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24/07/2026

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Declaração de Flavio Bolsonaro empurra Moro para uma cristianização

24/07/2026
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Na política, algumas frases valem menos pelo que dizem diretamente e mais pelas portas que deixam abertas. Foi o que aconteceu com uma declaração de Flávio Bolsonaro ao blog do jornalista Paulo Cappelli, do jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro.

Questionado sobre como administraria a resistência de lideranças do PL à candidatura de Sergio Moro ao Governo do Paraná, Flávio respondeu: “Nenhum partido político é quartel”. Acrescentou que pretende agir com diálogo e convencimento, sem obrigar integrantes da legenda a apoiar candidatos do próprio partido nos estados.

A frase parece democrática. No Paraná, porém, tem peso político muito maior.

Moro não chegou ao PL como candidato construído pela base estadual. Sua filiação e sua pré-candidatura foram articuladas pela direção nacional e provocaram reação imediata. O então presidente estadual do partido deixou o comando da sigla, e um número expressivo de prefeitos também saiu. A maioria estava alinhada ao governador Ratinho Junior e rejeitava a imposição do nome de Moro.

Os que permaneceram no partido, no entanto, receberam agora uma espécie de salvo-conduto.

Ao afirmar que não haverá imposição, Flávio Bolsonaro libera deputados, prefeitos, vereadores e dirigentes do PL para apoiar outros candidatos. No Paraná, isso significa abrir caminho para adesões a Sandro Alex, nome escolhido por Ratinho Junior para a sucessão estadual.

É nesse ponto que surge a pergunta inevitável: Flavio estaria começando uma cristianização de Sergio Moro?

O termo vem da eleição presidencial de 1950, quando Cristiano Machado, candidato oficial do PSD, foi progressivamente abandonado por lideranças do próprio partido, que passaram a apoiar Getúlio Vargas. A candidatura permaneceu formalmente de pé, mas perdeu estrutura, lealdade e mobilização.

Moro entrou no PL esperando contar com a força nacional do partido, com o eleitorado bolsonarista e com uma estrutura estadual mobilizada. A declaração de Flávio mostra que poderá ter a legenda, mas não necessariamente todos os seus quadros; poderá ter o apoio formal, mas não a disciplina partidária.

Ao mesmo tempo, o presidenciável preserva uma relação política com Ratinho Junior, dono de uma estrutura muito mais ampla no Paraná. Ao permitir que integrantes do PL apoiem Sandro Alex, Flávio reduz o confronto com o governador e evita transformar a eleição paranaense em uma guerra entre bolsonaristas. Para uma candidatura presidencial, pode ser mais conveniente manter algum diálogo com os dois lados do que apostar todas as fichas em um único palanque estadual.

Para os adversários do senador, a fala foi recebida como uma boa notícia. Para o grupo de Moro, teria sido mais indigesta.

Poucos meses depois da filiação de Moro, com pompa e discursos entusiasmados, o discurso está mais cauteloso. O apoio continua, mas deixou de ser uma ordem política. Moro permanece candidato, porém já não pode contar com a disciplina partidária para obrigar lideranças locais a defendê-lo.

Existe ainda uma contradição evidente. Moro se comprometeu a oferecer a Flávio um palanque forte no Paraná. Flávio, por sua vez, não garante que os integrantes do PL estarão no palanque de Moro.

A cristianização não começa quando o partido retira oficialmente uma candidatura. Começa quando o candidato permanece na fotografia, mas seus correligionários recebem liberdade para abandonar o enquadramento.

Claro que já deve estar ocorrendo uma correria no quartel de Moro. Assessores e o marqueteiro muito nervoso já devem estar acionando os deputados do partido para emitir uma nota em conjunto declarando apoio irrestrito ao ex-juiz.

Nessa hora, qualquer ligação não atendida aumenta o pânico. Talvez ainda não seja a cristianização de Sérgio Moro, mas é o primeiro movimento que torna esse processo possível.

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