ANO IV

24/06/2026

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A Maldição do Líder e o caso Cazé na cobertura da Copa

24/06/2026
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Em 2020, a Rede Globo abriu mão dos direitos digitais da Copa do Mundo, acreditando que não valiam quase nada. Naquele momento realmente poderiam não valer, mas nunca imaginou que quatro anos depois, um canal de YouTube transmitiria todos os 104 jogos da competição, enquanto a emissora, apenas 55.

Isso é chamado de “a maldição do líder”. Toda organização que chega ao topo, desenvolve uma espécie de mecanismo de defesa, onde prioriza o que gera resultado rápido, mensurável e seguro. O que parece pequeno, experimental ou sem retorno imediato é deixado de lado.

Ao contrário, quem está lá embaixo — sem o peso da estrutura consolidada — enxerga oportunidades com olhos afiados e executa com velocidade e fome.

O caso do canal do Cazé já está sendo comparado a outros casos famosos como o da Kodak, empresa que inventou a fotografia digital e não soube valorizá-la, da Blockbuster, locadora de fitas e dvds de filmes que riu da Netflix e da Nokia, que dominava o mercado de celulares e subestimou os smartphones. Todas pagaram caro pela mesma razão: o filtro mental que só enxerga o que “move o ponteiro de resultados” imediatamente.
Isso é o “padrão que derruba gigantes”.

No mundo corporativo esse fenômeno se repete com frequência: empresas familiares ou grandes grupos que cresceram confortáveis com modelos que funcionaram por décadas, de repente se deparam com um concorrente menor, mais ágil, usando tecnologia de forma criativa e começa a roubar fatia de mercado. Ou ainda um funcionário traz uma ideia que parece “maluca” no primeiro momento, uma iniciativa digital que ainda “não se paga” é cortada e o “não é prioridade agora” vira a sentença de morte lenta.

O sucesso de ontem, muitas vezes, vira a cegueira de amanhã.

Liderança de verdade não é apenas gerir o presente com excelência. É ter a humildade e a visão para cultivar o que ainda não tem tamanho. É criar espaço para testes rápidos, para o piloto de IA que não entrega ROI imediato, para a parceria com uma startup que parece arriscada, para o canal digital que ainda está crescendo ou para o tempo dedicado a ouvir as novas gerações.

As empresas que sobrevivem e prosperam são exatamente aquelas que mantêm equipes dedicadas à inovação, valorizam experimentação barata e, acima de tudo, cultivam líderes que não têm medo de apostar no que ainda não é conhecido.

Trata-se de equilíbrio inteligente: entregar resultado hoje sem abrir mão do futuro.

O futuro raramente chega com números grandes e planilhas perfeitas. Ele costuma chegar disfarçado de experimento, de tentativa, de algo que ainda não provou seu valor. Quem tem fome não espera o ponteiro se mover sozinho. Move ele.

O momento é agora. Nunca é cedo demais.

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