Os empresários paranaenses iniciam o segundo semestre de 2026 mais cautelosos do que nunca, mas preservando os planos de investir e manter o nível de emprego. Pesquisa de Opinião do Empresário, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) e pelo Sebrae/PR, revela que 27,5% dos empreendedores do setor terciário esperam aumentar o faturamento nos próximos meses. Embora seja o menor índice de expectativa favorável de toda a série histórica do levantamento, a pesquisa mostra que a maior parte dos empresários projeta estabilidade ou crescimento para o período.
O resultado não significa necessariamente uma expectativa de piora dos negócios. Outros 27,2% acreditam na manutenção do cenário atual, indicando que mais da metade dos empresários não prevê piora nos negócios ao longo do segundo semestre. Apenas 17,8% projetam redução no faturamento. Chama atenção ainda o elevado percentual de entrevistados que não conseguiram definir uma expectativa para o período, que chega a 27,5%.
Otimismo por setor
Entre os segmentos pesquisados, os empresários do setor de serviços apresentam a perspectiva mais favorável para o segundo semestre. Nesse grupo, 30,7% esperam crescimento do faturamento, enquanto 25,2% acreditam na estabilidade dos resultados atuais.
Na sequência aparecem os empresários ligados ao turismo, entre os quais 26,4% projetam aumento das receitas. O setor reúne o maior percentual de empresários que esperam estabilidade (30,6%), indicando confiança na manutenção da atividade.
Já os varejistas demonstram maior cautela. Apenas 24,9% acreditam em crescimento do faturamento nos próximos meses. Outros 28,2% apostam na manutenção dos negócios e 28,9% ainda não possuem uma expectativa definida para o período.
Empresas maiores demonstram mais confiança
A percepção sobre os próximos meses também varia conforme o porte dos empreendimentos. As médias e grandes empresas são as mais otimistas, com 39,1% das respostas favoráveis. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), o percentual de expectativa positiva chega a 33,9%. Nas microempresas, o índice é de 26,7%. O menor nível de confiança foi registrado entre as empresas de pequeno porte, onde apenas 17,9% dos empresários esperam aumento no faturamento durante o segundo semestre.
Preocupações dos empresários
A instabilidade política é a principal preocupação dos empresários paranaenses neste semestre, apontada por 38% dos entrevistados. Contudo, o tema permaneceu praticamente estável em relação ao semestre anterior, quando registrava 39%.
A carga tributária, apesar de ter reduzido sua participação entre as principais preocupações, passando de 43,2% no primeiro semestre para 37,3% no segundo, continua ocupando o segundo lugar entre as dificuldades apontadas pelo empresariado, indicando que os custos tributários seguem entre os principais desafios para o setor produtivo.
Outros desafios relevantes citados pelos entrevistados foram a falta de mão de obra qualificada (33,8%) e a instabilidade econômica (31,5%), fator que apresentou crescimento de 6,1 pontos percentuais ante o primeiro semestre.
Investimentos e contratações
Mesmo em um ambiente de maior cautela, os empresários mantêm disposição para investir. A pesquisa mostra que 29,6% dos entrevistados planejam realizar investimentos, principalmente em máquinas e equipamentos, reformas e modernização das instalações, ações de propaganda e marketing e capacitação das equipes.
O levantamento também indica perspectiva de estabilidade no mercado de trabalho do setor terciário. Ao todo, 66,1% das empresas pretendem manter ou ampliar o quadro funcional no segundo semestre.



