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Os núcleos familiares e a sucessão

04/12/2025
sucessão

As empresas familiares evoluem por ciclos. O primeiro é o ciclo do fundador, caracterizado por uma estrutura praticamente unipessoal, em que a referência central é a figura marcante do empreendedor que iniciou o negócio.

O segundo ciclo é o da sociedade entre irmãos, quando os herdeiros ou sucessores passam a atuar como conselheiros e/ou gestores da empresa. Já o terceiro ciclo é o consórcio de primos, no qual integrantes da terceira geração podem também estar à frente dos negócios familiares.

Essa transição entre ciclos, inevitavelmente, gera impactos significativos na sucessão e na condução da empresa. Estatisticamente, apenas 47% das empresas conseguem migrar da primeira para a segunda geração, e apenas 25% alcançam a terceira. Quanto à quarta geração, os índices não chegam a 7%. Nesse cenário, torna-se fundamental compreender a construção e a expansão dos chamados núcleos familiares.

O núcleo matriz, ou núcleo raiz, corresponde ao fundador e seus filhos. Embora apresente desafios sucessórios próprios, os riscos e as consequências dessa passagem geracional não são tão intensos quanto no momento em que se inicia a segunda geração, na qual surgem, no mínimo, dois ou três novos núcleos.

A partir daí, forma-se uma complexa rede de relacionamentos: primeiro, dentro de cada núcleo — já que cada herdeiro terá seus próprios filhos — e, posteriormente, entre os diversos núcleos — o núcleo do filho um com o do filho dois, três, quatro e assim por diante.

Por isso, recomenda-se que, a partir da segunda geração, o processo sucessório seja analisado sob a ótica do conceito de núcleo. Cada núcleo deve ter representatividade na sociedade mãe por meio de um representante, assumindo a responsabilidade de autogerenciar-se para, só então, dialogar e interagir com os demais.

Trata-se de um processo delicado, que deve ser estruturado de forma preventiva. É comum observar que uma empresa que nasceu unipessoal pode, já na terceira geração, comportar 18, 20 ou até 22 herdeiros. Se não houver uma organização que reconheça cada núcleo e sua representatividade — seja ela de capital ou de participação pessoal nos negócios — os índices de continuidade, que hoje já são desafiadores, tendem a retroceder ainda mais.

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