A Copa do Mundo de 1982 permanece viva na memória de milhões de brasileiros. Para a colunista Maria do Rocio Vaz, porém, aquela edição inesquecível vai muito além do futebol. Entre o álbum de figurinhas, a expectativa pela seleção de Telê Santana e o silêncio que tomou conta da casa após a derrota para a Itália, ela relembra como um único jogo foi capaz de marcar para sempre uma geração de torcedores.
A copa de 1982 foi a mais marcante que vivi. Eu era adolescente, 13 anos, torcedora do…, melhor não comentar. A família se dividia entre os times daqui e minha mãe, especialmente, curtia futebol mais que o pai.
Eu e minhas irmãs compramos o álbum da Copa e trocávamos figurinhas na escola. Tínhamos nossos jogadores preferidos, os mais “interessantes”, claro, como Leandro, Éder, Roberto Dinamite, e os outros, que amávamos por seu carisma e talento: Zico, Sócrates, Junior, Falcão, o goleiro Waldir Peres e alguns que não me lembro.
Dos estrangeiros o “frisson” era pelos italianos Tardelli, Cabrini e Paolo Rossi; e pelos alemães Muller e Rummenigge.
Se completamos o álbum eu não sei dizer. Mas as expectativas eram gigantes, havia uma emoção coletiva, o clima era de vitória.
Mas a tarde de uma segunda, 5 de julho, ficou na nossa história para sempre. Paolo Rossi goleou o Brasil por 3×2. A casa ficou quieta, uns choravam, ahhhh esse dia ainda mexe comigo. A tragédia atravessou gerações.
Hoje vestirei amarelo, só porque o professor de spinning pediu.



