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23/06/2024

Vada a bordo!

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Os modernos navios internacionais de cruzeiros colocaram o Brasil na rota de verão no hemisfério sul a partir do fim da década de 1960, com o Andrea C, da Costa Crociere. Antes havia os navios operados pela Agaxtur, como Anna Nery, Rosa da Fonseca e os dois princesas, o Isabel e o Leopoldina, fazendo viagens na costa brasileira e até o Rio da Prata.

 

Invejei aquelas viagens durante anos, até que, em 1986, reuni a família e fomos a Punta del Este e Buenos Aires no Eugenio C (foto). Viagem, digamos assim, sem sustos institucionais, mas com um imenso terror familiar. Marco, filho caçula então com três anos, resolveu abandonar as atividades da recreação e foi embora procurar sabe-se lá o quê. O navio tinha nove andares. Montamos uma força-tarefa, composta pelos outros cinco integrantes da família, e saímos a esquadrinhar salões, bares, restaurantes e piscinas, até a mãe encontrá-lo andando em um corredor, calmo e faceiro.

 

Três anos mais tarde, o casal fez novo cruzeiro no Eugenio C, desta vez no Mediterrâneo, com direito a escalas em Catânia, Egito, Israel, Chipre, Rhodes, com desembarque em Gênova. E, em 1994, sem a presença do Fábio, filho mais velho, a família replicou o cruzeiro a Buenos Aires no mesmo navio. Foi a ocasião em que a Tânia passou mal no jantar de gala do comandante. Levei-a ao hospital de bordo, onde um médico hispânico lhe fez a pergunta: “A señora está embarazada?”. Ela respondeu que sim, estava muito embaraçada com aquilo.

 

Foi o suficiente para o doutor me cumprimentar pelo novo herdeiro. Assim, por causa da suposta gravidez, receitou apenas repouso. Foi a minha vez de ficar muito embaraçado.

 

Anos mais tarde, Tânia, Thaís e eu fizemos um cruzeiro de Ilhéus a Fernando de Noronha, com escala em Maceió e desembarque no Recife. Tudo correu bem até a chegada pernambucana, quando Thaís torceu o pé em uma calçada. Diagnóstico: fratura, gesso e péssimo humor da filha acidentada, impedida de pular o carnaval na semana seguinte.

 

Em 1999, no aniversário de oito anos da Jéssica, fizemos o último cruzeiro com a família reunida, então composta por seis pessoas – hoje são 17. O imenso navio da Disney nos levou a Nassau, nas Bahamas, e à ilha de Castaway Cay, no Caribe, administrada pelo Mickey.

 

Para finalizar as viagens de navio, eis que o casal de advogados José Lucio e Suely Glomb convidaram a Tânia e a mim para o cruzeiro do Roberto Carlos no Costa Concordia. Desfrutamos dias de boas diversões, sob o comando do Comandante Francesco Schettino. O nome lhe diz alguma coisa?

 

Pois foi uma das últimas viagens daquele comandante cretino, intimado pelo oficial da Capitania dos Portos italiana, Gregorio de Falco, para voltar ao navio, o mesmo Costa Concordia, depois de realizar a suprema barbeiragem de naufragá-lo na costa da Ilha de Giglio e fugir para terra firme. Consta que Schettino estava de caso com uma bailarina da Moldávia. É possível que os pombinhos se inspirassem ouvindo My Heart Will Go On, com Céline Dion, a trilha sonora do filme Titanic.

 

O que entrou para história foi a ordem do oficial ao comandante:

 

– Vada a bordo, cazzo!

 

Ele não voltou, foi julgado e preso. Poderia ter alegado que perdeu o rumo desde a viagem ao Brasil. Foram tantas emoções…

 

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