Futebol paranaense é terra arrasada. Por onde passa não nasce grama. Nem grana. Enquanto o Coritiba fez uma partida de série D na semifinal e perdeu para o Operário de Ponta Grossa nos pênaltis (após empate de 2 a 2 no tempo normal), o Athletico entrou com jogadores reservas na partida contra o Londrina e, nenhuma surpresa, perdeu a chance de ir à final. Detalhe: os dois times jogaram em casa, com o apoio de suas torcidas.
No ano passado, o Coxa tinha o técnico Mozart à frente da equipe. Foi ele quem devolveu o time para a série A do Brasileirão. Oficialmente, ‘a pressão familiar’ fez com que ele desistisse de continuar no comando. Extra-oficialmente, a diretoria do clube achou que a pedida de R$ 600 mil em salários era pretensão descabida. Trouxe Fernando Seabra para substitui-lo e já se viu que o treinador não vai muito longe. É o tipo que gosta de investidas ofensivas e nenhuma atenção à defesa. Convenhamos, se os atacantes correspondessem, seria uma maravilha. Mas o Coritiba tem um certo Lavega, que é canhoto e chuta mal com a esquerda. Vide lance em que Breno Lopes avança, dribla dois defensores e cruza, na medida, para Lavega chutar para o gol. Ele erra e erra medonhamente
Da boca para fora, os grandes clubes esnobam os campeonatos estaduais. Mas ninguém abdica da disputa do título. Veja o caso do Rio, onde teremos FlaxFlu, e o de São Paulo, em que três dos grandes disputam as semifinais. Claro que eles almejam mais. No Paranaense, contudo, a final entre Athletico e Coritiba pode significar o único e solitário ponto alto dos times na temporada. É isso mesmo.
Em tempos de empáfia e soberba, o Athletico, há alguns anos, disputou o estadual com o time sub-23, só recorrendo à equipe titular nas finais. Hoje, o clube não pode se dar a esse luxo. Uma medida da situação financeira está no gramado sintético enlameado e cheio de buracos. Se é assim, que devolvam ao campo a grama natural. Claro, também enlameada e cheia de buracos.
Odair Helmann, o técnico do rubro-negro, bem que tentou explicar o motivo pelo qual escalou o time reserva no jogo contra o Londrina. Inútil. Ele o fez porque considerava que a classificação eram favas contadas. O Londrina abriu o placar ainda no primeiro tempo e controlou a partida sem sobressaltos, mesmo quando Helmann sacou os titulares do banco. O Athletico poderia ter empatado a partida quando teve um pênalti a seu favor, mas foi de terceira opção entre os cobradores porque Fulano não se sentia seguro e Beltrano hesitou diante do goleiro. A meu ver, é um caso clínico.
O Coritiba reforçou a equipe. Trouxe Breno Lopes, Keno e está em vias de contratar Pedro Raúl, atacante do Corinthians. O inconveniente é que, em fim de carreira, não se sabe se esses jogadores serão a sombra do que já foram em outras equipes.
De péssima administração em péssima administração, o Coritiba encontrou na Sociedade Anônima do Futebol uma saída para suas agruras futebolísticas. O Athletico, ao contrário, continua sendo gerido por Mário Celso Petraglia, um cartola da velha guarda cujo estilo e semelhança com personagens do futebol como Eurico Miranda e Nabi Abi Chedid entraram para o folclore.
Não se sabe o futuro dos dois grandes paranaenses – por enquanto, ele não é nada auspicioso. Mas se seguirem nessa pindaíba em que se encontram, tanto administrativa quanto esportivamente, é certo que coxa e o rubro-negro poderão, em curto espaço de tempo, tornar-se o perfeito modelo do que não se deve fazer ao gerir uma SAF ou uma agremiação esportiva tradicional. O fracasso no Paranaense é o primeiro sinal. Haverá outros.
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