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22/02/2024



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Práticas ESG continuam essenciais para posicionar negócios sustentáveis

 Práticas ESG continuam essenciais para posicionar negócios sustentáveis

Empresas e governos precisam encarar a agenda ESG como uma corrida de obstáculos. Não adianta querer passar por baixo da trave, porque será desclassificado da competição. A tendência é de que as exigências sejam cada vez maiores por ações concretas e ágeis, que contribuam de maneira eficaz com a sustentabilidade do Planeta.

 

Apesar de ter perdido fôlego ao longo de 2023, a adoção de práticas sustentáveis sob os aspectos ambiental, social e de governança seguirá no foco de consumidores e investidores. Além da preocupação com a poluição e a redução de emissões de gases de efeito estufa, que provocam a crise do clima, deve entrar na pauta das empresas a cobrança do impacto direto de atividades econômicas sobre os biomas da terra.

 

Conforme divulgado no Fórum Econômico Mundial, mais da metade da produção global de bens depende, mesmo que moderadamente, da biodiversidade, e a humanidade passará a observar com lupa quem mais contribui para o colapso da natureza. Entram nesta conta o desmatamento e o uso desenfreado de recursos naturais, incluindo a água.

 

Em razão da dinâmica desta nova economia, que também envolve a transição energética, as práticas ESG são ferramentas fundamentais para posicionar os negócios como sustentáveis. Por óbvio, maquiagem de dados e a divulgação de boas intenções não serão suficientes para convencer quem investe e compra. Sem atitudes efetivas, muitos competidores serão desclassificados.

 

Muito além de Paris (I)

Um estudo publicado pela revista Nature sustenta que a temperatura da terra estava, ao final de 2020, 1,7º C mais alta do que os níveis da era pré-industrial. O resultado seria 0,5º C maior do que a estimativa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), vinculado à ONU e que, em 2023, projetou o aquecimento terrestre em 1,2 graus Celsius acima do período anterior à disseminação do uso de combustíveis fósseis. De acordo com os estudiosos, o botão do aquecimento da terra foi ligado em meados da década de 1860, contra projeções que indicam que isto teria acontecido nos anos de 1940.

 

Muito além de Paris (II)

O trabalho, conduzido pelos pesquisadores Malcolm McCulloch, Amos Winter, Clark Sherman e Julie Trotter, coloca em cheque a meta do Acordo de Paris, que prevê limitar em 1,5º C a temperatura do planeta até 2030, no comparativo com o início da revolução industrial. A pesquisa é baseada na análise de esqueletos de esponjas marinhas com até 300 anos, que sobrevivem em uma profundidade entre 30 metros e 100 metros e não sofrem com as variações esporádicas da temperatura na superfície dos oceanos. Os autores aguardam contestações da tese.

 

Gasto na transição

O gasto global em projetos de transição energética alcançou US$ 1,77 trilhão em 2023. A China lidera a lista dos maiores investimentos, com US$ 676 bilhões. Os EUA, o Reino Unido e países da União Europeia somam empreendimentos que totalizam US$ 718 bilhões. O Brasil ficou em quinto no ranking, com US$ 34,8 bilhões aplicados em projetos em energia renovável e captura e armazenamento de carbono. Os dados são da pesquisa Energy Transition Trends 2024, da BloombergNEF (BNEF).

 

Captura de carbono (I)

A União Europeia (UE) quer que o bloco de países implante estruturas e crie tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS – carbon capture and storage) para evitar que até 450 milhões de toneladas de CO2 cheguem anualmente na atmosfera até 2050. O investimento para isso é uma incógnita, assim como a soluções possíveis. No mundo inteiro existem hoje 39 instalações operacionais de CCS. Juntas, elas têm capacidade de absorver apenas 45 milhões de toneladas de carbono por ano.

 

Captura de carbono (II)

A proposta da União Europeia inclui ampliar o parque de captura direta de carbono (DAC), que é uma espécie de aspirador do ar gigante. A tecnologia exige muita energia, que deve ser de fonte renovável, e locais de armazenamento adequados para funcionar. Neste momento, o custo para reter uma tonelada de CO2 por este método está estimado entre US$ 600,00 e US$ 1000,00, enquanto no mercado de créditos de carbono a mesma tonelada vale cerca de US$ 65,00.

 

Captura de carbono (III)

Outro aspecto do programa europeu relativo ao CO2 é a instalação de uma rede de transporte do gás, ligando as áreas de captura até os espaços de armazenagem. A perspectiva é de uma conexão de dutos que teria entre 15 mil e 19 mil quilômetros de extensão. A rede cortaria todos os países da União Europeia e chegaria também ao Reino Unido e Noruega, que não integram o bloco. Somente esta estrutura consumiria perto de 40 bilhões de euros até 2050.

 

Captura de carbono (IV)

Apesar de ser uma proposta cheia de boas intenções, os objetivos da UE estão longe de ser unanimidade. Há incertezas sobre a segurança do transporte e do armazenamento subterrâneo. O Instituto de Economia da Energia e Análise Financeira (IEEFA), dos Estados Unidos, acredita que a estratégia dos europeus para retirar carbono da atmosfera é uma aposta em tecnologias não comprovadas. A organização também enxerga grandes riscos na alocação de recursos públicos para iniciativas ineficientes.

Foto: Matthias Heyde/Unsplash

 

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