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13/07/2026

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Mazzinha, folião do bloco ‘Eu Sozinho’

30/01/2026
mazzinha

Se não é o pior Carnaval do mundo, é o mais hilário. Talvez uma coisa leve a outra. Cronista esportivo e torcedor do coxa, Vinicius Coelho sugeriu trocar a folia de Curitiba por quatro dias de concertos da orquestra sinfônica. Eu disse que era hilário? Também é esquisito. Tal como um rinoceronte.

Carlos Fernando Mazza, o Mazzinha, certamente não concorda. Mas ele traz o Carnaval dentro de si. Não precisa da folia oficialesca que só é folia quando a TV Globo liga a câmera.

Acontece no futebol, acontece na política e acontece no Carnaval, onde a festa de verdade começa na Quarta-Feira de Cinzas, dia em que o barnabé emenda o restinho da semana.

Você conhece esse cara de algum lugar? Sim, ele é o irmão mais novo de Luiz Geraldo Mazza, o homem de imprensa (jornalista é pouco), falecido em 2024, aos 93 anos.

Mazzinha está beirando os 80, ou seja, em comparação com Matusalém, que viveu 969 anos, ele agora está deixando o período de latência para entrar na puberdade, quando enfim aquelas revistinhas suecas vão fazer sentido.

Não agite

No documentário ‘Mazzinha, Minha Fantasia Sou Eu’ (2020), dirigido por Estevan Silvera, Mazza, o jornalista, diz que entre os quatro irmãos, ele era o único indiferente ao Carnaval. E afirma isso naquele tom analítico e sociológico. É preciso ver o documentário para entender. Está no Youtube.

Contam os ancestrais a história de uma certa trouxinha de roupas que Mazza deixava à vista no caso da ditadura militar bater à porta. Definitivamente ele não era marxista da tendência Groucho. Já o irmão… muito ao contrário.

Mazzinha foi mestre-sala aos sete, passista aos 12, porta-bandeira aos 15, e seria Rei Momo aos 18 se as regras daquele tempo não reservassem a vaga apenas aos balofos, rotundos e ex-prefeitos.

Nos idos de 1960, foi um dos fundadores do bloco ‘Não Agite’, um nome ‘reaça’ que, à época, passou despercebido pelo soviete da UNE (União Nacional dos Estudantes). Eram tempos bicudos e as ruas diziam que era hora de balançar as estruturas e despir-se dos preconceitos. Mazzinha foi obediente, ao menos, no segundo caso. Modelo da revista gay ‘Rose’, lançada pela Grafipar, ele teimou em posar nu para uma das edições. Só não consumou o fato porque sofria de um priapismo avassalador. Uma folha de parreira deveria ser suficiente para tapar suas vergonhas. Não foi. O jeito foi empunhar um violão de seis cordas. E braço muito, muito longo.

Em 1976, cansado de guerra, ele se mandou para o Rio de Janeiro. O que fazer? Ele ouvira o canto da sereia. Todos os artistas, cantores, compositores, carnavalescos e cafajestes, na boa acepção da palavra, estavam lá. Mazzinha via o Rio como a terra prometida, mas precisou atravessar as áridas praias de Ipanema por seis meses antes de conseguir um emprego.

Ney Matogrosso

No documentário, ele aparece visitando a favela do Vidigal, local onde criou um projeto cultural em parceria com o compositor Sérgio Ricardo, aquele do violão quebrado. Em breve, ele promoveria shows com Ney Matogrosso, que ainda rebolava o ‘Vira-Vira’, sucesso da dupla Secos e Molhados (ou qualquer coisa assim) e saraus com o poeta Thiago de Melo. Claro, sem o mesmo rebolado.

De volta a Curitiba, três anos depois, Mazzinha se declarou cansado do moderno. Ora em diante, seria eterno. Folião inveterado, ele era (e é) um fã de Cantinflas, o comediante mexicano. Mas, na avenida, prefere a fantasia do ‘Chaves’. Algo a ver com sua alma de pirralho no corpo de um longevo. Aliás, longevidade é uma condição permanente na família – vide o irmão noventão. Mazzinha está mais para interminável.

Sim, ele gosta da folia, mas não da badalação. Por isso age circunspecto a toda manifestação de alegria. Os curitibanos sonham em ficar famosos. Mazzinha prefere se perder na multidão. Maledicentes de baixa categoria gostam de cutucar. Garantem que no dia em que decidiu desfilar solitário na avenida, Mazzinha criou também o hino do bloco: ‘Antes só e mal acompanhado’. Mentira.

Mazzinha é um compositor de mão cheia. O que lhe falta é um nome impronunciável. Palminor Rodrigues Ferreira, o ‘Lápis’, por exemplo. Ou Masuenden dos Santos Prudente, o ‘Chocolate’, ou ‘Chocô’.

Getúlio Vargas deixou uma carta testamento, cujo desfecho é famoso: ‘Saio da vida para entrar na história’. Mazzinha vai por aí: ‘Saio da história para cair na vida’. Perfeito.

Importante

Nesta sexta-feira (30), a partir das 20 horas, Mazzinha abre o Carnaval curitibano com uma festa de amigos no bar ‘Brasileirinho’ (Mateus Leme, 67 – São Francisco). Cada um paga a sua.

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