Em setembro de 2023, Curitiba homenageou Anita Garibaldi, a “Heroína de Dois Mundos” com a inauguração deste monumento, localizado no Jardim das Esculturas do Palácio Garibaldi, que já abriga uma escultura do seu marido, Giuseppe. Esta estátua, criada pelo artista Carlos Henrique Tullio, celebra a herança cultural de Anita e o seu legado histórico, integrando o palácio à rota internacional da sua memória. Seu pai era um tropeiro nascido em São José dos Pinhais, estabelecendo assim uma ligação com nossa região.
Sua vida fascinante começou em Laguna (SC), aos 30 de agosto de 1821, sob o nome de Ana Maria de Jesus Ribeiro e terminou em Ravena (Itália). Foi uma das maiores revolucionárias brasileiras, conhecida por sua participação na Revolução Farroupilha e no processo de unificação da Itália junto com seu segundo marido, o italiano Giuseppe Garibaldi. Foi dele que recebeu o apelido de Anita e ela o chamava de José.
Seu local de nascimento é controverso. Alguns estudiosos alegam que teria nascido em Lages, que na cúria metropolitana daquela cidade estaria o registro dos irmãos mais velho e mais novo dela, e que teria sido retirada do livro a folha do registro de seu nascimento. Em 1998, entidades representativas da sociedade civil de Laguna promoveram uma ação judicial para obter o registro de nascimento tardio de Anita Garibaldi. A ação tramitou na primeira vara da comarca de Laguna, sendo instruída com diversos documentos, entre outros sua certidão de casamento com Giuseppe, que comprovariam seu nascimento no município de Laguna.
Na infância chamada de Aninha, ela foi a terceira de dez filhos. Seu pai transportava gado por estradas que vinham desde Viamão (RS) até São José dos Pinhais (PR), passando naturalmente por Santa Catarina. Sua mãe, nascida em Lages, era descendente de açorianos originários da Ilha de São Miguel. Durante a maior parte da infância de Aninha a família residiu em uma casa rústica de pau-a-pique na localidade de Morrinhos, nos arredores de Laguna (hoje bairro Anita Garibaldi, em Tubarão).
No livro “Anita – Guerreira das Repúblicas e da Liberdade”, Adilcio Cadorin assim nos descreve o pai de Anita Garibaldi:
“Bento Ribeiro da Silva, por ser bastante alto, corpulento e por demonstrar grande disposição e habilidade para as lidas com tropeadas de gado, ficou conhecido em todos os caminhos de tropas como “Chico Bentão” ou, simplesmente, “Bentão”. Pelas dificuldades de comunicação da época, e dada a natureza de seu trabalho como tropeiro, que cruzava por estradas diferentes e distantes, tornou-se uma espécie de porta-voz, trazendo e levando notícias políticas, narrando os acontecimentos de uma região para a outra. Assim, também ficou conhecido como sendo um “politiqueiro”.
“Embora não exista documento que comprove oficialmente, sabe-se que Bento Ribeiro da Silva, o pai de Ana Maria de Jesus Ribeiro, faleceu por volta do ano de 1834 na localidade da Carniça, hoje Campos Verdes, pertencente à Laguna. Provavelmente foi vítima de tifo ou de uma cirrose hepática, já que bebia muito, ou ainda teria sido vítima de um acidente, quando estava na cobertura de um galpão e um caibro rompeu-se devido ao peso, fazendo-o cair sobre um palanque que lhe perfurou o abdômen letalmente.”
Ele que ensinou Aninha a galopar desde criança e estimulou-a a prezar pela sua liberdade, o que moldou o gênio independente da garota. Após sua morte, a família ficou sem recursos ou receitas que garantissem a sobrevivência, o que levou a mãe de Aninha a buscar trabalho em residências no centro de Laguna.
Durante esse período, a família foi visitada diversas vezes por Antônio da Silva Ribeiro, irmão de Bentão, quando este passava por Laguna durante suas viagens: ele também era tropeiro. Antônio era republicano, e se declarava a favor de uma revolução como forma de conquistar mudanças. Devido às suas pregações críticas à monarquia, foi perseguido e teve sua casa em Lages incendiada por soldados imperiais, o que o levou a se refugiar com parentes em Laguna. Sempre que tinha oportunidade, nas casas ou nas estradas, à luz de lampiões ou do sol, quando havia alguém disposto a ouvi-lo, Tio Antônio fazia a apologia das vantagens do regime republicano. Aninha foi sua mais constante e atenta ouvinte.
Em “Anita – Guerreira das Repúblicas e da Liberdade”, há um trecho importante sobre sua formação:
“Com estatura acima da média, Aninha tornou-se uma mocinha de corpo esbelto e muito atraente, com olhos e cabelos negros, além de uma pele morena viçosa, que passou a fascinar muitos jovens e adultos do local. Andar à moda do pai era o seu maior prazer e isso constituía um perigo para uma menina-moça cobiçada pelos homens nessas paragens quase que desertas. Mais de uma vez alguns atrevidos haviam pretendido barra-lhe o caminho, no propósito de dominá-la e seduzi-la pela força. Amazona ágil e decidida, saltava sempre a distância livrando-se do cerco, chicoteando, sempre que podia, os seus rústicos conquistadores.”
Após a morte do pai e o casamento de Felicidade, sua irmã mais velha, que mudou para o Rio de Janeiro, Aninha cedo teve que ajudar no sustento familiar e, por insistência materna, casou-se, em 30 de agosto de 1835, exatamente no dia em que completou 14 anos, com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, na Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos da Laguna. Alguns dias depois, eclodiu no Rio Grande do Sul a Revolução Farroupilha. O casamento, descrito por ela como uma “farsa” em uma carta enviada a seu tio, foi marcado pelo desinteresse no relacionamento por ambas as partes, e não gerou filhos. Nesta carta ela afirma: “Quero que saiba que o meu casamento não é um casamento verdadeiro. Desde o começo, eu me recusei a ir para a cama com o Manuel, e ele não insistiu, pelo menos até agora. Pedi para ele me desculpar, mas eu não queria ir para a cama sem amor. Ele parece resignado a esperar, ou talvez tenha pena de mim. Talvez ele seja melhor do que eu pensava. Mas então por que se prestou ao jogo cruel dos outros?” Após poucos anos de matrimônio, em 1837 ou 1838, Manuel Duarte de Aguiar, como monarquista, alistou-se no Exército Imperial, abandonando a jovem esposa aliviada.
Após a Batalha do Seival, em setembro de 1836, a República Riograndense foi proclamada pelos rebeldes. Nos anos que se seguiram o sentimento revolucionário aumentou em Laguna, onde a grande maioria da população apoiava a causa republicana. No início de 1836, soldados da Guarda Nacional da vila recusaram-se a obedecer a ordens do presidente da província, Albuquerque Cavalcanti, de guarnecer a fronteira com o Rio Grande do Sul. Em julho do mesmo ano, o Ministro da Justiça do Império, Aguilar Pantoja, exigiu respostas do governo catarinense em relação à Laguna, onde embarques clandestinos de pólvora estavam sendo feitos e enviados aos farrapos no sul. Em 22 de julho de 1839, o exército farroupilha tomou Laguna após derrotar os navios da Marinha Imperial que patrulhavam a vila. A invasão foi realizada somente com o barco Seival, comandado pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi. Ele estava no Brasil desde 1835, onde se refugiou após ser condenado à morte na Itália e no mesmo ano juntou-se a causa da Revolução Farroupilha, recebendo uma carta de corso de Bento Gonçalves. A entrada das tropas republicanas em Laguna foi celebrada pela população, e, em 29 de julho, a República Catarinense foi proclamada na câmara municipal.
Aninha tinha 18 anos em 1839, quando encontrou-se com Giuseppe Garibaldi, que já ia pelos seus 32 anos de idade. Em Laguna, a bordo da embarcação Itaparica, tomada do inimigo e armada com sete canhões, Garibaldi observava com uma luneta as casas da barra da cidade. Observou então, em um grupo de moças que passeava, uma jovem cujo rosto conquistou sua imaginação e seu coração. Providenciou um barco, foi até a margem e depois até o local onde a tinha visto, porém ela já tinha ido embora.
Havia perdido a esperança de encontrá-la, quando um habitante local o convidou a ir a sua casa para um café. Garibaldi aceitou e na casa viu a jovem que procurava. Assim ele relata o encontro em suas memórias:
“Entramos, e a primeira pessoa que se aproximou era aquela cujo aspecto me tinha feito desembarcar. Era Anita! A mãe de meus filhos! A companhia de minha vida, na boa e na má fortuna. A mulher cuja coragem desejei tantas vezes. Ficamos ambos estáticos e silenciosos, olhando-se reciprocamente, como duas pessoas que não se vissem pela primeira vez e que buscam na aproximação alguma coisa como uma reminiscência. Saudei-a finalmente e disse-lhe: ‘Tu deves ser minha!’. Eu falava pouco o português, e articulei as provocantes palavras em italiano. Contudo fui magnético na minha insolência. Havia atado um nó, decretado uma sentença que somente a morte poderia desfazer. Eu tinha encontrado um tesouro proibido, mas um tesouro de grande valor. ”
Ele não sabia que Anita tinha o visto alguns dias antes na missa oferecida por Laguna para os farroupilhas. Ela assistiu ao Te Deum, e lá avistou, em meio aos líderes farrapos, que estavam postados junto ao altar, a figura de um homem de estatura mediana, com um cabelo longo e loiro e olhos azuis muito vivos, por quem, subitamente, foi presa de um sentimento que jamais havia tido a oportunidade de sentir. Garibaldi vestia botas compridas com calças pretas, parcialmente cobertas por um poncho cinza. Na cabeça usava um barrete chato, de marinheiro da Sardenha. Ali o destino de ambos foi selado.
Habilidosa amazona, ela se torna mestra de equitação do inexperiente marinheiro, e ele, por seu turno, estreou-a nas técnicas militares. Assim iniciaram uma nova vida juntos, cavalgando livres pelas praias de Laguna, onde permaneciam por horas e horas a conversarem e amarem-se. Logicamente, o romance entre um estrangeiro e uma mulher casada causou um alvoroço nas convenções locais, mas nenhuma força seria suficiente para impedir o que o futuro lhes reservava pelos próximos dez anos.
Em outubro de 1839, Anita decide seguir Garibaldi, subindo a bordo de seu navio para uma expedição militar. Na enseada de Imbituba recebeu o batismo de fogo, quando a expedição corsária foi atacada pela marinha imperial do Brasil, com seus três maiores navios. Sob fogo intenso, um dos tiros de canhão matou vários marinheiros, que cobriram Anita de sangue, mas ela se salvou ilesa. Apesar da desproporção de forças, a marinha imperial se afasta de Imbituba, e os republicanos conseguem a vitória, mesmo com muitas mortes e sérias avarias em suas embarcações. Com grande dificuldade, Garibaldi conduz três navios para Laguna no meio da noite.
Dias depois, em 15 de novembro, Anita confirma sua coragem e seu amor heroico a Garibaldi na famosa batalha naval de Laguna, contra Frederico Mariath, na qual se expõe a grande risco de morte, atravessando uma dúzia de vezes a bordo da pequena lancha de combate para trazer munições em meio a uma verdadeira carnificina. Anita também combateu ao lado de Garibaldi em Santa Vitória. Depois passou o Natal de 1839 em Lages, onde tiveram uma espécie de lua de mel.
Em 12 de janeiro de 1840, Anita participou da Batalha de Curitibanos, na qual foi feita prisioneira. Durante a batalha, Anita provia o abastecimento de munições aos soldados. O comandante do exército imperial, admirado de seu temperamento indômito, deixou-se convencer a deixá-la procurar o cadáver do marido, supostamente morto na batalha. Em um instante de distração dos guardas, tomou um cavalo e fugiu. Após atravessar a nado com o cavalo o rio Canoas, chegou ao Rio Grande do Sul, e encontrou-se com Garibaldi em Vacaria. Desde sua fuga, Anita cavalgou cerca de 220 quilômetros em apenas 4 dias. Surpreso com o feito, o coronel Teixeira Nunes perguntou a Anita como tinha conseguido chegar tão longe sozinha, ao que ela respondeu: “Vim vindo, coronel, vim vindo!”
Em 16 de setembro de 1840, nasceu no estado do Rio Grande do Sul, na então vila e atual cidade de Mostardas o primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Menotti Garibaldi, em homenagem ao patriota italiano Ciro Menotti. Doze dias depois, o exército imperial, comandado por Francisco Pedro de Abreu, cercou a casa para prender o casal, e Anita fugiu a cavalo com o recém-nascido nos braços, alcançando um bosque aos arredores da cidade, onde ficou escondida por quatro dias, se alimentando de frutas e folhas e dando de mamar à criança, até que Garibaldi os encontrou.
Em 1841, quando a situação militar da República Rio-Grandense tornou-se insustentável, Garibaldi solicitou e obteve do general Bento Gonçalves da Silva a permissão para deixar o exército republicano. Anita, Giuseppe e Menotti mudaram-se para Montevidéu, no Uruguai, e receberam um rebanho de 900 cabeças de gado, das quais, depois de 600 km de marcha, 300 chegaram a Montevidéu, em junho de 1841.
No Uruguai, em 1842, dois anos e meio após seu encontro, o casal legalizou sua união, na igreja de São Francisco de Assis, em Montevidéu. A certidão de casamento era exigida pela constituição do Uruguai a quem aspirava cargos públicos. Garibaldi foi indicado comandante da pequena frota uruguaia, que combatia a potente esquadra naval argentina, comandada pelo almirante William Brown. No Uruguai nasceram os outros três filhos do casal: Rosa (1843), Teresa (1845) e Ricciotti Garibaldi (1847). Rosa faleceu aos dois anos de idade, asfixiada por uma infecção na garganta, o que fez Anita e Giuseppe sofrerem muito.
Em 1846, Garibaldi tentou enviar Anita e as crianças a Nice, na Europa, mas obteve um parecer negativo do Ministério dos Negócios Estrangeiros do rei Carlos Alberto. Mais tarde, Anita, com seus três filhos e outros familiares dos legionários italianos exilados partem finalmente em janeiro de 1848, em um barco com destino a Nice, onde foram confiados por um tempo aos cuidados da mãe de Garibaldi.
Se na América Anita ainda não tinha sido notícia de jornais, a sua chegada em Gênova foi divulgada na imprensa italiana. O Jornal Corriere Mercantile, de Gênova, em sua edição de 4 de março de 1848, foi um dos que registraram a notícia:
“Chegaram ontem à nossa cidade a mulher e os filhos de Giuseppe Garibaldi. Uma multidão de cidadãos dirigiu-se esta manhã à sua casa, aclamando o ilustre guerreiro que defendeu e faz crescer a honra das armas italianas, combatendo na América pela causa da liberdade. Uma bandeira nacional foi oferecida com nobres palavras à valorosa mulher; e, com vivo entusiasmo, foi saudado o retrato do valoroso genovês.”
Anita Garibaldi exprime com estas palavras o seu reconhecimento: “- Genoveses! Suas generosas e intensas aclamações à minha chegada em sua cidade revelaram-me que me encontrava em terra habitada por italianos oriundos da virtude de seus antepassados. Juntamente com o capitão Tommaso Risso, da Itálica Legião de Montevidéu, que me acompanhava, ofereço-lhes em tributo o meu muito obrigado de coração. Até agora tive a felicidade de pertencer a um homem que, pela causa da liberdade, dissipava em solo estrangeiro um valor inútil à sua própria pátria. Terei alcançado o auge de minha esperança quando ele tiver que combater por esta terra e quando também eu me mostrar italiana.”
O próprio Garibaldi reuniu-se a eles alguns meses depois, quando voltou do Uruguai para lutar na Lombardia contra o exército austríaco. Os mais fiéis e que comungavam com a ansiedade patriótica pela unificação da Itália seguiram com Garibaldi e embarcaram no navio originário do Reino da Sardenha, chamado de “Bifronte”, rebatizado especialmente para esta viagem com o nome de “Speranza”. Em seu mastro ia uma bandeira tricolor, que mais tarde seria adotada como a bandeira italiana. Como era necessário cumprir a promessa feita a Anita, junto consigo também levou os restos mortais de sua falecida filhinha Rosita, levados em uma pequena urna de chumbo, subtraída por seus comandados do Cemitério Central de Montevidéu. Garibaldi havia permanecido 12 anos e meio na América.
Ao final de 1848, o Papa, temendo as forças liberais, abandonou Roma, para onde foram Anita e Garibaldi junto com um grupo de voluntários. Em fevereiro de 1849, Giuseppe foi eleito deputado republicano na assembleia constituinte da recém-proclamada República Romana, mas a invasão franco-austríaca de Roma, depois da batalha no Janículo, obrigou-os a abandonar a cidade, junto com 3 900 soldados (800 deles a cavalo). Em sua perseguição saíram três exércitos (francês, espanhol e napolitano) com quarenta mil soldados. Ao Norte, lhes esperava o exército austríaco, com quinze mil soldados. Anita e o marido tinham que enfrentar a guerra e lutar para salvar o território italiano. Mesmo grávida do 5º filho, ela enfrentou tudo até o fim.
Anita, no final da gravidez, tentou não ser um peso para o marido, querendo deixá-lo despreocupado para lutar sozinho na guerra, mas suas condições de saúde pioraram quando atingiram a República de San Marino. Ela e Garibaldi decidiram não aceitar o salvo-conduto oferecido pelo embaixador americano e continuaram a fuga, pois não teriam como lutar contra milhares de soldados e se fossem presos, morreriam na cadeia. Com febre e perseguida pelo exército austríaco, foi transportada às pressas à fazenda Guiccioli, próximo a Ravena. Nos três quilômetros faltantes, Garibaldi seguiu a charrete a pé, fazendo sombra a Anita com um guarda-chuva, protegendo-a do fustigante sol. Naquele lento trajeto, por terreno que não era estrada de carruagem, Anita balbuciou suas últimas palavras a Garibaldi. Disse-lhe que não tinha medo, mas que sabia que seu fim estava próximo. Pediu para que Giuseppe falasse com os filhos, que gostaria de estar com eles, que os amava muito, mas que, tendo prenunciado a hora derradeira, escolheu estar perto do seu homem, lutando pela mesma causa. Implorou que a justificasse perante os filhos, que lhes falasse sobre como era difícil para ela ser mãe, esposa de um homem como ele e compelida pelo dever de consciência a ter que lutar por um ideal. Anita morreu, com apenas 28 anos, junto com a criança, em 4 de agosto de 1849, para desespero de Garibaldi.
Caçado pelos austríacos, sem nem sequer poder acompanhar o sepultamento da esposa, Garibaldi saiu outra vez para o exílio nos Estados Unidos e, nos cinco anos em que esteve fora da Itália, os restos mortais de Anita foram exumados por sete vezes. Por vontade do marido, seu corpo foi transferido a Nice. Em 1932, seu corpo foi finalmente sepultado no monumento construído em sua homenagem no Janículo, em Roma.
Garibaldi voltou à Itália em 1854, chegando a Gênova em 6 de maio, logo seguindo para Nice. Comprou em 29 de dezembro uma parte dos terrenos de Caprera, uma ilha do arquipélago de La Maddalena que viria a ser sua residência. A partir da casa de um pastor, construiu, juntamente com 30 amigos, uma fábrica. Logo em seguida, a ilha passou a ser totalmente sua.
Numa nova guerra contra a Áustria, em 1859, assumiu o posto de major-general e dirigiu a campanha que terminou com a anexação da Lombardia pelo Piemonte. Comandou as célebres camisas vermelhas entre 1860 e 1861, que utilizando táticas de guerrilha aprendidas na América do Sul, conquistou a Sicília e depois o reino de Nápoles, até então sob o domínio dos Bourbons. Após a realização de plebiscitos nas regiões centrais da Umbria, Marcas e do reino sulista das Duas Sicílias, Garibaldi renunciou aos territórios conquistados, cedendo-os ao rei de Piemonte, Vítor Emanuel II.
Em 1862 liderou uma nova expedição contra as forças austríacas e depois dirigiu suas tropas contra os Estados Pontifícios, convencido de que Roma deveria ser a capital do recém-criado estado italiano. Em sua última campanha, lutou ao lado dos franceses entre 1870 e 1871, na guerra Franco Prussiana. Participou da batalha de Nuits-Saint-Georges e da libertação de Dijon. Por seus méritos militares, Garibaldi foi eleito membro da Assembleia Nacional da França, em Bordeaux, mas voltou para a Itália em 1874, sendo eleito deputado no Parlamento italiano. Giuseppe Garibaldi viveu seus últimos anos em retiro na sua ilha de Caprera, onde faleceu no dia 2 de junho de 1882.
Considerada, no Brasil e na Itália, um exemplo de dedicação e coragem, Anita foi homenageada pelos brasileiros com a designação de dois municípios, ambos no estado de Santa Catarina: Anita Garibaldi e Anitápolis. Existem vários monumentos em sua homenagem no Brasil e na Itália, incluindo um monumento equestre em Roma onde seus restos mortais estão sepultados, o monumento de Giuseppe e Anita Garibaldi em Porto Alegre, o monumento original em Tubarão (SC), e o mais recente aqui em Curitiba. Em abril de 2012, Dilma Roussef sancionou a Lei 12 615 que determinou a inscrição do nome de Anita Garibaldi no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.
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