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30/01/2023



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A volta do Terminal Guadalupe

 A volta do Terminal Guadalupe

Inegavelmente, a Pandemia foi um verdadeiro desastre pro Segmento Cultural. Bares e teatros fecharam, bandas acabaram, exposições foram canceladas, e por aí vai. Mas eis que no primeiro de abril último ouvimos uma boa notícia: após um hiato de 11 anos, o grupo Terminal Guadalupe está de volta. Com nova formação, lançaram o single “¿Qué Pasa, Cabrón?”, gravado em espanhol e considerado pelos integrantes um mantra punk em ritmo de cúmbia. Falaremos mais adiante sobre as singularidades desta gravação.

 

Terminal Guadalupe surgiu em 2003 a partir de um filme, o curta-metragem “Burocracia Romântica”. A trilha sonora foi seu primeiro álbum, considerado um dos cinco melhores lançamentos independentes daquele ano pelo crítico Arthur Dapieve, do jornal carioca O Globo. Ouça aqui.

 

O núcleo criativo do Terminal Guadalupe é composto pelo vocalista e letrista Dary Jr. e do guitarrista Allan Yokohama. No início, eles incorporaram o baterista Fabiano Ferronato e o baixista Rubens K, substituído em 2008 por Luciano Aires, o Marano.

 

O primeiro trabalho do quarteto foi o álbum “Vc vai perder o chão”, eleito o melhor disco independente de 2005 pelos leitores da revista Laboratório Pop e que levou o grupo a abrir um show da banda inglesa Placebo, em turnê pelo Brasil.

 

No ano seguinte, o TG regravou a canção “Que saudade de você” para o CD Tributo a Odair José, com artistas como Zeca Baleiro, Pato Fu, Mombojó e o Titã Paulo Miklos. Esta coletânea foi premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte como o melhor projeto especial na categoria MPB.

 

Em 2007, atingiram um grande momento com o álbum “A Marcha dos Invisíveis”, lançado em disco, MP3, pen drive (suporte então inédito no Brasil) e toque para telefone celular. Foi nessa época que ouvi o grupo pela primeira vez e senti que havia novamente algo inteligente na Terra das Araucárias.

 

A crítica aclamou o trabalho, especialmente a revista Veja e o jornal Folha de S.Paulo. As guitarras vigorosas e as letras politizadas ficaram conhecidas no País e a banda tocou de Cuiabá (MT) a Porto Alegre (RS). O videoclipe de “Pernambuco Chorou” foi destaque nos canais especializados em música, como a MTV Brasil e o Multishow, e no Festival da Nova Arte Brasileira, em Barcelona, Espanha. Em 2008 lançaram seu primeiro álbum ao vivo e integralmente virtual: “Como despontar para o anonimato”, à venda apenas em tocadores de MP3.

 

Em 2009, no auge da forma, quando estavam gravando o EP “O tempo vai me perdoar” com o produtor norte-americano Roy Cicala (John Lennon, Bruce Springsteen, Aerosmith), a banda encerrou suas atividades em um processo ainda mal explicado. No meio das gravações, Dary Jr. vai para um lado e Allan Yokohama para outro.

 

Veja o comunicado assinado no Orkut por Allan:

 

“O single “O tempo vai me perdoar”, com a música-título e mais três canções inéditas, está sendo finalizado em São Paulo e marca a despedida – pelo menos por ora – da banda. Os integrantes decidiram se dedicar a outros projetos musicais e pessoais. Nos próximos meses, o TG promete liberar tudo o que foi gravado pela banda em quase seis anos, entre álbuns oficiais, virtuais, shows, ensaios e especiais de rádio. Não há previsão de retorno. Agradecemos muito aos fãs, amigos, bandas amigas e familiares que sempre nos apoiaram durante a vida do TG”.

 

Sem gravar e se apresentar desde então, o vocalista Dary Esteves Jr, o guitarrista Allan Yokohama e o baterista Fabiano Ferronato se juntaram ao baixista Marcelo Caldas para gravar o álbum “Agora e Sempre”, com previsão de lançamento para junho de 2022. O trabalho é produzido por Iuri Freiberger (Tom Bloch, Frank Jorge, Selvagens à Procura de Lei) e Allan Yokohama, que além da guitarra do TG é o responsável pelo violão, teclado e voz. Tem participações de Rodrigo Lemos nos teclados e Iuri Freiberger na percussão digital.

 

Disse Dary Jr: “trazer o Terminal Guadalupe de volta foi uma imposição do momento. Estávamos confinados quando Allan me chamou para gravar um disco novo. A situação de abandono e desalento do país se encarregou do restante. Os outros músicos foram embora daqui em busca de melhores condições de vida. Como eu fiquei, achei que fosse necessário observar a rotina do nosso povo. A banda concordou e cá estamos, mais uma vez, examinando as coisas com algum humor, muita acidez e até esperança”.

 

“A música chama as coisas pelo nome e com alguma ironia, no embalo de um ritmo alegre, para falar da nossa tragédia”, conta Dary Jr. “Lançar o single justamente na data em que maus militares celebram um golpe contra a democracia é simbólico”, completa. O dia 31 de março divide com 1º de abril a titularidade do “Dia do Golpe Militar” no Brasil, que em 1964 instituiu a ditadura militar no país.

 

A pré-produção e as gravações de “¿Qué Pasa, Cabrón?” foram realizadas em diferentes cidades: Curitiba, no Brasil, onde mora Dary; Vila do Bispo, lar de Allan, e Lisboa, onde vive Marcelo, em Portugal; e Berlim, na Alemanha, onde Fabiano morava antes de ir para Frankfurt.

 

Mesmo sem lançar disco há tanto tempo, o grupo manteve uma base fiel e prepara uma turnê europeia para conquistar novos públicos com canções politizadas e intensas em português, espanhol, inglês e italiano.

 

“¿Qué Pasa, Cabrón?” foi gravado nos estúdios 13Hybrid (bateria e vocais), em Lisboa, e Arnica (voz principal), em Curitiba, e nas casas dos músicos, entre 2021 e 2022. Sinta a qualidade musical da banda abaixo:

 

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