ANO IV

16/07/2026

HojePR

marcos traad

A fauna e a saúde ambiental nas cidades

16/07/2026
fauna

A fauna urbana pode ser definida como o conjunto de espécies de animais que habitam as cidades, tanto os domésticos (inclusive cães e gatos, sob os cuidados dos seus humanos responsáveis) quanto os silvestres, sejam nativos ou exóticos (que, de alguma forma migraram para as cidades, além dos que foram introduzidos pelo homem). A fauna silvestre nativa é composta pelas espécies que estão no seu habitat natural, ou seja, elas já existiam antes da chegada do homem.

Para a melhor compreensão do que acontece nos centros urbanos e nos seus arredores, quando a irresponsabilidade prevalece sobre a racionalidade, evidenciam-se algumas situações. Uma delas é a ocorrência de animais domésticos (principalmente cães e gatos) em situação de abandono nas cidades. Sabe-se que boa parte deles “não são de rua, apenas estão na rua”. Considerados como semi-domiciliados, há um tutor ou um domicílio qualquer desconhecido pelas autoridades. Tal situação é preocupante e há caminhos a serem seguidos para minimizar o problema.

A educação dos cidadãos é importante.

A Educação Para a Guarda Responsável deve ser estimulada de forma continuada pela sociedade organizada e pelo poder público. O propósito básico é o de mostrar que animais não são objetos e que, a partir do momento em que estão sob a nossa tutela, passam a integrar a família, precisam de cuidados, havendo custos para a sua manutenção.

Campanhas de castrações, ao contrário do que muitos sem o conhecimento técnico imaginam, não têm o papel preponderante de reduzir a população animal, notadamente a dos semi-domiciliados. Explico: a intensidade com a qual elas são feitas não tem alto impacto nesse sentido e, por si só não resolvem o problema. Não significa que não sejam importantes. São também o meio para ações educacionais e a ampliação dos bancos de dados dos animais, através da sua identificação e a dos seus tutores. É imprescindível o uso do microchip implantado no animal, associado a um sistema que contém dados cadastrais do tutor. Com isso, fica mais fácil localizar o domicílio e o responsável direto pelo animal. Quando em 2009 eu coordenava a implementação do Projeto de Proteção Animal da cidade de Curitiba, foi criado o Sistema de Identificação Animal (SIA) público, que atualmente possui 250 mil animais com seus respectivos tutores cadastrados. Há inclusive casos de animais perdidos ou furtados, encontrados através da identificação, garantindo mais segurança para o tutor e para o animal, assim como situações de abandono constatadas, por conta possibilidade de rastreabilidade do microchip.

O papel das instituições da sociedade organizada.

Existem instituições ligadas à proteção animal e protetores independentes, que exercem papel importante no acolhimento de animais e o seu encaminhamento para a adoção. Ocorre que, muitas vezes, o gesto de generosidade é em vão e o processo de abandono pode aumentar. Cidadãos que os abandonam se aproveitam de alguém que irá retirá-los das ruas, e, num ciclo contínuo, geram um número maior de animais a serem abrigados. A situação torna-se inadministrável, há o acúmulo de animais, cuja sobrevivência depende de doações feitas pelos que são sensíveis à causa.

No entanto, é importante que as instituições e as pessoas sejam apoiadas também pelo poder público. Deve, contudo, haver a consciência de que o dinheiro é público e finito, sendo fundamental o acompanhamento dos resultados e a devida prestação de contas à sociedade. Em suma: o resultado dos investimentos no acolhimento dos animais, na educação dos cidadãos para mantê-los com responsabilidade e nas castrações, tem que reduzir a situação de abandono e a população de animais que perambulam pelas ruas.

Alimentar animais livres nas cidades: problema ou solução?

Há uma rede de pessoas que alimentam animais nas ruas. Muitas vezes, sem perceberem, elas retroalimentam um processo de crescimento populacional exponencial. Grupos de animais se aproveitam da proximidade com o homem e com a oferta de alimentos, passando a ser vetores de doenças. Incluem-se nesse grupo, denominado de fauna sinantrópica (que vivem próximos ao ser humano), espécies silvestres (exóticas ou não) ou domésticas (não domiciliadas). Assim, mesmo com a boa intenção dos que oferecem os alimentos, é uma prática que deve ser evitada para o bem dos animais, sob pena de haver desequilíbrios que podem culminar com o que não queremos: a necessidade do seu extermínio.

E a solução para o bom convívio com os animais?

O fascínio pelos animais não é suficiente para mantê-los sob segurança e bem-estar e, algumas recomendações devem ser seguidas pelos que os amam. Entender que o comportamento do meu companheiro é distinto do meu é obrigação. Mesmo sendo politicamente incorreto mencionar: cães e gatos, por exemplo, não precisam de beijos e abraços, tampouco necessitam dormir na nossa cama para serem felizes. É importante que eles tenham os seus espaços e sejam condicionados a fazerem o que os seus tutores determinam, não o contrário. Para isso, há técnicas específicas que devem ser conhecidas, e que não trarão infelicidade ao animal. Castrem os animais sob a sua tutela, não contribua para o aumento populacional desenfreado. Dê preferência à adoção e não à aquisição no mercado. Respeitar os espaços onde vivem animais silvestres é obrigação, a nossa interferência é sempre prejudicial. Cumprir com a legislação existente sobre os direitos dos animais e os deveres dos tutores é responsabilidade de cada um e, se observada a situação de abandono e de maus-tratos, as autoridades competentes devem ser acionadas.

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