarildo, que já entrou marcando gols na terceira partida, contra a Espanha.
Os jogos eram acompanhados pelo rádio, com audiência absoluta. Em Curitiba predominava a Cadeira Verde-Amarela Norte-Sul do Brasil, liderada pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo, retransmitida pela Rádio Clube Paranaense.
As partidas da seleção eram filmadas e a película enviada para São Paulo em um avião da Varig, que saía de Santiago todas as noites. Em seguida o filme era revelado de madrugada e distribuído às emissoras de televisão existentes no país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Curitiba e Porto Alegre.
Assim, na noite de segunda-feira, as famílias e amigos reuniam-se em frente aos aparelhos de tevê para ver aquilo que até então só tinham ouvido.
O Brasil continuou vencendo, até chegar à final, encontrando de novo a Tchecoslováquia, país que depois se dividiu entre a atual Chéquia e a Eslováquia. Houve uma manobra para incluir Garrincha na final, ele que tinha sido expulso na semifinal contra o Chile.
O tribunal da Fifa chamou para depor o bandeira uruguaio Esteban Marino, que já não estava mais no Chile: foi embarcado às pressas para Montevideu pelo árbitro brasileiro João Etzel Filho, de quem era amigo – Esteban Marino tinha apitado jogos do campeonato paulista, contratado pela federação local, onde conheceu João Etzel.
Sem o necessário testemunho do bandeira, o tribunal absolveu Garrincha. Depois de levar um susto com o gol do tcheco Masopust, a seleção venceu por 3 x 1, liberando a festa no país. Centenas de carros foram desfilar na Rua XV de Novembro, à época liberada para o tráfego de veículos.
Acontece que no dia seguinte a TV Paraná (hoje CNT), fez uma farta divulgação da exibição do jogo final, a ocorrer em horário nobre, naquela noite. A população sentou-se à frente das tevês e viu o jogo como se a decisão ainda não tivesse sido disputada. Foi uma emoção renovada.
Terminada a partida, com o bicampeonato garantido, o filme mostrou as comemorações, o gesto de erguer a taça de Mauro Ramos, repetindo Bellini na Suécia, os choros e o que mais tinha ocorrido no Estádio Nacional de Santiago.
Houve outro foguetório em Curitiba – e muitos automóveis voltaram à Rua XV para comemorar mais uma vez.
O Brasil tinha sido campeão de novo, um dia depois.
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