Estrelas do futebol como Neymar, Gabigol e Lucas, do São Paulo, não jogam ou não querem jogar em campos com grama sintética. No jogo entre Palmeiras e Fluminense, na quarta-feira (25), Bernal e Lucho Acosta, ambos do time carioca, sofreram lesões no primeiro tempo. No intervalo, o comentarista da Globo se apressou em transferir a culpa para o gramado artificial da Arena Barueri. Pouco importa a avaliação do departamento médico. ‘O assassino é o mordomo e pronto’, diria o Inspetor Closeau. Mas, nesse caso, estaríamos entrando no campo da comédia, não do futebol.
Análise recente feita por especialistas em traumatologia e ortopedia do esporte concluíram que não há diferença estatística significativa na incidência total de lesões de jogadores, comparando-se as duas superfícies. Metade dos estádios da NFL, a liga de futebol norte-americana, utiliza a grama sintética. Eles chamam de futebol, mas é ‘rugby’ com armadura e bola oval. Ralar o joelho em um esporte como esse, aliás, é fichinha, se considerado que derrubar, destruir e massacrar o adversário importa mais do que ficar com a bola. A Fifa conta com programa de qualidade estabelecido para classificar os gramados sintéticos. Os que atendem as exigências podem utilizar o sintético com a benção e o selo da entidade máxima do futebol. O Corinthians sagrou-se campeão mundial em 2001 sem ganhar a Libertadores. Mas o torneio tinha o selo da Fifa. Acate-se!
Esporte brutão
Em um mundo ideal, os estádios brasileiros teriam gramados naturais que poderiam ser chamados de tapete. Mas é justamente o contrário. A grama que aqui viceja foi plantada por Átila, o Huno. No Brasileiro do ano passado, o meia Lucas Evangelista sofreu uma contusão na Fonte Nova, estádio do Bahia. Lá, a grama é natural, mas grama não há. Assim o colossal Maracanã, por longa jornada, e outros milhares de campos do país, onde, em tais condições, o que se pratica é o esporte brutão. Bretão jamais.
Neymar, o senhor contusão, não perde oportunidade para criticar o gramado sintético. E, no entanto, é ele o cliente vip do departamento médico. Buracos fazem parte do folclore do futebol nacional. Foi em um buraco, gestado no retângulo infértil da meta dos goleiros, que nasceu o morrinho artilheiro e, junto com ele, o Sobrenatural de Almeida, também conhecido como imponderável. Porque em campo ruim, a sorte sorri para o perna de pau.
A Arena do Athletico, em Curitiba, utiliza o gramado sintético desde 2016 e não gerou tanta polêmica até o dia que outros clubes de porte equivalente ou maior resolveram adotá-lo. Caso de Botafogo, Atlético Mineiro e, de novo, o Palmeiras.
O nome dele é Rivelino
Então o gramado sintético é ruim para o craque que um dia Neymar foi, mas não para aquele que, se puder escolher, prefere o artificial do que o ‘natural’ feito de terra, serragem, areia e tinta verde. Sim, tinta verde para enganar as câmeras de TV.
Se a arbitragem, a CBF, a Fifa, os fiscais da Fifa, os clubes, os jogadores, o torcedor apaixonado admitem esse mascaramento do produto, que na minha terra se chama fraude, muito bem. Mas grama natural em campo de futebol não é isso. É outra coisa.
Devo admitir. Já foi pior. Houve um tempo em que buracos, como o morrinho artilheiro, eram endeusados pela crônica esportiva. Poderiam significar um talismã para o time adversário ou servir de ‘refúgio’ para o craque que nele se enfiava em dia de jogos decisivos. Salvo engano, há um buraco no velho Pacaembu, em São Paulo, batizado com o nome de Rivelino
P.S.: Na coluna passada (segunda, 23), a pressa foi inimiga da informação. Omiti o fato de que Coritiba e Athletico naufragaram ambos, e abraçadinhos, na semifinal do Paranaense. E errei ao afirmar que Flamengo e Fluminense disputarão a final do campeonato carioca. Falta ainda o jogo de volta da semifinal. Mas eles venceram seus jogos de ida. Menos mal.
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