Vivemos tempos muito desafiadores. Sob o escudo da “defesa da democracia”, presenciamos uma série de artimanhas que fazem com que o dito sistema que representa o povo tenha viés. Os representantes eleitos deveriam vir do seio da população e representar suas necessidades, anseios. Mas, o que vemos é uma democracia seletiva, onde ela só é válida quando atende desejos de determinado lado; quando vê que determinado lado precisa ser blindado para continuar tendo suas prerrogativas sendo colocadas em prática; quando se blinda e blinda quem joga no mesmo “time”. E deixar quem escolhe os representantes populares devidamente cabrestados por programas de subsistência, por manipulação de dados e acontecimentos, por falácias e promessas falsas, incabíveis e inexecutáveis, faz com que o ciclo se perpetue. A ignorância é fomentada e o corrompimento da base eleitora é necessária.
Isso é política no seu estado mais asqueroso e atual.
Mas, no nosso esporte, algo muda? É diferente? Afirmo e provo abaixo: NÃO!
Não seremos repetitivos quanto aos clubes e CBF. Apenas lembraremos os fatos. Já quanto à FIFA, exporemos aqui o exato modelo de sustentação “democrática” que faz com que o sistema se perpetue.
Nos clubes, “torcedores” com intenções variadas, galgam o poder para terem benesses diretas e indiretas. Os “defensores das cores e pavilhões” são, na verdade sanguessugas baratos da entidade.
Na CBF, clubes da série B tem peso 1 em votações para escolhas de representantes. Clubes da série A peso tem peso 2. E as federações regionais, peso 3. Isso garante que o maravilhoso “modelo democrático” seja sempre contínuo e sem rompimentos. Afinal, as portentosas federações do Acre, Rondônia, Roraima, Piauí, Maranhão, Tocantins,
Amapá, Sergipe, Distrito Federal, Espirito Santo tem, sozinhas, o poder de definir quem serão os representantes democraticamente alçados aos postos de comando da Confederação. Longe de mim supor que (quase inexistindo futebol nessas praças), interesses escusos, privilégios e benefícios, sejam os vetores para eleição.
E agora, com a Copa do Mundo acontecendo com 48 selecionados nacionais (muitos e vários inexpressivos), fui buscar entender o modelo da FIFA. E não é que a “democracia” novamente venceu?
Na FIFA tem-se 211 confederações ou federações nacionais votantes. TODAS têm repasse mínimo de, ao menos, U$8 milhões por ano. Dinheiro que é usado da forma que bem entenderem. Barbados, Botsuana, Uzbequistão, Namíbia, como exemplo, tem poder de voto exatamente igual à Brasil, Argentina, Alemanha, França. São necessários 106 votos de tais entidades para continuidade das mesmas pessoas ou de seus sucessores naturais no cargo máximo da FIFA.
Pergunto com muita sinceridade. Quais dessas entidades, quase inexistentes economicamente e esportivamente, vai querer perder o repasse anual de dinheiro, perder o privilégio de ir para as Copas do Mundo com tudo custeado, de poder viajar o mundo sem colocar a mão no bolso? Se o representante atual mudar, se o modelo mudar, se as condições se alterarem, me parece que não será muito bacana para toda essa gente…
Enfim. Isso é o que temos. Esse é o modelo. Em meu modo de pensar, inquebrável pela forma que foi ardilosamente construído.
Viva a “democracia”! Viva as mentes brilhantes que a defendem (assim como ora se apresenta) com unhas e dentes.
Imagem: Gerada por IA
Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.



