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A trilha da sucessão: premissas

06/02/2025

I. Como preparar herdeiros e sucessores: treinamento, formação continuada, estágios, mentoria e coaching.

II. O day after – 0 dia seguinte – do sucedido: como planejar e gerenciar o impacto do novo ciclo.

Quando abordamos o tema sucessão, a primeira “leitura” que fazemos é que ela acontece na perspectiva do sucessor.

No entanto, em qualquer sucessão existe o sucedido e o sucessor. Essa dualidade é relevante na medida em que, na moderna família empresária é um equívoco que o processo seja focado somente na figura do sucessor – herdeiro sucessor, filho ou filha que sucederão o fundador, o pai ou a mãe, ou outro sucedido; deve ser focado também no sucedido, pois afinal este processo impacta tanto um como o outro.

As consequências pessoais, profissionais e principalmente emocionais poderão ser desconfortáveis caso o processo sucessório não seja elaborado com responsabilidade, método, critério e profissionalismo.

Portanto, a “trilha” ou a caminhada da sucessão não se faz sozinho. É uma rota que deve ser seguida pelos dois de forma simultânea e solidária. É preciso trilhá-la com ajuda e colaboração recíproca, pois nem sempre o caminho é curto, ao contrário, costuma ser longo e árduo.

Daí a necessidade do comprometimento, direcionamento e clareza para que se chegue ao destino traçado, que é a sucessão comprometida com os objetivos partilhados e convencionados entre os familiares, mas principalmente entre o sucedido e o sucessor.

Afinal, o resultado desse processo lento e complexo impacta diretamente a empresa, a família, os colaboradores, fornecedores, demais sócios e a comunidade em geral e em especial o mercado.

Neste ponto reside, mais do que nunca, a convivência e a aplicação simultânea das três áreas científicas que suportam a família empresária: psicologia, gestão / administração e direito.

Por essa razão, quando se trata de processo sucessório é preciso ser zeloso, paciente, transparente e exercer um protagonista consciente e participativo em um cenário de necessidade e irreversibilidade.

Algumas premissas e etapas de convencimento devem estar solidamente alicerçadas nos protagonistas – sucedidos e sucessor – como fatores imprescindíveis para o início do processo, a saber:

O fim do “pacto da imortalidade” do fundador. A sabedoria do fundador, neste ponto, consiste na conscientização de que não é através da empresa que ele fundou, trabalhou a vida inteira e criou um legado que terá certas de que terá um certificado de “imortal “. A imortalidade poderá ser preservada, se possível, caso seja elaborado um processo sucessório corretamente. Afinal, o sucedido é mortal e a empresa e o legado poderão ser imortais diante da sabedoria, técnica e atitude por parte dos protagonistas da sucessão. É o momento do descolamento – criatura/empresa e criador/fundador devem seguir seus próprios caminhos – para que haja a perpetuidade da sua obra. Esse é o primeiro passo e por isso mesmo requer sabedoria e humildade, mesmo não sendo fácil a tomada de decisão de “passar o bastão”.

Não se pode vincular a sucessão com a ideia de morte do sucedido. Pelo contrário, a sucessão deve ser feita a partir da sua vida e em vida dele. Quanto mais saudável física e emocionalmente ele estiver, melhores e mais lúcidas serão as decisões.

 

 

Respeito e renovação do compromisso ao princípio de pertencimento. Na medida em que seja reforçado para os demais familiares que a escolha do sucessor ou do modelo de sucessão não implica o alijamento dos demais herdeiros, uma vez que a sucessão impacta somente na condução da empresa da família, e não os demais ativos da família empresária – patrimônio e assuntos familiares. Trata-se de uma premissa que deve ser respeitada com zelo, pois basta um sócio mal preparado insatisfeito para destruir a sociedade e a união.

Estrita observância dos termos do Protocolo Familiar elaborado e praticado por todos os integrantes familiares no Conselho de Família, de onde surgiram os requisitos e as normas da sucessão conforme as regras da governança dos três ativos. Isso significa dizer que quando se inicia o processo sucessório da empresa, nenhum familiar será surpreendido, especialmente porque o regramento foi participativo e discutido no fórum da família antes de se chegar ao fórum da empresa. Portanto, a premissa do respeito às governanças familiar e empresarial é decisiva para o processo de sucessão, na medida em que através das mesmas é que se aplica e executa a sucessão, ou seja, a mesma já foi concebida pela própria família, dentro do Conselho Familiar, respeitando os normas do protocolo.

Respeito à vontade e a liberdade das partes, pois as mesmas podem escolher pela sua inserção ou não no modelo familiar no que diz respeito à empresa. Os fóruns para consagração do princípio da liberdade podem e devem ser utilizados pelos sócios ou herdeiros, atendendo algumas máximas, dentro as quais destacamos a mais emblemática: “irmão eu herdo, mas sócios eu escolho…!” Da mesma forma, se o fundador/sucedido sonhou com um dos filhos como seu sucessor, e este, por mais que preencha os requisitos, optar por não o ser, deve manifestar essa sua posição sem nenhum constrangimento ou receio, assim como sucedido deve respeitar a vontade do eventual sucessor

Necessidade de acompanhamento por profissionais especializados, pois há que se seguir uma metodologia científica e cuidadosa, que seja a guardiã da isenção e da técnica que o processo exige.

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