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15/06/2026

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Dívida bilionária, calote e a conta da Copel Telecom: Tanure terá de vender a Ligga

12/12/2025
tanure

O empresário Nelson Tanure enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória empresarial, pressionado por uma dívida bilionária, pelo histórico recente de inadimplência e pela necessidade concreta de vender a Ligga Telecom, empresa criada a partir da privatização da Copel Telecom, no Paraná. A renegociação de cerca de R$ 1,2 bilhão em dívidas escancara a fragilidade financeira da operação e recoloca em discussão a própria viabilidade da permanência de Tanure no controle do ativo.

A Ligga nasceu em 2020, quando Tanure venceu o leilão da Copel Telecom, realizado pelo governo do Paraná, pagando aproximadamente R$ 2,4 bilhões pela companhia estatal de telecomunicações. A aquisição foi financiada por uma estrutura altamente alavancada e serviu de base para a criação de uma plataforma regional de telecom, posteriormente rebatizada de Ligga, que incorporou outros ativos e operadoras menores em uma estratégia agressiva de consolidação no mercado de fibra óptica.

Desde então, a Ligga cresceu em número de clientes e presença regional, mas acumulou prejuízos operacionais, elevados custos financeiros e um endividamento que passou a comprometer sua capacidade de geração de caixa. O modelo, sustentado por crédito farto e expectativa de expansão acelerada, mostrou-se vulnerável diante do aumento dos juros, da competição intensa no setor e da dificuldade de transformar crescimento em rentabilidade.

O ponto de inflexão ocorreu com o vencimento, em dezembro, de uma dívida de aproximadamente R$ 1,2 bilhão vinculada à holding que controla a Ligga. O valor não foi pago na data acordada, caracterizando um calote que obrigou credores a sentar à mesa para renegociar prazos, condições e garantias. A repactuação evitou uma execução imediata, mas deixou claro que a permanência de Tanure no controle da empresa passou a depender da venda do ativo ou de parte relevante dele.

Esse episódio não é isolado. Pouco antes, Tanure perdeu o controle da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) justamente por não cumprir obrigações financeiras assumidas na aquisição da companhia. A inadimplência levou à execução de garantias e à transferência do ativo, reforçando no mercado a percepção de que o empresário tem recorrido sistematicamente a estruturas financeiras que não se sustentam no longo prazo.

No caso da Ligga, a situação é ainda mais sensível. A própria renegociação da dívida prevê mecanismos que pressionam pela alienação da empresa, seja para pagamento direto dos credores, seja para evitar novos episódios de inadimplência. A operadora já foi colocada à venda, com valores estimados em torno de R$ 2,5 bilhões, cifra próxima àquela desembolsada na privatização da Copel Telecom, mas que hoje encontra resistência diante do nível de endividamento e da necessidade de novos investimentos.

A saída de Tanure do conselho de administração da Ligga, ocorrida nos últimos meses, foi interpretada como mais um sinal de enfraquecimento de sua posição e de distanciamento da gestão direta do negócio. Internamente, o movimento foi lido como parte de um processo de preparação para a venda, reduzindo riscos jurídicos e operacionais em meio às negociações com credores e potenciais compradores.

O desfecho parece cada vez mais claro. Sem fôlego financeiro, com histórico recente de calotes e pressionado por dívidas estruturadas em volumes bilionários, Tanure dificilmente conseguirá manter a Ligga sob seu controle. O ativo criado a partir da Copel Telecom, que simbolizou uma das maiores privatizações do Paraná, deve agora ser colocado no mercado como peça-chave para cobrir rombos financeiros e encerrar um ciclo marcado por alavancagem excessiva e promessas de crescimento que não se converteram em solidez econômica.

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