A liquidação do Banco Master, determinada pelo Banco Central nesta segunda-feira (18), e a prisão do seu controlador, Daniel Vorcaro, voltaram a lançar luz sobre o nome do empresário Nelson Tanure. As investigações que associam fundos ligados ao Master ao investidor reacenderam questionamentos sobre o alcance de seus negócios, inclusive no Paraná, onde Tanure se tornou um dos principais atores privados após a privatização do setor de telecomunicações.
Figura conhecida do mercado financeiro nacional, Nelson Tanure consolidou sua presença no Paraná a partir de 2020, quando seu grupo venceu dois dos mais relevantes processos de privatização do setor de telecom no estado. Em novembro daquele ano, por meio do Fundo Bordeaux, Tanure arrematou a Copel Telecom, braço de internet da Copel, por R$ 2,3 bilhões. Meses antes, o mesmo fundo havia adquirido a Sercomtel, operadora de Londrina, em operação que também despertou atenção pelo valor oferecido e pela velocidade da consolidação.
As duas companhias foram posteriormente reunidas, ao lado da Horizons Telecom e da Nova Fibra, sob a marca Ligga Telecom. A empresa não apenas assumiu a estrutura de fibra óptica da antiga Copel Telecom, como ampliou sua atuação ao participar do leilão do 5G promovido pela Anatel, vencendo lotes da faixa de 3,5 GHz. Em poucos anos, a Ligga se tornou um dos principais players da banda larga paranaense, assumindo posição relevante em municípios estratégicos, com presença ampliada no interior e participação em grandes contratos corporativos.
Reportagens publicadas pelo O Estado de S. Paulo e outros veículos de economia mostraram que, após consolidar a operação, Tanure iniciou negociações para vender a Ligga, numa transação avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões. Caso concretizada, a operação representaria praticamente o mesmo valor desembolsado para adquirir a Copel Telecom, reforçando o movimento de compra, reestruturação e posterior alienação característico da atuação do empresário em diversos setores.
As ligações entre Ligga e Banco Master
A presença de Tanure no Paraná ganha contornos adicionais diante das conexões documentadas entre a Ligga e o Banco Master, instituição agora liquidada. Em ata de reunião de diretoria de 19 de outubro de 2022, registrada pela própria Ligga, a companhia aprovou a contratação de uma Cédula de Crédito Bancário junto ao Banco Master, formalizando uma relação financeira direta entre a operadora controlada por Tanure e o banco de Daniel Vorcaro.
Além do financiamento, conteúdos de divulgação corporativa publicados em 2022 exibiram a Ligga e o Banco Master lado a lado na promoção de produtos de investimento, indicando associação comercial entre as duas empresas. Embora não haja, até o momento, menção pública por parte do Banco Central ou da CVM de que essa relação específica esteja sob investigação, o vínculo financeiro entre uma empresa controlada por Tanure no Paraná e o Master reforça a convergência entre os dois grupos justamente no período que antecedeu o aprofundamento das investigações federais.
CVM aponta atuação coordenada envolvendo Tanure e Banco Master
A relação entre Tanure e o Banco Master ganhou notoriedade nacional após reportagens do O Estado de S. Paulo. Em matéria publicada em 1º de julho de 2024, o jornal revelou que a CVM concluiu que fundos ligados ao Banco Master e ao investidor atuaram em conjunto com o controlador da Ambipar, Tercio Borlenghi Júnior, para inflar artificialmente as ações da empresa entre junho e agosto daquele ano.
Segundo o Estadão, a autarquia identificou movimentações atípicas e operações sincronizadas envolvendo fundos administrados pelo Master e veículos associados a Tanure, com compras sucessivas de ações que contribuíram para uma valorização superior a 700% no período investigado. Procurado pelo jornal, Tanure não respondeu às solicitações, e o Banco Master e a Ambipar também não se manifestaram.



